Desigualdade social cai no país, mas diferença ainda é grande
Celso Jr/AE

DESENVOLVIMENTO - Pochmann diz que reajuste do mínimo e programas sociais ajudaram
24/06/2008 - Tribuna do Norte
Brasília (AE) - O abismo que separa os mais altos salários pagos no País das remunerações mais baixas diminuiu um pouco nos últimos cinco anos, segundo mostra estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Em 2003, os rendimentos mais altos eram 27,3 vezes maiores do que os salários mais baixos. No ano passado, essa proporção havia caído para 23,5 vezes. Ou seja, apesar do avanço os rendimentos do trabalho continuam mal distribuídos.
“Houve melhora (na distribuição da renda), mas ainda estamos longe de um País menos injusto”, declarou o presidente do instituto, o economista Márcio Pochmann.
O Ipea usou dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que todos os meses faz o levantamento da situação do mercado formal de trabalho em seis regiões metropolitanas do País (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Salvador)
Os números do IBGE mostram que entre 2003 e 2007 houve o crescimento de 22% da renda média dos mais pobres, ante um aumento de apenas 4,9% na renda média dos ocupados com maior remuneração.
Márcio Pochmann atribuiu esse desempenho de diminuição da desigualdade à política de reajuste real do salário mínimo implantada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde 2004 e às políticas de transferência de renda, como os benefícios concedidos pela Lei Orgânica de Assistência Social (Loas) com valores de salário mínimo.
“Entre os 40% mais pobres do País essa política foi fundamental para a recuperação do poder aquisitivo”, completou Pochmann.
Essas políticas influenciaram, segundo o Ipea, o índice Gini - medidor internacional de desigualdade de renda em um país, que varia de 0 a 1. Quanto mais perto de 1, maior a desigualdade, quanto mais perto de zero, menor. Em 2003, o índice brasileiro era de 0,53 ponto. No primeiro trimestre deste ano, o índice já havia recuado para 0,50 ponto.
As projeções do Ipea apontam para um índice de 0,49 ponto em 2010, se for mantido o crescimento econômico em torno de 5% ao ano até lá. Pochmann reconheceu que uma taxa de inflação crescente pode atrapalhar essa trajetória, bem como as políticas de combate à inflação, como elevação de juros. “Mas inflação é algo muito prejudicial”, comentou.
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antonio.f.moura@... | 24/06/2008 - 18h03
Enquanto as pontas (Classe alta e classe baixa) são comparadas e o fosso entre elas diminui, o rolo compressor passa por cima da classe média,que paga a conta. Pelo que eu saiba, é quem trabalha neste país. A classe menos favorecida recebe benefícios sociais quase sem contrapartida (o filho vai à escola mas o representante legal não trabalha ou vive do subemprego, vulgo "bico"). Os ricos trabalham pouco, pois eles são detentores dos meios de produção e preferem que osmenos favorecidos trabalhem para eles (isso é regra geral com honrosas excessões). Quem trabalha éa classe média (e ainda estuda "para ser alguma coisa na vida") bancando sua universidade, sua pós-graduação e por aí vai. Quem trabalha éa classe média. Um país que se preza trata bem sua classe média, que carrega a economias nas costas. Um país que se preza não permite que os Hércules da classe média tenham seus salários achatados pela inflação, e relativamente baixos (quando comparados com o mínimo constantemente aumentado acima da inflação. Existem pessoas que há 10 anos recebiam sete salários mínimos como base. Hoje recebem quatro, pois tiveram reajuste abaixo da inflação, enquanto o mínimo foi reajustado acima. Privilegiar quem não produz é perigoso, pois corta o incentivo de quem produz as riquezas do país, "vulgarmente" conhecida como PIB.