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Autistas ganham colônia de férias

Max PereiraCIDADANIA - Colônia de férias ajuda na inclusão social de crianças e adolescentes autistas na escola, na família e no trabalho
04/07/2008 - Tribuna do Norte


No mês de julho, a tradicional colônia de férias se apresenta como uma alternativa de lazer para as crianças, que além de prazer e descontração, favorece a socialização e o desenvolvimento infantil. Partindo dessa idéia, o Centro de Estudo Aplicado (CRÊ-SER) em parceria com a Farn (Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do RN), desenvolveu uma colônia de férias dedicada às crianças autistas, promovendo a inclusão social dessas crianças na escola, na família e no trabalho, além de um melhor preparo dos profissionais que virão a trabalhar com esse público no futuro. Alunos dos cursos de Enfermagem, Nutrição, Fisioterapia e Psicologia ajudam no desenvolvimento de atividades sensoriais, motoras, esportivas, incluindo atividades da vida diária (AVDs).

Piscina de bolinhas, cama elástica, artes, música, esportes e brinquedos educativos compõem a programação que começou essa semana. "É a primeira vez que realizamos essa experiência e no primeiro dia já nos surpreendemos com a boa adaptação das crianças", disse a coordenadora do projeto, Eliana Araújo. "É também uma oportunidade para os universitários terem contato com essas crianças durante o curso. Muitas vezes, o profissional sai da academia sem experiência de estágio".

As atividades foram divididas em dois grupos, com duração de quinze dias cada. "Na primeira quinzena participam crianças entre dois e sete anos. No segundo ciclo, a faixa etária é de oito a 15 anos", informa o coordenador do curso de Psicologia da Farn, Antônio Alves. "Os alunos voluntários receberam uma capacitação teórica para atuar no projeto, e são acompanhados integralmente pelos profissionais do Centro".

"Aprendemos muita teoria em sala, mas a prática profissional é essencial. Essas crianças só precisam de mais atenção, mas quem não precisa?", questiona Jersika Thaise de Carvalho, aluna de Psicologia, e declara não ter sentido diferença no primeiro contato com as crianças. "Estou vendo a síndrome com outros olhos. Não conhecia nada a respeito do autismo. Mesmo sendo um tema mais ligado à Psicologia, me preocupava como seria o atendimento a um paciente autista em um pronto socorro. A experiência está sendo bastante válida", diz Valêssa Medeiros, estudante de Enfermagem.

A coordenadora do projeto e idealizadora do Centro, Eliana Araújo, acredita que a educação condutiva é um caminho para diminuir o preconceito na sociedade. "Não é apenas brincadeira, as crianças aprendem a se alimentar, se vestir e se expressar melhor. Estimulamos o desenvolvimento biológico e psicossocial".

Tomar água, dançar ou apenas segurar um lápis, ações simples do dia-a-dia, são obstáculos a serem superados diariamente pelas crianças e adolescentes portadores de autismo. Conseqüência de uma alteração cerebral, a doença afeta a capacidade de comunicação e relacionamentos do indivíduo.

Crê-Ser - O Centro de Estudo Aplicado surgiu em 1999, sem fins-lucrativos, reunindo 11 famílias com filhos autistas. O objetivo inicial era estudar a doença, mas Eliana Araújo, idealizadora do centro, viu a necessidade de um trabalho de orientação junto aos pais e escolas, iniciado em 2007.

Devido às limitações financeiras, atualmente são atendidas oito crianças, e 11 estão em fila de espera. "Incentivamos a capacidade de aprender a aprender, e o mais importante, a consciência de que podem atuar como sujeitos ativos do processo de superação", diz Eliana. "Em poucos meses de implantação, elas demonstram avanços na linguagem, manifestação do desejo, conhecimento corporal, interação com o grupo e autonomia em atividades simples do cotidiano, como comer e realizar a higiene pessoal".

Características:

- Tem dificuldade em estabelecer contacto com os olhos; 
- Parece surdo, apesar de não o ser;
- Pode começar a desenvolver a linguagem, e repentinamente interrompê-la completamente;
- Age como se não tomasse conhecimento do que acontece com os outros;
- Hiperatividade;
- Costuma estar inacessível perante as tentativas de comunicação das outras pessoas;
- Não explora o ambiente e as novidades, costuma restringir-se e fixar-se em poucas coisas;
- Apresenta certos gestos repetitivos e imotivados como balançar as mãos ou balançar-se;
- Cheira, morde ou lambe os brinquedos e ou roupas;
- Mostra-se insensível aos ferimentos.

Serviço:
As inscrições para a colônia de férias Crê-Ser ainda estão abertas, na avenida Miguel Castro, 714, Lagoa Nova. Mais informações pelo telefone 3206-9439.



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Comente esta notícia | Ler Comentários (1)
rogerdumdum@... | 29/07/2008 - 12h49
Essa iniciativa de uma colonia de férias para crianças autistas é simplesmente maravilhosa!!!
Gostaria de fazer uma sugestão. As pessoas que organizaram essa atividade entrassem em contato com outras universidades (de preferencia todas-pelo menos as públicas) sugerindo e orientando sobre como realizar esse maravilhoso projeto.
Caso seja possível gostaria de receber informações sobre a aceitação ou não dessa minha idéia.
Mais uma vez parabenizo a todos pelo projeto e por aqueles que o divulgaram.
Obrigado pelo espaço.

Rogério Pinheiro da Costa

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