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Marcelo Barroso

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Bloco Os Cão fez nesta terça-feira o tradicional mela-mela na Redinha

Um dia de cão, literalmente, foi o que viveram os foliões de um dos blocos mais tradicionais da Redinha nesta terça-feira (23) de Carnaval. Os integrantes do bloco Os Cão mais uma vez invadiram o mangue do Rio Potengi para melar o corpo de lama e sair fazendo a festa pelas ruas da Redinha. No meio da folia estavam crianças, jovens, adultos e idosos, em um encontro de gerações com o simples objetivo de curtir o mela-mela.

O movimento começou por volta das 9h, quando os primeiros foliões chegaram ao tradicional ponto de concentração embaixo da Ponte Newton Navarro. Uma das primeiras a chegar, a foliã Arlene Cadaô, dona de um histórico de 17 anos nos Cão, contou como teve início a sua paixão pelos bloco."Uma amiga me convidou e desde esse dia todo ano eu saio no bloco. Não perco de jeito nenhum".

Seguindo a paixão de sua tia Arlene, o folião Hudson George Macedo, que há cinco anos sai com o bloco, usou uma frase simples para descrever sua admiração pelo bloco: "A primeira melada é igual ao primeiro amor, você não esquece nunca mais". Hudson ainda lembrou episódios marcantes da história do mela-mela, como quando o bloco estava sem banda e os foliões improvisaram paus e latas para animar a folia.

Histórias por sinal sobram na memória dos "Cão". Aos 72 anos, Geraldo Rosa da Silva lembra com orgulho dos seus três amigos, O Cão, Zé Lambreta e Canindé de Ferrinho, segundo ele, os precursores do banho de lama. De acordo com Geraldo, o trio estava em uma casa em frente ao mangue quando resolveram sujar os corpos de lama e sair pela rua. Com eles nascia uma tradição que dura até hoje.

A tradição que não morre ainda é capaz de alcançar novas gerações. Montando em um cavalo enlameado com seu pai, o garoto Gabriel, de apenas 3 anos, brinca no mela-mela desde o primeiro ano de vida, como contou seu tio Damião Ribeiro. Não muito longe, Maria Clara, no auge de seus 5 anos, curte pela primeira vez a folia no mangue. Na companhia do pai, da mãe e de uma prima, a menina parecia pouco se incomodar com o corpo coberto de lama.

Após algumas horas no ponto de concentração, o bloco partiu para a Rua do Cruzeiro. O percurso ainda pede um ao local inicial para a chamada segunda melada do dia. A folia terá como destino final a praia de Santa Rita, onde Os Cão finalizam mais um ano de tradição, festa, e é claro, muita lama.

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