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Natal, 30 de Julho de 2010

Jornal de WM

por Woden Madruga

Esta coluna é atualizada diariamente

Mãe Dilma

30 de Julho de 2010
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Pelo que li nas folhas locais, a passagem da candidata Dilma Rousseff pelo Alecrim só causou tumultos e mal estar. Tumulto no trânsito já caótico do bairro que foi fechado durante 11 horas para que a caravana pudesse passar. Um dia inteiro. O mal estar aconteceu nos bastidores políticos por conta dessa salada indigesta que é a coligação partidária que apoia a candidata de Lula. As gafes da ex-ministra (que são comuns em Dilma) na omissão de alguns nomes de candidatos ao Senado e coisas que tais dessa mesma coligação provocaram reações contrariadas nas tribos locais. Outro aspecto anotado pelos jornais: a visível antipatia de dona Dilma no trato com os jornalistas da província.

Nos jornais lá de baixo que fizeram a cobertura do comício natalense da candidata do PT, destaquei os comentários de Josias de Souza, na Folha de S. Paulo, apesar do equívoco que cometeu quando se referiu ao nome da praça onde aconteceu a concentração. Ao invés de Gentil Ferreira, Josias batizou-a de Praça Getúlio Ferreira, talvez influenciado por aquela coisa de Lula de se comparar com Getúlio Vargas, tetetei, pôpôpô... Gentil Ferreira de Souza, por sinal, tio e pai de criação do governador Iberê Ferreira de Souza, que estava ao lado de Dilma e dividindo o palanque com o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, seu adversário.

A pedidos da galera do Cova da Onça, da turma da Reta Tabajara, das meninas  do Cabaço  e dos confrades de São Paulo do Potengi, transcrevo alguns trechos dos comentários de Josias:

- Dilma Rousseff passou a quarta-feira (28) em Natal (RN). Percorreu ruas do centro da cidade em carro aberto, o “Dilmamóvel”. O desfile desaguou numa praça. Do alto de um palanque, a candidata discursou para uma multidão. A alturas tantas, declarou: “O presidente Lula me deixou um legado [...], que é cuidar do povo brasileiro. Eu vou ser a mãe do povo brasileiro”.

- As palavras inspiram duas suspeitas: ou Dilma transmudou-se em Lula ou baixou na marquetagem que a escora o espírito de Lourival Fontes.

- Lourival era o chefe do Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado Novo, que criou o “pai dos pobres”. Chama-se Getúlio a praça em que Dilma discursou. Getúlio Ferreira, não o Vargas. Lula, embora não seja Getúlio Vargas, costuma corporificar a qualificação demagógica do velho ditador. Cogita inclusive plantar em sua biografia uma irmã bastarda da CLT: a CLS (Consolidação das Leis Sociais).

- Agora, mais essa: Dilma, a mãe dos pobres!. Ela explicou as razões que a fizeram candidata do neo-Getúlio: “Eu fui a mão esquerda e a mão direita dele, nos melhores e nos piores momentos”. Nesse ritmo, Dilma ainda troca o terninho pelo macacão. No limite, passa na lâmina o mínimo esquerdo.

- Sem mencionar o nome de José Serra, Dilma disse que a oposição “mente” ao dizer que não se contrapôs a Lula: “Somos democratas, mas nós não convivemos com aqueles que nos atacaram por oito anos e agora vêm com pele de cordeiro. Nós vemos as patinhas de lobo deles”.

- Falava na terra do “demo” José Agripino Maia. E não perdeu a oportunidade de fustigar o DEM, partido que ele lidera no Senado: “Tem uns aí dizendo que não fizeram oposição. Não só fizeram como ela foi pessoal, raivosa contra o presidente Lula, contra nós”.

- A certa altura, pronunciou uma frase que fez lembrar a célebre convocatória de Fernando ‘Não me deixem só’ Collor: “Não me deixem sozinha em Brasília. Elejam nossos senadores e deputados. Os partidos que estão comigo nesse palanque são uma lição de maturidade política”.

Ah, mãe Dilma!

Sim, a frase de Mãe Dilma, “Eu vou ser a mãe do povo brasileiro”,  foi escolhida como a “Frase do Dia”, que abre o blogue de Ricardo Noblat, de O Globo.

Poesia

Anote em sua agenda: dia 25 de agosto, na Livraria Siciliano, do Miduei, com todas as luzes que merece, haverá o lançamento de Caos do Corpo, o novo livro de poemas de Carmem Vasconcelos.

Pesquisa

Além do Ibope, da Datafolha e  da Vox Populi, tem o Instituto de Pesquisas da Universidade do

Méier, dirigido por Millôr Fernandes. Destaquei do seu saite a pesquisa presidencial (“Você vota em quem?” com este placar: “Serra, 42,09%; Marina, 31,62% e Dilma, 26,62”

E mais esse Poeminha:

“A literatura / Que eu mais / aprecio / É a de capa dura”

Revista 

Saindo o terceiro número da revista “Al Tawdih (O Esclarecimento)”, editada pela Associação Beneficente Muçulmana do Rio Grande do Norte. O editor responsável é o nosso Carlos Peixoto. Entre as matérias tem uma entrevista com o diretor do Centro Cultural Islâmico, da Bahia, Abdul Hammed Ahmad, onde ele fala: “No Nordeste tem muita coisa do Islam”.

Mais livros

O Sebo Vermelho lançou esta semana, na reunião SBPC, mais uma penca de livros, entre eles, uma reedição de Os Holandeses na Capitania do Rio Grande, do historiador  Olavo de Medeiros Filho, cuja primeira edição é de 1988. Destaque para a capa de Alexandre Oliveira.

Ah, que bom seria que essa garotada (os coroas também) de hoje lesse os livros de Olavo Medeiros Filho. Descobririam verdadeiros tesouros de nossa terra, mais ou menos como aqueles que os holandeses foram perquirir na Serra de João do Vale.

Magistratura

Quem anda por estas terras potiguares é o desembargador Henrique Nelson Calandra, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Veio na companhia do seu colega, Tasso Duarte Melo, natalense da gema. O desembargador Calandra está em campanha eleitoral. É candidato a presidente da Associação Nacional de Magistrados. Derna de ontem que conversa com os magistrados daqui.
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