Jornal de WM
por Woden Madruga
Esta coluna é atualizada diariamente
Mãe Dilma
Pelo que li nas folhas locais, a passagem da candidata
Dilma Rousseff pelo Alecrim só causou tumultos e mal estar. Tumulto no
trânsito já caótico do bairro que foi fechado durante 11 horas para que a
caravana pudesse passar. Um dia inteiro. O mal estar aconteceu nos
bastidores políticos por conta dessa salada indigesta que é a coligação
partidária que apoia a candidata de Lula. As gafes da ex-ministra (que
são comuns em Dilma) na omissão de alguns nomes de candidatos ao Senado e
coisas que tais dessa mesma coligação provocaram reações contrariadas
nas tribos locais. Outro aspecto anotado pelos jornais: a visível
antipatia de dona Dilma no trato com os jornalistas da província.
Nos
jornais lá de baixo que fizeram a cobertura do comício natalense da
candidata do PT, destaquei os comentários de Josias de Souza, na Folha
de S. Paulo, apesar do equívoco que cometeu quando se referiu ao nome da
praça onde aconteceu a concentração. Ao invés de Gentil Ferreira,
Josias batizou-a de Praça Getúlio Ferreira, talvez influenciado por
aquela coisa de Lula de se comparar com Getúlio Vargas, tetetei,
pôpôpô... Gentil Ferreira de Souza, por sinal, tio e pai de criação do
governador Iberê Ferreira de Souza, que estava ao lado de Dilma e
dividindo o palanque com o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, seu
adversário.
A pedidos da galera do Cova da Onça, da turma da Reta
Tabajara, das meninas do Cabaço e dos confrades de São Paulo do
Potengi, transcrevo alguns trechos dos comentários de Josias:
-
Dilma Rousseff passou a quarta-feira (28) em Natal (RN). Percorreu ruas
do centro da cidade em carro aberto, o “Dilmamóvel”. O desfile desaguou
numa praça. Do alto de um palanque, a candidata discursou para uma
multidão. A alturas tantas, declarou: “O presidente Lula me deixou um
legado [...], que é cuidar do povo brasileiro. Eu vou ser a mãe do povo
brasileiro”.
- As palavras inspiram duas suspeitas: ou Dilma
transmudou-se em Lula ou baixou na marquetagem que a escora o espírito
de Lourival Fontes.
- Lourival era o chefe do Departamento de
Imprensa e Propaganda do Estado Novo, que criou o “pai dos pobres”.
Chama-se Getúlio a praça em que Dilma discursou. Getúlio Ferreira, não o
Vargas. Lula, embora não seja Getúlio Vargas, costuma corporificar a
qualificação demagógica do velho ditador. Cogita inclusive plantar em
sua biografia uma irmã bastarda da CLT: a CLS (Consolidação das Leis
Sociais).
- Agora, mais essa: Dilma, a mãe dos pobres!. Ela
explicou as razões que a fizeram candidata do neo-Getúlio: “Eu fui a mão
esquerda e a mão direita dele, nos melhores e nos piores momentos”.
Nesse ritmo, Dilma ainda troca o terninho pelo macacão. No limite, passa
na lâmina o mínimo esquerdo.
- Sem mencionar o nome de José
Serra, Dilma disse que a oposição “mente” ao dizer que não se contrapôs a
Lula: “Somos democratas, mas nós não convivemos com aqueles que nos
atacaram por oito anos e agora vêm com pele de cordeiro. Nós vemos as
patinhas de lobo deles”.
- Falava na terra do “demo” José
Agripino Maia. E não perdeu a oportunidade de fustigar o DEM, partido
que ele lidera no Senado: “Tem uns aí dizendo que não fizeram oposição.
Não só fizeram como ela foi pessoal, raivosa contra o presidente Lula,
contra nós”.
- A certa altura, pronunciou uma frase que fez
lembrar a célebre convocatória de Fernando ‘Não me deixem só’ Collor:
“Não me deixem sozinha em Brasília. Elejam nossos senadores e deputados.
Os partidos que estão comigo nesse palanque são uma lição de maturidade
política”.
Ah, mãe Dilma!
Sim, a frase de Mãe Dilma, “Eu
vou ser a mãe do povo brasileiro”, foi escolhida como a “Frase do Dia”,
que abre o blogue de Ricardo Noblat, de O Globo.
Poesia
Anote em sua agenda: dia
25 de agosto, na Livraria Siciliano, do Miduei, com todas as luzes que
merece, haverá o lançamento de Caos do Corpo, o novo livro de poemas de
Carmem Vasconcelos.
Pesquisa
Além
do Ibope, da Datafolha e da Vox Populi, tem o Instituto de Pesquisas
da Universidade do
Méier, dirigido por Millôr Fernandes.
Destaquei do seu saite a pesquisa presidencial (“Você vota em quem?” com
este placar: “Serra, 42,09%; Marina, 31,62% e Dilma, 26,62”
E
mais esse Poeminha:
“A literatura / Que eu mais / aprecio / É a
de capa dura”
Revista
Saindo
o terceiro número da revista “Al Tawdih (O Esclarecimento)”, editada
pela Associação Beneficente Muçulmana do Rio Grande do Norte. O editor
responsável é o nosso Carlos Peixoto. Entre as matérias tem uma
entrevista com o diretor do Centro Cultural Islâmico, da Bahia, Abdul
Hammed Ahmad, onde ele fala: “No Nordeste tem muita coisa do Islam”.
Mais livros
O Sebo Vermelho
lançou esta semana, na reunião SBPC, mais uma penca de livros, entre
eles, uma reedição de Os Holandeses na Capitania do Rio Grande, do
historiador Olavo de Medeiros Filho, cuja primeira edição é de 1988.
Destaque para a capa de Alexandre Oliveira.
Ah, que bom seria que
essa garotada (os coroas também) de hoje lesse os livros de Olavo
Medeiros Filho. Descobririam verdadeiros tesouros de nossa terra, mais
ou menos como aqueles que os holandeses foram perquirir na Serra de João
do Vale.
Magistratura
Quem anda por estas terras potiguares é
o desembargador Henrique Nelson Calandra, do Tribunal de Justiça do
Estado de São Paulo. Veio na companhia do seu colega, Tasso Duarte Melo,
natalense da gema. O desembargador Calandra está em campanha eleitoral.
É candidato a presidente da Associação Nacional de Magistrados. Derna
de ontem que conversa com os magistrados daqui.