Notícia

Lula está liberado para a campanha

Publicação: 07 de Agosto de 2012 às 00:00

São Paulo (AE) - Depois de ser liberado pelos médicos até para "subir no palanque", o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve uma reunião de três horas e meia com a presidente Dilma Rousseff, ontem, em São Paulo. O encontro ocorreu no escritório da Presidência, na Avenida Paulista, mas a imprensa ficou do lado de fora. Dilma e o ex-presidente almoçaram juntos - uma bacalhoada. A assessoria da presidente informou terem sido tratados assuntos nacionais e os resultados dos exames feitos pelo ex-presidente. Não foi informado se os temas incluíram o julgamento do mensalão, já que, naquele momento, em Brasília, advogados faziam a defesa de alguns dos principais réus no processo.
DivulgaçãoArtur Katz e Roberto Kalil informam resultados dos examesArtur Katz e Roberto Kalil informam resultados dos exames

Lula saiu do Hospital Sírio Libanês, após a bateria de exames, sem falar com os jornalistas. Ele disse aos médicos que iria "comer um bacalhau com a amiga Dilma", conforme revelou o médico Roberto Kalil Filho, da equipe que atende o ex-presidente. Os exames revelaram que o paciente está bem de saúde. Ele tivera um tumor maligno diagnosticado em outubro do ano passado e passou a ser submetido a tratamento quimioterápico. Em março, havia sido anunciada a remissão completa do tumor.

O ex-presidente chegou ao hospital às 6h45 e passou por exames para detecção de eventuais tumores, ressonância e laringoscopia, além de análise de sangue. "Todos os exames mostraram-se dentro da normalidade", disse o médico do ex-presidente. Segundo ele, o inchaço que Lula apresenta no pescoço é decorrente do tratamento contra o câncer e deve desaparecer em dois ou três meses. O presidente está tomando vitamina E e um medicamento para reduzir o inchaço. "A partir de agora, o presidente está liberado para fazer o que quiser. Se quiser fazer campanha, está liberado. Ele pode sair daqui e ir para um palanque e falar 24 horas", exemplificou. Outro médico da equipe, Arthur Katz, ressalvou que a garganta de Lula ainda está um pouco irritada, "mas a voz dele está bem melhor do que no último exame".

Lula está liberado para viajar, praticar esportes e se alimentar normalmente. "Ele perguntou do churrasco dele, dissemos que está liberado. É óbvio que o bom senso recomenda que não abuse do álcool e evite o fumo", disse Katze. De acordo com os médicos, Lula ganhou de seis a sete quilos desde que terminou a fase mais crítica do tratamento, em fevereiro deste ano. Lula ainda deve voltar ao hospital em alguns meses para exames de controle, mas a data do retorno não ficou marcada.

Sem restrição

No início da tarde de ontem, a direção do hospital divulgou nota informando que "o ex-presidente da República, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, esteve hoje no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para avaliação médica previamente agendada que incluiu exame de sangue, PET-CT, ressonância nuclear magnética e laringoscopia. Todos os exames foram considerados normais. O paciente foi liberado para atividades normais, sem qualquer restrição de natureza médica".

Patrus afirma que Dilma estará na TV

Belo Horizonte (AE) - O ex-ministro Patrus Ananias, candidato à prefeitura de Belo Horizonte, afirmou que tem a palavra da presidente Dilma Rousseff de que ela participará de programas do petista para a propaganda eleitoral gratuita na TV. Patrus disputa o Executivo municipal com o atual prefeito Marcio Lacerda, que, apesar de ser do PSB, também integrante da base do governo federal, tem a campanha comandada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), possível candidato para a disputa presidencial de 2014.

Questionado sobre a possibilidade de Dilma não gravar para a campanha para evitar uma indisposição com legendas da base aliada, Patrus foi categórico. "Não estou considerando essa questão. A presidente Dilma está solidária conosco. Ela é presidente e tem a questão da agenda, (mas) eu sei que ela virá gravar para nós. Isso eu sei", garantiu. Perguntado se a presidente havia assumido esse compromisso, o petista reafirmou que "está dito. Falei isso aqui".

Em São Paulo, Dilma deve evitar participar dos programas no primeiro turno porque, além do petista Fernando Haddad, participam da disputa Celso Russomanno (PRB) e Gabriel Chalita (PMDB), que também integram o leque de apoio à presidente.

No sábado (4), Patrus, que atuou ao lado da então ministra Dilma Rousseff no ministério do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já havia adiantado que o ex-chefe também "vai gravar" programa para a propaganda eleitoral gratuita e Lula também "estará em Belo Horizonte" durante a campanha. Ontem, o ex-presidente, que passou por tratamento para curar um câncer na laringe, foi liberado pela sua equipe médica para participar de campanhas.

PSD

A candidatura de Patrus sofreu um golpe nesta sgeunda. A Justiça Eleitoral rejeitou recurso da direção nacional do PSD contra a decisão judicial que suspendeu a intervenção no diretório municipal do partido para que a legenda integrasse a coligação do petista. O mérito do recurso, segundo a assessoria do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), nem chegou a ser analisado, já que a medida pedia a revogação de liminar contrária à intervenção, mas o Judiciário já julgou o caso e confirmou a decisão.

Com isso, o PSD, que foi inscrito nos pedidos de registro das candidaturas de Patrus e de Marcio Lacerda, deve permanecer na aliança em torno do socialista. A direção nacional ainda pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - como seu presidente, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, havia prometido que faria - para tentar reverter a decisão. No mesmo horário em que a Justiça recusava o recurso, Patrus se encontrava com representantes do diretório mineiro do PSD e representantes da bancada federal mineira da legenda. "Temos o apoio efetivo dessas lideranças e aguardamos a posição do Poder Judiciário", disse o petista.

Cobertura da Globo mobiliza candidatos

São Paulo (AE) - No dia em que a TV Globo começou sua cobertura diária da campanha eleitoral, candidatos à Prefeitura de São Paulo apostaram em agendas que rendessem boas imagens para não fazer feio em frente às câmeras da maior emissora do País.

O tucano José Serra convidou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para acompanhá-lo em visita a um instituto de reabilitação no Morumbi, zona sul da capital. O petista Fernando Haddad fez uma caminhada em Cidade Tiradentes, zona leste, com direito a discurso do alto de um carro de som. Ao optarem por atos em regiões como o Morumbi, predominantemente tucano, e a zona leste, onde o PT tem mais força, os dois candidatos também tiveram o cuidado de não se afastar da segurança dos seus redutos eleitorais tradicionais. Diante das câmeras da Globo, Serra fez questão de interromper suas entrevistas sempre que a voz falhava ou algum barulho atrapalhava a gravação.