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E tudo acabou em samba

Biscoitos finos para a arquibancada

"Um dia a massa irá comer do biscoito fino que fabrico." A profecia de Oswald de Andrade se cumpriu no desfile da Estácio de Sá de 1992. Temia-se que o enredo "Paulicéia desvairada - 70 anos de Modernismo", de Mário Monteiro, sobre a Semana de Arte Moderna, fosse intelectualizado demais. Mas valeu a pena arriscar. A Estácio foi campeã (pela primeira vez), ganhou o Estandarte de Ouro de melhor escola (e em mais quatro categorias, inclusive enredo) e levantou as arquibancadas.

É verdade que o público vibrou em parte por causa do refrão fácil e marcheado "Me dê, me dá/ Me dá, me dê/ Onde você for/ Eu vou com você". Também pesou a voz forte do puxador Dominguinhos do Estácio. Mas não foi só isso. Monteiro e o figurinista Chiquinho Spinoza aproveitaram o que o Modernismo tinha de mais popular. A comissão de frente usava fantasias de arlequim e colombina, inspiradas em "Paulicéia desvairada", de Mário de Andrade. Um dos carros alegóricos representava o "Trenzinho do caipira", de Villa-Lobos, com crianças acenando das janelas. Foi uma bela celebração do homem brasileiro, que - como diz o samba de Djalma Branco, Déo, Maneco e Caruso - é "malandro, bonito, sagaz e maneiro".


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