F a s c í c u l o   1 1
A literatura olha para o interior. E descobre um país

A década de 30 foi um momento-chave de amadurecimento. O fim da República Velha e de sua política (café-com-leite) dominada pelas oligarquias de São Paulo e Minas marcou o início de uma etapa mais avançada do capitalismo nacional e teve correspondentes imediatos no campo da cultura. As experiências formais que os modernistas realizavam há uma década já não satisfaziam nem a eles mesmos. Após a divertida destruição dos excessos artificiosos do parnasianismo, a essa altura consumada, sentia-se a necessidade de construir alguma coisa. Foi quando os paulistas perderam a liderança do processo. Oswald de Andrade enveredou por uma esquemática literatura proletária e Mário de Andrade ambicionou redefinir a nacionalidade no mito de "Macunaíma". Mas o tom dominante da época seria outro: uma mistura de consciência social com o exame da herança arcaica de um país agrário. A onda regionalista em nossa literatura lançou nomes tão díspares quanto Rachel de Queirós, José Lins do Rego, Jorge Amado e Graciliano Ramos, semeadores de uma tradição em que brotaria - muitos anos depois e já em outra chave, a da mais radical experimentação lingüística - o gênio singular de Guimarães Rosa.


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