F a s c í c u l o   1 1
Da revista à chanchada, rir era o melhor negócio

Durante a ditadura populista do Estado Novo, de 1937 a 1945 (texto adiante), só comediantes e vedetes tinham licença para falar mal do Governo e escapar da cadeia. A Era Vargas coincidiu com o auge de um gênero teatral que por quase um século, de meados do XIX a meados do XX, dominou os palcos brasileiros: o teatro de revista, com sua fórmula de grande apelo popular, derivada do vaudeville francês: esquetes satirizando personalidades de destaque da vida política entremeados com números musicais em que brilhavam dançarinas de pouca roupa. É claro que, dos tempos de Artur Azevedo, quando o gênero era chamado de "revista de ano", aos de Walter Pinto, quando o cronista Stanislaw Ponte Preta inventou a expressão "teatro rebolado", muita coisa mudou - e o conceito de "pouca roupa" foi apenas uma delas. A revista chegou aos anos 40 a bordo de superproduções, mas manteve sua fórmula básica, ao mesmo tempo picante e ingênua, com um humor baseado em imitações e trocadilhos. Críticos e historiadores de arte torciam o nariz e só recentemente passaram a reconhecer "valor artístico" no gênero - a mesma rejeição sofrida pela chanchada, filhote cinematográfico da revista.


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