|
|
|
F
a s c í c u l o 1 1 Presidente que virou ditador, com a decretação, em 1937, do Estado Novo, Getúlio Vargas se sentia à vontade na platéia dos espetáculos de revista, nos quais era freqüentemente parodiado. Mas fora dos teatros jogava duro. Chefe do governo provisório em 1930, confirmado na presidência em 1934, Vargas enfrentou a polarização ideológica entre o reacionarismo dos integralistas e o radicalismo dos comunistas. Estes tentaram um golpe em 1935, a Intentona Comunista, que forneceu ao presidente a desculpa para fechar o regime. O Estado Novo foi marcado pela violenta repressão - a cargo do chefe de polícia Filinto Müller, que entregou aos nazistas a mulher do líder comunista Luís Carlos Prestes, a judia alemã Olga Benario - e pela censura do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Enquanto reprimia a atividade política e intelectual - presos políticos como o escritor Graciliano Ramos enchiam as cadeias - Vargas estimulava a industrialização, com a criação, entre outras companhias, da Companhia Siderúrgica Nacional e da Vale do Rio Doce. No campo social, concedeu vários benefícios aos trabalhadores, para os quais virou "pai dos pobres". Dividido inicialmente em relação à Segunda Guerra, aderiu tardiamente aos aliados. A contradição era óbvia: Vargas defendia a democracia no mundo, mas não em casa. O ditador tentou recuar e chegou a convocar eleições, mas era tarde. Os militares, temendo um movimento popular para mantê-lo no poder, deram um golpe e forçaram sua renúncia em outubro de 1945. |