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Chanchadas herdaram o humor e as gírias do teatro de revista

Dos palcos às salas de cinema, as atrações eram as mesmas: a sátira e o deboche, entremeados com números musicais, eram traços do teatro de revista que as chanchadas herdaram. Os maiores artistas do esculacho nas telas também trouxeram dos palcos seu jeito de falar, cheio de gírias, que os aproximava do público: Oscarito, Grande Otelo e Dercy Gonçalves, entre outros, marcaram os filmes da Cinédia e da Brasil Vita-Filmes, nos anos 30, e da Atlântida, a partir de 1941.

As chanchadas tinham uma forte influência de Hollywood: boa parte de seus títulos eram vagas paródias de sucessos americanos, como "Matar ou correr", de Carlos Manga. Para contrabalançar, havia críticas a governantes e denúncias de problemas locais. Como nas revistas, o casamento com a música foi bem-sucedido. A parceria com artistas do rádio já garantia o sucesso de chanchadas como "Alô, alô, Brasil", de 1935, e "Alô, alô, carnaval!", de 1936.

Em 1939, Getúlio Vargas sancionou a lei de proteção ao filme nacional, que tornava obrigatória a exibição de pelo menos um filme brasileiro por ano em cada cinema. O presidente Eurico Gaspar Dutra ampliou a medida, determinando em 1946 a exibição de três filmes anuais por sala. A medida deu certo. Nos anos 50, apogeu da chanchada, foram produzidos 300 títulos nacionais - inclusive alguns nada chanchadeiros, como os da Vera Cruz e os primeiros do Cinema Novo.

O sucesso industrial da chanchada foi inegável. Como observou o jornalista Ruy Castro, elas eram bem-sucedidas na missão quase impossível de tornar a produção nacional competitiva num mercado que recebia mil filmes americanos por ano. Ao charme de Hollywood, opunham o do Rio, ainda capital federal. Era pelas ruas, hotéis e bares da cidade - quase sempre recriados em estúdio - que circulavam seus heróis envolvidos com bandidos e trocas de identidade. Coincidência ou não, o gênero decaiu junto com o esvaziamento da cidade, na Era Brasília. Ficou na História, nas palavras do pesquisador de cinema Salvyano Cavalcanti de Paiva, como o supra-sumo da brasilidade. É claro que os rapazes do Cinema Novo discordavam radicalmente - mas este já é um outro filme.


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