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a s c í c u l o 1 2 Um aparelho ainda precário, quase artesanal, provocou, nos anos 30, uma mudança radical nas comunicações do Brasil, mudança que evoluiu, nas duas décadas seguintes, para uma verdadeira revolução no comportamento. O rádio, cuja primeira transmissão no país fora feita em 1922, durante as comemorações do centenário da Independência, chegara para ficar. Começou como coisa de elite - para se ouvir as transmissões, era necessário se associar às rádio-sociedades ou aos rádio-clubes, pagando uma pequena mensalidade. A programação era de "alto nível": leitura e comentários de poemas, música clássica, óperas, tudo de acordo com o fim instrutivo-cultural que um pioneiro como o educador Roquette-Pinto, criador da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fazia questão de preconizar. Esse quadro perduraria até 1932, quando Getúlio Vargas regulamentou o funcionamento das rádios, autorizando a veiculação de propaganda. O que era elitista virou popular: programas de auditório, radionovelas, concursos. O que era instrutivo se transmutou em pura diversão - e a classe pobre, carente de opções de entretenimento, se viu no paraíso. O símbolo dessa época foi a Rádio Nacional. |