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a s c í c u l o 1 2 Faltando dois anos para a Copa do Mundo de 1958, Nelson Rodrigues lançou um ultimato ao país em crônica publicada pela revista "Manchete Esportiva": "Ou expulsamos de nós a alma da derrota ou nem vale a pena competir mais. Com uma humildade assim abjeta, ninguém consegue nem atravessar a rua, sob pena de ser atropelado por uma carrocinha de Chica-bon". A essa altura o futebol já era, há gerações, nossa grande paixão nacional. Mas o Brasil não conseguia vencer uma Copa. Desde o trauma da derrota em casa para os uruguaios, na final de 1950, firmara-se a crença de que os brasileiros sabiam jogar, sim, mas faltava-lhes alguma coisa para encarar os realmente grandes: vigor físico, hombridade, saúde, inteligência, disciplina - os nomes variavam. Mas que faltava, faltava. Era evidente. Não para Nelson. Cronista que tocava as cordas mais profundas do jogo, ignorando esquemas táticos em favor da mitologia e da emoção, ele foi o maior profeta de um tempo que faria mais pela auto-estima brasileira do que o sucesso internacional da bossa nova e o desafio grandioso da construção de uma capital futurista no meio do nada: seríamos campeões mundiais! Em 58, a profecia se cumpriu. |