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a s c í c u l o 1 2 Os quatro títulos conquistados pelo Brasil em Copas do Mundo lavaram a alma do povo e passaram um verniz sobre a imagem de diferentes governos. Brasileiros, e portanto torcedores natos, os presidentes Juscelino Kubitschek, (1958), João Goulart (1962), Emilio Garrastazu Médici (1970) e Itamar Franco (1994) tiraram, todos, uma casquinha da vitória da seleção, torcendo ostensivamente ou celebrando com a população, como JK na Cinelândia. Mas foi o general Médici quem mais capitalizou politicamente a euforia popular com o êxito na Copa, que acabou por se misturar ao clima ufanista do "milagre econômico", marcado pelo slogan "Brasil, ame-o ou deixe-o". Líder de um governo que devia sua popularidade a um misto de censura e boom de consumo da classe média, num momento em que a guerrilha urbana atingia seu ponto mais dramático, o ditador se meteu nos assuntos da seleção desde a fase de preparação - teria sido ele a "sugerir" a convocação do centroavante Dario. Foi uma aposta. Se a seleção tivesse perdido a Copa do México, é provável que parte da culpa respingasse nele. Mas veio a vitória e o general viu 70 mil pessoas se aglomerarem em frente ao Palácio do Planalto. A festa era para os jogadores, mas Médici foi ovacionado. Tinha acertado até o placar da final: Brasil 4 x 1 Itália. Em seu discurso, enalteceu o puro "sentimento patriótico" da festa. Em outras palavras: quem estivesse contra o Governo, estava contra a seleção também. |