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a s c í c u l o 1 2 Dois ídolos do futebol, dois destinos completamente diferentes. Pelé, o maior jogador da história, eleito "atleta do século" pelo jornal francês "L’Équipe", se despediu do futebol no auge da carreira, virou empresário e é hoje um dos rostos mais conhecidos em todo o mundo. Já Garrincha, que brincava com a bola e chamava seus adversários de joões, não resistiu ao fim da carreira e entrou numa decadência regada a álcool e esquecimento. Morreu em 1983, doente, na miséria e bem distante do apelido que o tornou famoso: "Alegria do povo". Mineiro de Três Corações, Pelé nasceu em 1940 e, aos 17 anos, conquistou seu primeiro título mundial, deslumbrando os europeus. Foi o único jogador a conquistar três copas mundiais e o que fez mais gols na história: 1.284, a maioria marcada com a camisa do Santos, que ele vestiu durante 18 anos. De 1975 a 1977, jogou no Cosmos, de Nova York, e ajudou a popularizar o esporte entre os americanos - uma tarefa tão ou mais difícil do que o gol de placa que fez no Maracanã, em 1961, driblando sete jogadores do Fluminense. Depois de se contundir logo no início da Copa de 62 e de ser caçado na de 66, Pelé atingiu o auge de sua maturidade na Copa de 70, no México, com jogadas que até hoje são lembradas, como o chute do meio de campo que por um triz não entrou no gol tcheco. Para o jornalista Armando Nogueira, que acompanhou toda a sua carreira, "se Pelé não tivesse nascido homem, teria nascido bola". Enquanto o moleque Pelé dava chapeuzinhos na defesa sueca, em 1958, o gênio de pernas tortas Manuel Francisco dos Santos promovia alguns nós nas cinturas de seus marcadores. Sua primeira jogada na Copa desmontou o esquema matemático da defesa russa e explodiu numa bola na trave do famoso goleiro Yashin. Depois de 58, Garrincha, nascido em Pau Grande, distrito de Magé (RJ), em 1933, seria o grande nome da Copa de 62, após a contusão de Pelé, e acompanharia a trajetória melancólica da seleção, em 66, na Inglaterra. Jogou a maior parte do tempo no Botafogo (1953-66), período de maior glória para o jogador, mas de grande sofrimento para seus joelhos, vítimas de bordoadas e infiltrações. Depois, passaria por Corinthians, Flamengo, Olaria e Bangu, e faria um jogo de despedida da seleção em 1973 para um Maracanã lotado. O dinheiro foi todo para Garrincha, que o gastou em menos de um ano. Seu último e melancólico jogo ocorreu em 1982, em Planaltina (DF), num amistoso para 1.500 pessoas. O Charles Chaplin do futebol, pai de 12 filhos reconhecidos, já estava no fundo do poço. Logo após sua morte, o poeta e admirador Carlos Drummond escreveu: "O pior é que as tristezas voltam e não há outro Garrincha disponível". |