F a s c í c u l o   1 2
E tudo acabou em samba

O futebol muito além dos clichês

Tinha tudo para virar propaganda de cachaça. Um enredo sobre futebol dificilmente iria além do clichê de que a bola e a batucada são coisas nossas, assim como a caipirinha etc. Seria assim se o carnavalesco não fosse Joãosinho Trinta; o figurinista, Viriato Ferreira; o mestre de bateria, Pelé (não o jogador); e o puxador, Neguinho. Com esse timaço, a Beija-Flor contou em 1986 ("O mundo é uma bola") a história do esporte mais popular do planeta.

O abre-alas trazia uma bem-acabada bola de futebol como o globo terrestre. Um carro lembrava que o Sol e a Lua são redondos, tendo provavelmente inspirado a criação das primeiras bolas, e que povos antigos batiam pelada com cabeças de inimigos derrotados. Vitrais em estilo art noveau representaram a época (1894) em que o inglês Charles Miller introduziu o esporte no Brasil. Os grandes clubes cariocas ganharam alegorias com o símbolo (oficial ou não) de cada um.

A chuva quase estragou tudo, mas acabou chamando a escola aos brios. Mesmo com água pelo joelho, os componentes deram uma aula de evolução e harmonia. Quem estragou a festa foi o júri. Apontada como favorita e ganhadora do Estandarte de Ouro de melhor escola, a Beija-Flor foi apenas vice-campeã.


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