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a s c í c u l o 1 3 Foi nos anos JK que o Brasil quase deixou de ser o eterno país do futuro. O otimismo desenfreado marcou aquele período de 1956 a 1960, sob o lema "50 anos em 5", que resumia o ousado Plano de Metas do Governo Juscelino Kubitschek. O esporte, com títulos como a Copa de 58, e a cultura, em busca de propostas originais, entre elas a bossa nova, contribuíram, ainda que involuntariamente, para esse estado de ufanismo. No final do governo, com o endividamento externo cobrando o seu preço em forma de alta da inflação, o otimismo já tinha diminuído, mas deixaria uma marca eterna de sua passagem: Brasília, a nova capital federal, construída no ermo Planalto Central. Esse "breve hiato de plenitude democrática espremido entre ditaduras, renúncias e golpes de estado", na definição do jornalista Tárik de Souza, seria marcado por um grande desenvolvimento econômico, traduzido na implantação de indústrias de base e de bens de consumo duráveis, como automóveis e eletrodomésticos, nos investimentos em energia e na construção de estradas, como a Belém-Brasília. A alegria das donas de casa, no entanto, foi comprada com muito dinheiro de fora e o aval do FMI, que iniciava sua participação na vida brasileira. Esse nacionalismo contraditório, baseado em investimentos externos e no apoio às multinacionais, foi sustentado à base da articulação de diferentes tendências políticas e do apoio das Forças Armadas. O símbolo que tornou o projeto econômico de JK "imediatamente compreensível" para o povo, segundo o brasilianista Thomas Skidmore, foi a construção de Brasília. A mudança da capital para um cafundó tinha defensores tão antigos quanto José Bonifácio, mas o projeto era sempre abandonado: além de muito caro, era considerado utópico. Juscelino tornou o sonho viável. Com os projetos urbanístico de Lúcio Costa e arquitetônico de Oscar Niemeyer, a construção da nova capital mobilizou brasileiros de todas as classes e regiões, que viam na empreitada o sinal de novos tempos para o país. Para entender a grandiosidade do projeto, visto pela oposição como um símbolo de desperdício de verbas públicas, vale destacar alguns versos de Vinicius de Moraes para a música de Tom Jobim "Brasília, sinfonia da alvorada", em homenagem aos "candangos", como eram chamados os trabalhadores que construíram a capital: "(...) foram chegando de todos os lados da imensa pátria/ para construir uma cidade branca e pura/ uma cidade de homens felizes". A inauguração foi em 21 de abril de 1960, no último ano do governo JK. Além de realizar a façanha (na época) de começar e terminar um governo democraticamente eleito, Juscelino contou com a sorte. O orgulho nacional se expandia para terrenos muito além da política. Foram tempos de ouro para o esporte brasileiro, e não apenas no futebol. Em 1959 e 1960, a tenista Maria Esther Bueno conquistou o bicampeonato, em Wimbledon, enquanto Adhemar Ferreira da Silva também era bi no salto em distância, na Olimpíada de 1956. O basquete ganhou seu primeiro título mundial em 1959 e o pugilista Éder Jofre sagrou-se o melhor do mundo na categoria galo em 1960. No governo de um presidente que adorava serestas, as novas propostas culturais - embora não necessariamente populares - aproveitaram os ares de liberdade e ousaram, lançando estilos originais como a bossa nova, o Cinema Novo e a poesia concreta. A última, representada principalmente por Décio Pignatari e pelos irmãos Augusto e Haroldo de Campos e apostando radicalmente na integração entre texto e imagem, influenciaria movimentos como o Tropicalismo, dez anos depois. |