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Cinema Novo leva o povo ao cinema (mas só na tela)

Foi nos otimistas anos JK, no final da década de 50, que uma turma de jovens começou a se articular para criar um "cinema sério" num país que ainda tinha Oscarito como ídolo nacional. A chanchada, uma versão avacalhada de Hollywood, era um gênero em decadência. Vindo na mão inversa das grandes produções da Atlântida surgiram Glauber Rocha e outros aspirantes, que não viam razão para tanto riso e voltavam suas câmeras para um Brasil quase ignorado nas telas: o país do sertão e da periferia das grandes cidades, marcado por miséria e violência. A geração do Cinema Novo era antenada com idéias marxistas, gostava do neo-realismo italiano, acompanhava os primeiros passos da Nouvelle Vague francesa e não se importava com o bom acabamento técnico do cinema americano - até porque o dinheiro era muito escasso. O único movimento programático da sétima arte no Brasil, surgido como uma clara dissonância política ao ufanismo dos anos JK, amadureceria, nos anos 60, sob a ditadura militar, cada vez mais na oposição, até se diluir em carreiras individuais e divergentes na década de 70. Morreu sem resolver sua contradição básica: falava sobre o povo, mas nunca teve apelo popular.


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