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E tudo acabou em samba

Pobreza das telas invade a Sapucaí A estética do Cinema Novo nunca foi lá muito muito carnavalesca. Os sambistas até têm frases correspondentes a "uma idéia na cabeça e uma câmera na mão": Fernando Pamplona já disse que "tem que se tirar da cabeça o que não se tem no bolso" e Joãosinho Trinta se cansa de repetir que "vende gato por lebre" ao usar materiais baratos. Mas se a escassez de recursos é a mesma, o objetivo é diferente: na avenida, a idéia sempre foi esconder a pobreza, e não destacá-la.

No caso da Lins Imperial, uma escola do Segundo Grupo, em 1983, não houve como disfarçar. Mas o homenageado certamente não se importaria: o enredo "Glauber presente" foi narrado com alegorias e fantasias pobres e um samba cadenciado lembrando seus principais filmes. Talvez o cineasta, que morrera dois anos antes, em 1981, se identificasse com a cena: o sol forte sobre a Marquês de Sapucaí na manhã de terça-feira castigava a arquibancada vazia - naquele ano, quase ninguém foi ao desfile do Segundo Grupo. As grandes escolas tinham desfilado no domingo e o clima era melancólico, de fim de festa. Pela importância de sua obra, Glauber merecia mais. Pelo menos, havia algo em comum com a aridez de "Deus e o diabo na terra do sol".


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