|
|
|
F
a s c í c u l o 1 4 Se quem canta seus males espanta, como diz o provérbio, havia razões de sobra para se soltar a voz no Brasil do fim dos anos 60. O clima otimista que embalara a bossa nova, dez anos antes, dera lugar à dura realidade do regime militar. Enquanto a repressão e a censura promoviam seu cerco sobre a vida intelectual, um punhado de jovens, a grande maioria do meio universitário, desafiava o obscurantismo, compondo e cantando febrilmente naquele que se revelaria o período mais efervescente, criativo e eclético da música brasileira. Era a época dos festivais, do Tropicalismo e da Jovem Guarda. Respirava-se música. O programa era ir a festivais onde Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Milton Nascimento despontavam para o sucesso. Ou assistir, na TV, às apresentações de Roberto e Erasmo Carlos, líderes da Jovem Guarda, considerada alienada pelos universitários que fariam de "Pra não dizer que não falei de flores", na voz de Geraldo Vandré, o hino oficioso do Brasil. No entanto, mesmo os que vaiaram as guitarras em nome do nacionalismo acabariam por reconhecer: na geléia geral da MPB, incubada naqueles férteis anos, caberiam mais tarde as mais diversas tendências musicais. |