F a s c í c u l o   1 4
E tudo acabou em samba

Avenida vê a TV, mas falta o final feliz

Só faltou um final feliz. Em 1992, a Beija-Flor de Nilópolis até que encontrou boas soluções para falar de TV e de novela. Mas o resultado não foi dos melhores: "Um ponto de luz na imensidão" ficou em sétimo lugar. E com justiça, já que houve desfiles melhores naquele ano. As alegorias e fantasias estavam pesadas, o samba era fraco e a evolução, muito acelerada. Mas algumas cenas foram inesquecíveis. Joãosinho Trinta parecia um craque decadente, fora de forma mas ainda capaz de jogadas geniais.

Foi assim no abre-alas, uma enorme caixa vazada com esferas prateadas representando pontos de luz e aparelhos de TV (de verdade) transmitindo o próprio desfile, com imagens feitas por cinegrafistas em gruas acopladas à alegoria. Foi a metalinguagem no carnaval.

Também digna de Joãosinho foi a representação da novela "O sheik de Agadir", de 1966. As fantasias e alegorias tinham os desenhos convencionais do estilo "mil e uma noites", mas dourado e vermelho davam lugar a preto e prateado: a novela foi ao ar antes da TV em cores.

Foi o último carnaval de Joãosinho na Beija-Flor. Ele deixou a escola depois de um casamento de 17 anos e cinco vitórias. Janete Clair jamais assinaria embaixo desse final.


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