F a s c í c u l o   2
Para francês ver e aplaudir

Na mão inversa da colonização, o Velho Mundo teve a oportunidade de receber e admirar alguns exemplares daquele exótico povo das terras de além-mar. A expedição de Cabral não levou nenhum nativo brasileiro para Portugal, mas muitos outros navegadores trataram de carregar índios para seus países.

Um caso especial foi o do jovem Essomericq, que viajou para a França, em 1504, com o consentimento do pai, o cacique Arosca. Os termos impostos pelo líder indígena ao capitão francês Binot Paulmier de Gonneville — que Essomericq aprendesse a fabricar canhões e voltasse depois de 20 luas — não foram cumpridos. O jovem brasileiro acabou se casando com uma filha de Gonneville, com quem teve herdeiros. Arosca e seus sonhos de autonomia bélica ficaram a ver navios.

Durante a viagem, morreu o acompanhante de Essomericq, o índio Namoa, vítima de escorbuto, que matou também três tripulantes do navio. Essomericq sobreviveu à grave enfermidade de-pois de ser batizado a bordo.

Pouco tempo depois tornou-se freqüente a ida de indígenas para a França, a maior parte destinada à exibição pública, como num museu vivo. Mas nada se comparou à famosa festa brasileira oferecida em 1550 ao rei da França, Henrique II, em Rouen. Às margens do Rio Sena, 300 pessoas, entre elas cerca de 50 índios, fizeram um show histórico. Enquanto os nativos representavam a si próprios, os demais ajudavam a compor as cenas. No gran finale, simulavam um combate cruento entre tabajaras e tupinambás.

A lista de convidados ilustres incluía a rainha da Escócia, Mary Stuart, e os embaixadores de Portugal, Espanha, Inglaterra e Veneza, além de arcebispos. Apertados em seus veludos e brocados, nobres e autoridades eclesiásticas aplaudiram com entusiasmo o espetáculo daquela gente nua. Très éxotique.


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