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Os herdeiros dos quilombos

Quem acredita que a história dos quilombos chegou ao fim com a abolição do trabalho escravo, em 1888, engana-se. Os quilombos continuaram proliferando e, hoje, 111 anos após o fim da escravidão, centenas de comunidades negras descendentes destes refugiados ainda vivem no Brasil, muitas isoladas do mundo. Na teoria, a Constituição as protege, mas na prática suas terras são cobiçadas por mineradoras, fazendeiros e madeireiras, como ocorre na bacia do Rio Trombetas, no Pará.

Segundo a Fundação Palmares, do Ministério da Cultura, sobrevivem mais de 500 comunidades, como as de Mucambo, no Sergipe, Cafundó, em São Paulo, e Calunga, em Goiás - esta com título de sítio histórico desde 1991. A maioria dos moradores subsiste da agricultura, caça e pesca. Nas casas de pau-a-pique, é raro haver televisor ou rádio.

Os atuais quilombolas já não falam a língua de seus antepassados, mas preservam algumas tradições, sobretudo religiosas. No entanto, não têm muitas referências históricas, como ressalta o sociólogo Clóvis Moura, autor de vários livros sobre a condição negra: "Muitos nem sabem que houve escravidão".


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