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a s c í c u l o 9 O Brasil da segunda metade do século XIX era palco de mudanças radicais. A aristocracia monárquica perdia espaço para a burguesia industrial e comercial: caminhava-se para o fim da escravidão e para a República (texto e notas adiante). Mas talvez nenhum outro salto de qualidade tenha sido mais espantoso que o da literatura. Os escritores românticos vinham preparando há décadas o terreno que seria herdado pelos realistas, com seu foco na realidade nua. Contudo, o grande nome do período, responsável praticamente solitário pela inesperada explosão de criatividade e espírito crítico que marcariam a autonomia das letras nacionais, é tão difícil de encaixar entre os românticos como entre os realistas. Seu nome: Joaquim Maria Machado de Assis, o grande gênio da literatura brasileira em todos os tempos. Nascido pobre, mulato, gago e epilético, Machado é um caso espantoso de superação de adversidades - a mesma, aliás, que um país semiletrado e periférico buscava, com menor sucesso, realizar. E que um outro gênio, este na música, concorreria para tornar viável: com a estréia da ópera "O guarani", na Itália, Carlos Gomes iniciava a conquista das platéias do mundo todo. |