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a s c í c u l o 1 2 - D o i s G
o v e r n o s P o p u l a r e s Oposições Vitoriosas nos Anos 60 Nos anos 60, o Brasil, passava por uma série crise política, agravada pelo conflito ideológico esquerda versus direita, com radicalismo de ambas as partes. Dentro desse contexto, se destacava o antagonismo entre as forças nacionais ("comunistas") e as forças conservadoras ("entreguistas"), com a participação ativa de políticos operários e estudantes. Como conseqüência da crise que abalava o País. Quadros renunciou, entregando o cargo de presidente da República a João Goulart, em agosto de 1961. Goulart, em agosto de 1961. Goulart tomou posse em 7 de setembro e governou, em regime parlamentarista, até ser deposto pelo golpe militar em 1964. As constantes crises políticas vividas pelo País refletiam e deixavam profundas marcas na região nordestina. Apesar do crescimento de sua produção industrial, a participação do Nordeste no produto total do País caía para 15,5% ! Índice menor do que o de outras regiões. Como conseqüência do processo de industrialização, cresceram os centros urbanos, e, ao mesmo tempo, aumentava o êxodo rural, com o deslocamento de grande número de famílias para as grandes cidades. Um dos fatores que contribuíram para o êxito do populismo no Rio Grande do Norte foi a atuação da Igreja Católica, com a instalação dos sindicatos rurais e com o Movimento de Educação de Base. As campanhas de educação popular contribuíram também para acelerar o processo de politização das camadas mais humildes. Exemplos: a "Campanha de Pé no Chão Também se Aprende a Ler", em Natal, e ao Movimento de Cultura Popular" em Recife, ambas em 1960. Foi sobretudo no processo político que o descontentamento popular se refletiu no Nordeste, com grandes vitórias conquistadas pela oposição durante o período compreendido entre 1956 a 1962. No Rio Grande do Norte, em 1960, Aluízio Alves se elegeu governador e, no mesmo ano, Djalma Maranhão chegou à prefeitura de Natal, também pela oposição. A campanha política de 1960 se desenrolou num clima de muita agitação. O governo Dinarte Maris deixou um testamento político que desorganizou, completamente, as finanças do Estado. O povo norte-rio-grandense estava asfixiado, aspirava por se livrar daquela situação, recebendo com entusiasmo a mensagem oposicionistas que prometia reformular os processos administrativos, dinamizar a administração pública e criar as condições básicas para iniciar a industrialização, começando, dessa maneira, o desenvolvimento do Estado. Essa proposta de governo era defendida por um jovem e dinâmico político: Aluízio Alves . Uma vez candidato, rapidamente assumiu a liderança do seu grupo, organizando uma coligação partidária com a denominação de "Cruzada da Esperança", formada pelo PSD, PTB, PCB, PRP, PTN e dissidentes da UDN. Para vice-governador foi indicado o monsenhor Walfredo Gurgel, uma das mais expressivas lideranças do PSD seridoense. Para a prefeitura da Cidade do Natal, dois líderes representantes da esquerda: Djalma Maranhão, para titular, e Luiz Gonzaga, para vice-prefeito. A nível nacional, a Cruzada da Esperança dividia-se. PSD, PTB e PTN apoiavam o marechal Lott para presidente da República, um homem honesto, nacionalista, porém, sem nenhuma aptidão política. Aluízio Alves e a dissidência da UDN apoiavam Jânio Quadros. Para vice-presidente, os candidatos eram João Goulart, com apoio do PSD, PTB e PTN, e Milton Campos, apoiado por Aluízio. Djalma Maranhão, um homem da classe média sem nenhuma ligação com qualquer grupo econômico forte, de mãos limpas, partiu para a sua campanha com muita garra. Sua atuação vai se caracterizar, principalmente, por dois aspectos. Primeiro, um caráter nitidamente ideológico. Nacionalista, desencadeava uma luta aberta contra o imperialismo. Segundo, a participação direta e espontânea do povo, em seus segmentos mais pobres. Dentro dessa linha de ação, foram criados os Comitês Nacionalistas, cuja importância foi salientada por Moacyr de Góes: "a organização da campanha se fez em função dos Comitês Nacionalistas. A mobilização origina-se do Comitê, para o Comitê e pelo Comitê. Entre janeiro e fins de setembro, foram organizados e funcionaram 240 Comitês Nacionalistas também conhecidos como Comitês Populares ou Comitês de Rua. Esse número ganha maior expressão quando situado numa cidade de 160 mil habitantes, à época, tendo tido um comparecimento eleitoral de pouco mais de 36 mil votantes". A mobilização foi, portanto, muito grande. Crescia de importância porque não se fazia apenas a exaltação da personalidade do candidato Djalma Maranhão, mas ao mesmo tempo eram discutidos temas locais, regionais e nacionais. Paralelamente à campanha política propriamente dita, se realizava também um verdadeiro trabalho de politização das massas. Claro, uma vez politizado, o eleitor se integrava na luta nacionalista e antimperialista. A sua campanha fugia, e muito, das tradicionais campanhas políticas, cuja base era o ataque pessoal, tão comum no Rio Grande do Norte e no restante do Brasil. A campanha de Aluízio Alves foi radicalmente diversa da realizada por Djalma Maranhão quanto à metodologia de ação empregada. Bem mais sofisticada. Utilizando inclusive uma empresa publicitária. Empregando, de maneira racional e inteligente, os meios de comunicação de massa (rádio e jornal). Usando slogans, como "Fome ou Libertação?". "mendicância ou trabalho?", ou ainda "Miséria ou Industrialização?", colocava diante do eleitor o caos em que se encontrava o Estado, sugerindo uma mudança radical através da vitória da oposição. Esse triunfo marcaria o início de um processo de desenvolvimento no Estado do Rio Grande do Norte. A "Tribuna do Norte", jornal de Aluízio Alves, produzia cerca de 5 mil exemplares diários, uma tiragem, bem maior do que "A Folha da Tarde", de Djalma Maranhão. Como disse Agnelo Alves, irmão de Aluízio Alves, e também jornalista, "foi o jornal que sedimentou a imagem de Aluízio, levando diariamente, durante dez anos, seu nome a todo o Estado". A 'Tribuna do Norte' serviu para influenciar determinados segmentos da sociedade, como intelectuais, estudantes e grande parte do funcionalismo público federal, estadual e municipal. Contribuiu igualmente para a tomada de decisão de muitos indecisos. Com suas manchetes, notícias, fotos e editoriais, traçava um quadro inteiramente favorável aos candidatos da Cruzada da Esperança. A situação caótica em que se encontrava o Estado foi uma importante causa da vitória desta coligação partidária. A liderança carismática de Aluízio Alves empolgou o povo. Ciente de seu magnetismo pessoal, ele procurava por todos os meios manter o contato direto e pessoal com os eleitores. O seus comícios e as suas passeatas impressionavam pelo número de participantes e pelo entusiasmo. Velhos, moços, crianças, mulheres de todas as idades, agitando nas mãos bandeiras e ramos verdes, cantando as músicas da campanha e gritando "Aluízio, Aluízio, Aluízio". Um espetáculo nunca visto no Rio Grande do Norte, suplantando, portanto, a campanha de José da Penha, o primeiro líder popular da história política do Estado. Enfim, Aluízio Alves aparecia como um "homem comum", simples, pobre, de resistência física extraordinária, passando noites inteiras acordado, em virtude de vigílias, lutando e sofrendo sempre ao lado do povo. Nesse aspecto, certamente, se aproximavam os dois líderes populistas: Djalma Maranhão e Aluízio Alves. Ambos se apresentavam como pessoas pobres, da classe média, sem dinheiro, lutando contra a máquina lubrificada, manipulada pelos poderosos. Havia, entretanto, uma grande diferença com relação ao posicionamento ideológico. Um da esquerda, o outro do centro. Para Djalma Maranhão, "o nacionalismo é ainda um movimento, uma revolução em marcha, para se transformar, no futuro, no mais poderoso partido de toda a História do Brasil". Aluízio Alves definia o seu nacionalismo de outra maneira: "o nosso nacionalismo é, por isso, pragmático, e se despe de qualquer sentido ideológico de classe. Ele assenta no esforço capitalista, o esforço público, no esforço misto. Os seus dois objetivos são: primeiro, entregar a instrumentos brasileiros que representam a iniciativa privada e pública o comando da economia, estabelecendo mecanismo através do qual o enriquecimento nacional não se acumula nas mãos de poucos e antes alcance seu legítimo usufrutuário, que é o povo; segundo, criar no Nordeste parcela significativa e ponderável de um grande mercado interno que funcione para si e apenas secundariamente para o mercado externo". "Tal nacionalismo não é anti coisa alguma. Nem anticapitalista nem antisocialista. Ele se situa fora da área do debate ideológico para inserir-se corretamente na área em que o nacionalismo deve, por natureza colocar-se para colher o apoio de toda a Nação".
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