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o u c o M a i s S o b r e C u
l t u r a Riqueza Intelectual Norte-rio-grandense No governo do monsenhor Walfredo Gurgel, a Fundação José Augusto promoveu o "Prêmio Nacional Luís da Câmara Cascudo", cujo vencedor, foi o escritor Américo De Oliveira Costa (profundo conhecedor da literatura francesa), com o trabalho "Viagem ao Universo de Câmara Cascudo", que foi editado pela própria FGA, em 1969, na gestão de Hilma Melo. No final dos anos 60 surgiu um movimento literário, provocando um impacto no Rio Grande do Norte e também no Brasil: o lançamento simultâneo em Natal e no Rio de Janeiro do Poema/Processo. Segundo Álvaro de Sá, "o Poema/ Processou criou muito e radicalmente". Por essa razão, entrou em conflito com a tradição, cometendo algumas injustiças. Moacyr Cirne, um dos fundadores do movimento, reconhece que "não soubemos enfrentar a questão cascudeana". Mas o inimigo não seria Cascudo e sim "toda uma estrutura política, econômica e ideológica conservadora, reacionária, castradora". O movimento encontrou, na realidade, uma resistência muito forte, Nei Leandro de Castro chegou a dizer, num grande desabafo, que "o poema/processo me faz passar oito ou dez anos sem escrever poesia, pode desencanto, por desalento". Nei Leandro de Castro foi premiado em 1996, pela revista Playboy, com o conto "Nossa semelhança com os deuses". É também romancista, escreveu o livro "Ojuara" (As Pelejas de Ojuara). Entre os poetas ,que se destacaram na vida literária potiguar e que faleceram numa época não muito distante, podem ser citados: - Myriam Coeli, natural de Manaus, porém, norte-rio-grandense de São José de Mipibu por opção. Segundo Carlos Guimarães, a poetisa conseguiu fazer a "interação exata entre a idéia e a forma". Seu livro de estréia, "Imagem Virtual" (1961), foi escrito em parceria com seu marido, Celso da Silveira que, como ela, também fazia versos, além de atuar como jornalista. Outros trabalhos de Myriam Coeli são "Vivência sobre Vivência" e "Cantigas de Amigos" (1980). - Zila da Costa Mamede, nasceu na vizinha Paraíba, em Nova Palmeira, vindo para Natal no ano de 1935. Seu primeiro livro, "Rosa de Pedra", é de 1953. Publicou, ainda, "Salinas" (1958), "Navegos" (1978) etc. Assim Zila Mamede cantou a rua Trairi, onde morou: "Meu
chão se muda em novos alicerces, Ex-diretora da Biblioteca Central da UFRN, Zila Mamede escreveu "Luís da Câmara Cascudo: 50 anos de vida intelectual - 1918 a 1968", pela Fundação José Augusto, 1970. - Esmeraldo Siqueira foi, como disse Romulo Wanderley, um "crítico, ora impiedoso, ora humano, poeta de profunda sensibilidade e apurado gosto na forma de seus versos". Entre outros livros, escreveu "Caminhos Sonoros" (1950) e "Poemas" (1950). Nos dias atuais um novo livro: "poço, festim, mosaico". - Outro poetisa de grande força é Diva Cunha, autora de obras como "Canto de Página" (1986), onde diz: "desta
janela Falando sobre a poetisa, disse Vicente Serejo: "Diva, que tem nas mãos os grãos da poesia, plantados no tempo e germinando nos invernos da alma". - Paulo de Tarso Correia de Melo é um autor premiado. Recebeu em 1991 dois prêmios: Prêmio Estadual de Poesia Auta de Souza, com "Natal: secreta biografia" e o Prêmio Municipal de poesia Othoniel Menezes, com a publicação do livro "Folhetim Cordial da Guerra em Natal e Cordial Folhetim da Guerra em Parnamirim". Em sua poesia, sem qualquer vislumbre de pedantismo, transparece a marca da sólida formação acadêmica de que é portador. Daí a propriedade da apreciação: "A poesia de Paulo de Tarso foi caracterizada como sendo intencionalmente textual e oralizante, marcada pela tentativa de integração do ancestral ao regional e pelo aproveitamento do falar cotidiano". - Luís Carlos Guimarães escreveu sete livros, entre os quais podem ser citados: "O Aprendiz e a canção" (1961), "O sal da palavra" (1961) e o último, "O fruto maduro", quando segundo Hildeberto Barbosa Filho, "como que se refaz e se repensa no âmbito mesmo da sua particular textualidade". Na "Elegia para Zila Mamede", ele presta uma homenagem à sua amiga: "Sabias
que morrerias no mar A poesia visual continua seu caminhar, através dos trabalhos de Jota Medeiros, Anchieta Fernandes, Franklin Capistrano, além de outros. Ao contrário do que muita gente imagina, o Rio Grande do Norte teve e tem ficcionistas, como, por exemplo Antônio José de Melo e Souza, mais conhecido pelo seu pseudônimo Polycarpo Feitosa. Como intelectual, ele foi escritor, jornalista, poeta, historiador, contista e romancista. A sua atuação maior, contudo, foi como contista e romancista. Alguns de seus livros: "Flor do Sertão" (1928), "Gizinha" (1930) e "Alma Bravia" (1934). Eulício Farias de Lacerda, paraibano, fixou residência em Natal desde 1952. Escreveu contos e romances: "O Rio da Noite Verde" (Prêmio Câmara Cascudo, 1972, editado em 1973), "As Filhas do Arco-Íris" (1980) e "Os desertados da chuva" (1981) são marco de sua carreira de escritor. Newton Navarro, além de ser artista plástico de grande talento e poeta, escreveu um livro de contos, "O Solitário Vento do Verão" (1961), e um de crônicas, "Do outro lado do rio, entre os morros". Manoel Onofre Júnior, contista e autor de diversos livros: "Serra Nova" (1964), "Chão dos Simples" (1985), "A Primeira Feira de José" (1973). Escreveu, também, "Estudos Norte-Riograndenses" (1978). Falando sobre o autor, disse Edgar Barbosa: "Pessoas, paisagens, costumes, as coisas que você guardou além do tempo e da distância, saem do espaço físico para o mundo colorido da verdade: a literatura não ordena mais do que isso ao verdadeiro escritor. Assim, você vem construindo uma "saga" na melhor concepção que lhe imprimiram Guimarães Rosa e Mário Palmério". Alberto Pinheiro de Medeiros, "Destaque Especial", no VII Concurso Nacional de Contos (1995), com a 'Missa no Santuário da Virgem Maria", obra publicada na antologia "Contos do Brasil Contemporâneo", no vol. XXI. 1995. O seu último trabalho premiado foi o conto "Matar o presidente?", publicado na antologia "Contos do Brasil Contemporâneo", vol. XXIII, 1997. Recebeu, nesse ano, a láurea "Stella Brasiliense", indicado pelo Conselho Editorial na revista Brasília. É verbete da Enciclopédia da Literatura Brasileira Contemporânea", vol. VI, 1995, Rio de Janeiro, organizada pelo jornalista e escritor Reis de Souza. José Melquíades de Marcelo escreveu o romance "Juca Porfiro" (1997) além de biografias, como a do "Padre Francisco de Brito Guerra, um senador do Império" (1968). Após curso de especialização em Literatura e Lingüística, nos Estados Unidos, a Mulher e o Cachorro" (1960). Para Veríssimo de Melo, o autor é "um homem de cultura clássica, lúcido e de ágil inteligência". Iaperi Araújo, autor do livro "Canções da Terra" (1965), quando reuniu cerca de dez contos, prestando homenagem aos "homens que lutam na gleba queimada, para toda uma população, fixa na terra, amando o amargo chão, que o sol crêma com violência". Além de Newton Navarro e Iaperi Araújo, outros nomes surgiram no mundo das artes plásticas: Dorian Gray Caldas, Tomé Filgueira, Túlio Fernandes, Carlos José, Socorro Trindade, Maria Márcia de Medeiros Dantas e Márcia Tresse. No campo da História, desaparecidos grandes pesquisadores, como Vicente Lemos, Tavares de Lyra, Câmara Cascudo, Hélio Galvão, continuam produzindo Tarcísio Medeiros ("Proto História do Rio Grande do Norte" - 1985), Olavo de Medeiros Filho ("Aconteceu na Capitania do Rio Grande" - 1997), João Wilson Mendes Melo (Introdução ao Estudo da História"1984), Hélio Dantas ("José Pacheco Dantas" - 1978), Cláudio Pinto Galvão ("Osvaldo de Souza, o canto do Nordeste" - 1988), todos do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Um núcleo sólido de pesquisadores surgiu no Departamento de História da UFRN. A pesquisa foi incentivada, sobretudo, a partir da fundação de uma revista, "História UFRN", em 1987, quando o Curso de História comemorava trinta anos de existência. Faziam parte desse grupo, Denine Monteiro Takeya ("Um Outro Nordeste, o algodão na economia do Rio Grande do Norte" - 1985), Sebastião Fernandes Gurgel Filho (Ensaios Literários e Políticos"- 1988), Zélia Pinheiro de Medeiros (co-autora de "Roteiro para o Estudo da História do Rio Grande do Norte" - S/data), Geraldo Batista ("Moleque de Acari" - 1993), Marlene da Silva Mariz ("A Revolução de 1930 no Rio Grande do Norte, 1930 - 1934" - 1984), Clyde Smith Júnior ("Trampolim para Vitória" - 1993) etc. A verdade é que a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, nas diversas áreas de atuação, tem contribuído para o desenvolvimento sócio-cultural-científico e econômico do Estado. O seu atual reitor é o professor Ivonildo Rego. Recentemente foi inaugurada, em Natal, a Universidade Potiguar, com impressionante crescimento, desfrutando de grande credibilidade na sociedade norte-rio-grandense. O seu primeiro e atual reitor é o professor Mizael Araújo Barreto. No último vestibular, realizado em novembro de 1997, aprovou cerca de 2.250 candidatos. Nas artes cênicas, Jesiel Figueiredo procurou soerguer o teatro, encenando peças infantis e dramas clássicos, obtendo grande sucesso. Chegou, inclusive, a fazer funcionar um teatro, no bairro do Alecrim, com o seu nome. Na atualidade, um dramaturgo ganhou importância: Racine Santos. O bailarino e coreógrafo Roosevelte Pimenta, no Ballet Municipal, vem se tornando conhecido pelo seu talento, promovendo grandes e belos espetáculos, e, ainda, conseguindo descobrir novos valores. Por outro lado, Corpovivo Companhia de Dança se encontra numa ótima fase, trazendo a professora Kelli Griffin para dar aulas de dança. A Companhia foi convidada para se apresentar na cidade de Salvador, durante a Oficina Nacional de Dança Contemporânea. Entre os intelectuais, da época contemporânea, podem ser citados: Moacyr de Góes ("Sem paisagem" - 1991), João Medeiros Filho ("82 horas de Subversão" - 1980), Alvamar Furtado de Mendonça ("José da Penha, um romântico da República - 1970), Francisco das Chagas Pereira ("Eloy de Souza" - 1982), Jayme da Nóbrega Santa Rosa ("Acari - Fundação, História, Desenvolvimento - 1974), Bianor Medeiros ("Monsenhor Walfredo Gurgel - um símbolo" - 1976), Lenine Pinto ("Natal, USA" - 1995), Antonio Soares Filho ("Antídio de Azevedo" = 1978), Edinor Avelino ("Síntese" - 1968), José Wellington Germano ("Lendo e Aprendendo" - 1992), Nilo Pereira ("Imagens do Ceará-Mirim" - 1969), José Lacerda Felipe ("Aspectos Naturais do Seridó" - 1978), D. Nivaldo Monte ("Se todos os homens... conhecessem o dom de Deus" - 1963), Jurandir Navarro ("Antologia do Padre Monte") etc.
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