Meu tempo de fera

Publicação: 27 de Julho de 2011 às 00:00 | Comentários: 0
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José Madson Vidal
Médico Anestesiologista

Eu sou José Madson Vidal da Costa, natural de Marcelino Vieira, cidade do Oeste potiguar, 47 anos, casado, pai de quatro filhos, médico anestesiologista, graduado pela UFRN e pós-graduado em São Paulo. Sempre estudei em escola pública, fiz o primário em Marcelino Vieira, e o ginásio em Mossoró, para onde nos mudamos afim de a minha mãe frequentar a universidade. Graças a esta situação (faculdade de minha mãe), tive outra perspectiva, já que em Marcelino Vieira não havia escola de segundo grau. Agradeço a Deus e aos meus pais, Luiz Vidal e Gideide Adília, por terem a visão de estimular o estudo como fonte de oportunidade na vida. Minha família não tinha recursos maiores e vivíamos em grande simplicidade. A única opção para a ascensão social seria a dedicação aos estudos.

O segundo grau cursei na antiga ETFRN, atual IFRN, em Mecânica. O que me possibilitou uma excelente base em matemática, física, português e língua inglesa - onde obtive excelentes notas no vestibular. Em seguida, fui trabalhar na Petrobras, onde fiquei por seis meses. Não satisfeito nesta área, fiz seis meses de cursinho e fui aprovado para Medicina, na UFRN. Passei no vestibular de 1983.

Jamais pensei em ser médico, na infância ou início da adolescência. Quero registrar o meu agradecimento a família que me acolheu em Natal por, praticamente, 6 anos (3 anos do segundo grau e 3 anos de universidade). São o Sr. Geraldo Nunes e a Sra. Marizinha Lopes, pais do Dr. Geraldo Ferreira e Dra. Mônica Lopes. Acho que pela convivência com esta família eu tenha me inclinado para a carreira médica, já que naquela casa convivia com estudantes de medicina da família e outros acolhidos, vindos do interior.

A escolha do curso, então, ocorreu quase por acaso. Mas ao ingressar na faculdade identifiquei-me com as características profundamente humanísticas inerentes à carreira. Uma atividade voltada ao cuidado das pessoas e do bem fundamental que é a saúde, ligada à qualidade de vida. Medicina é um curso que exige dedicação. Meus pais incentivaram sempre os filhos à dedicação aos estudos.

É fundamental ao vestibulando que intenciona ingressar nesta área estar certo da grande responsabilidade social intrínseca à profissão. Da necessidade de encarar a medicina como profissão que não exige apenas grande dedicação em estudos e um longo tempo de faculdade, de residência médica e outros cursos de pós-graduação, atividades de plantão, dedicação quase exclusiva à profissão e restrito tempo para a família. Mas entenda que, fundamentalmente é uma profissão ligada às pessoas. O cuidado com a saúde de seres humanos é o principal objetivo desta nobre profissão, seguindo os preceitos do juramento de Hipócrates, pai da medicina ocidental.

A medicina é muito gratificante para mim. Através dela tenho criado meus filhos, cuidado de minha família. É para quem dedico boa parte do dia. Na faculdade, aos poucos, fui descobrindo quão grande riqueza estava à minha frente, através do ensino e experiência dos mestres, do conhecimento dos livros. Fui classificado em primeiro lugar no Brasil, na prova de residência médica. Obtive a mesma colocação, ao final do curso, em São Paulo e no Brasil.

Vejo a medicina como uma ciência que contribui decisivamente ao progresso da humanidade. Posso dizer que tenho orgulho de ser médico. E, certamente, devo tudo a Deus, ao incentivo dos meus pais, à família que me acolheu em Natal, à minha família, à determinação que tem me seguido por todos esses anos e aos pacientes que tenho a oportunidade de acompanhar.


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