Presidente da Fundac entrega o cargo e diz que há “ grupos e facções promovendo discórdias”

Publicação: 05 de Outubro de 2011 às 13:25 | Comentários: 0
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Arquivo TNJosé Alexandre Sobrinho alegou que cansou da Presidência da FundacJosé Alexandre Sobrinho alegou que cansou da Presidência da Fundac
Fred Carvalho - Editor

O presidente da Fundação Estadual Criança e do Adolescente (Fundac), o advogado José Alexandre Sobrinho, entregou uma carta-renúncia do cargo na manhã desta quarta-feira (5). Na carta, Alexandre Sobrinho escreveu que há “ grupos e facções dentro da própria instituição querendo que nada desse certo, promovendo discórdias, e outras atitudes contraproducentes”. O pedido de renúncia foi entregue ao Governo do Estado, que irá decidir se acata ou não o pedido na tarde desta quarta.

Na carta, obtida com exclusividade pelo portal TN Online, Alexandre Sobrinho diz ainda que deixa o cargo “triste por não ter tido um mínimo de oportunidade de fazer algo por aquelas crianças e adolescentes que, apesar de estarem em conflito com a lei, apesar de serem tratadas como marginais, são crianças e necessitam do amparo da sociedade”.

“Cansei, mesmo tendo esboçado um esforço gigantesco para não desistir, pois não é de minha personalidade essa postura, mas desisti porque compreendi que a FUNDAC, verdadeiramente, não existe para cuidar de crianças”, diz o presidente da instituição na carta-renúncia.

Leia a íntegra da carta:

“Carta a sociedade

Quando assumi a Presidência da FUNDAC subi a rampa da Secretaria, carregado de sonhos, mesmo sabendo muito pouco sobre a temática do Sistema Socioeducativo, pois apesar de haver me interessado por essa questão ao tempo de minha faculdade de Direito, motivado pelo Prof. Hélio Xavier de Vasconcelos, trazia ainda resquícios e traumas do antigo Código de Menores e FEBEM. Mais quando passei a obter informações do atual sistema, logo me sensibilizei com o problema. E não será humano quem, á frente de um sistema como esse, evolvendo casos de completa degradação social, onde muitas das crianças que estão sob nossa custódia sequer são visitados por suas famílias; nem ao menos têm para onde ir quando terminarem o cumprimento da medida social, não se interesse pela causa. Vi-me fortalecido quando busquei apoio e os tive da Corregedoria de Justiça que, vendo a nossa intenção e objetivos, passou a nos apoiar, o Ministério Público e as Varas da Infância e Juventude de Natal e Parnamirim também nos fortalecia com seu apoio é a incansável busca pela melhoria do sistema. O Gabinete Civil nunca nos negou nossos pleitos, singelos, mas de grande valia aos nossos propósitos. O Sindicato dos Servidores da Administração Indireta - SINAI, acreditando em nossa proposta, sobretudo de valorizar servidor, a quem tenho um profundo respeito e me mostrei sensível a todas as suas lutas, por entenderem válidas, deixamos os nossos agradecimentos. Tudo se apresentava num cenário perfeito ao sucesso. Alguns dias se passaram e a continuidade no cargo ficou para mim algo impossível, pois as nossas metas, as nossas propostas, nossos planejamentos, tinham sempre uma correnteza contrária a elas, grupos e facções dentro da própria instituição querendo que nada desse certo, promovendo discórdias, e outras atitudes contraproducentes. Cansei, mesmo tendo esboçado um esforço gigantesco para não desistir, pois não é de minha personalidade essa postura, mas desisti porque compreendi que a FUNDAC, verdadeiramente, não existe para cuidar de crianças. Fico triste em sair, não por apego ao cargo, pois o recusei no primeiro convite, mais por não ter tido um mínimo de oportunidade de fazer algo por aquelas crianças e adolescentes que, apesar de estarem em conflito com a lei, apesar de serem tratadas como marginais, são crianças e necessitam do amparo da sociedade. Desculpem-me àqueles que acreditavam no nosso trabalho e àqueles que se empenharam na nossa luta. (sic)

Natal, O5 de outubro de 2011.

José Alexandre Sobrinho
Cidadão do Rio Grande do Norte”

A assessoria de imprensa da Fundac confirmou que a carta-renúncia foi entregue na manhã desta quarta e que o pedido será avaliado à tarde.

O secretário de Educação do Estado, Luiz Eduardo Carneiro, por telefone, disse desconhecer o pedido feito nesta manhã. “Estou em Brasília e ainda não soube de nada. Na semana passada, em Mossoró, o Alexandre realmente me procurou e disse que pretendia entregar o cargo. Mas neste momento não posso afirmar se ele renunciou ou não”.

A reportagem do portal TN Online tentou entrar em contato com o advogado José Alexandre Sobrinho, mas o telefone funcional da Presidência da Fundac está desligado.


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