Morto autor de atentado a delegado

Publicação: 13 de Setembro de 2006 às 00:00 | Comentários: 0
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DivulgaçãoTROCA DE TIROS - Ramon da Silva morreu em João PessoaTROCA DE TIROS - Ramon da Silva morreu em João Pessoa
O homem que ameaçou de morte e organizou o atentado contra o delegado Odilon Teodósio está morto. Ramon Hermínio Lima da Silva morreu em uma troca de tiros com a polícia, na manhã de ontem, no bairro de Manaíra, em João Pessoa. Na mesma ocasião, dois homens e duas mulheres acusados de fazerem parte da quadrilha de Ramon foram presos. Com eles foram encontradas duas pistolas 9mm.

A polícia do Rio Grande do Norte já tinha informações de que Ramon estava em algum lugar da Paraíba. Na manhã de ontem, a quadrilha do assaltante roubou o carro da promotora de justiça de Campina Grande, Priscila Miranda Morais, um Citröen Picasso. Durante a perseguição, foi preso o comerciante Luciano Barroso de Albuquerque, um dos acusados do assalto. Com essa prisão, a polícia paraibana informou o fato aos policiais potiguares, pois ficaram sabendo que Luciano tinha ligações com Ramon.

A partir daí as investigações se deram de forma conjunta. Cerca de dez homens da polícia civil do RN viajaram a João Pessoa e se juntaram ao GOE (Grupo de Operações Especiais), da polícia da Paraíba. A operação teve início ainda durante a noite de segunda-feira, mas a casa onde o bando se encontrava só foi encontrada no fim da madrugada. Os policiais cercaram a residência na rua Gláucia Maria dos Santos Gouveia, em Manaíra e deram voz de prisão aos assaltantes.

Os acusados se recusaram a sair e atiraram contra os policiais. No tiroteio, Ramon Hermínio e Clériston Barbosa de Oliveira foram atingidos na perna e Valter Cristiano Lopes foi baleado no braço. Ramon, o líder da quadrilha, foi levado para o Hospital de Trauma, mas não resistiu à gravidade do ferimento e morreu. Os outros dois foram atendidos e continuam presos. A polícia deteve ainda Diogo Rafael Moraes e Rafaela Bezerra Dias, cunhado e namorada de Ramon e Larissa Alves.

O delegado geral adjunto Ben-Hur Cirino de Medeiros disse não ter dúvida de que a quadrilha de Ramon foi a responsável pelo emboscada que quase pôs fim à vida do delegado Odilon Teodósio, da Delegacia Especializada da Defesa da Propriedade de Cargas e Veículos (Deprov). O atentado só não deu certo porque os bandidos não conseguiram acertar os tiros de pistola dados contra Odilon. Ramon Hermínio já vinha ameaçando o delegado há meses, e acabou organizando mesmo o atentado.

“A comissão que está investigando o atentado já foi para João Pessoa para ouvir os elementos presos”, disse Ben-Hur. Segundo ele, o objetivo é saber detalhes da emboscada e saber se algum dos detidos participou diretamente da ação. O delegado destacou também a importância da prisão dos elementos da quadrilha de Ramon. “É, sem dúvida, uma das maiores quadrilhas de roubo a bancos e carros-fortes do Nordeste”, ressaltou.

Ainda não se sabe se algum dos elementos será recambiado para o Rio Grande do Norte. “A quadrilha tem crimes e fugas em vários estados do Nordeste. Ainda não se sabe para onde eles vão”, disse o delegado. Ele também não quis informar se a polícia tem informações sobre o paradeiro do elemento conhecido como “Bergal”, também tido como um dos líderes da quadrilha de assaltantes.

Acusado tinha ficha na polícia por homicídios

Ramon Hermínio Lima da Silva, de 26 anos, tinha longa ficha na polícia, que vai desde roubo de toca Cd’s, passando por roubo de veículos e hoje, até roubo a bancos e homicídios. Ainda adolescente, já praticava vários pequenos delitos na área de Parnamirim e já adulto, foi preso pelo delegado Odilon Teodósio, em 2004 e em janeiro de 2006. Na segunda vez, fugiu dois dias depois, da delegacia de plantão da Zona Sul.

Pouco tempo depois, Ramon foi preso novamente, em uma caminhonete em Emaus. Na casa dele a polícia encontrou dinheiro e armas pesadas. Depois de fugir, serrando as grades da cela, Ramon foi preso em Gravatá, no estado de Pernambuco. Mas fugiu no mês seguinte. Em agosto deste ano a polícia descobriu um forte armamento em Emaus.

O delegado que cuidou do caso mais uma vez foi Teodósio, e um dos acusados de ser o dono do arsenal, mais uma vez foi Ramon. A partir daí, a polícia começou a ver Ramon Hermínio como um dos grandes ladrões de bancos de toda a região Nordeste. Desde abril ele vinha ameaçando o delegado Odilon e, na noite de 23 de agosto deste ano, tentou executá-lo.


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