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Crescimento da fabricação nacional de implantes tem barateado custo das cirurgiasHouve um tempo em que implante dentário era algo quase inacessível, distante da realizada da maioria da população. O preço da cirurgia era altíssimo e próteses removíveis era a solução. Os avanços na área de implantodontia tornaram o procedimento mais acessível e a tendência é que os preços caiam ainda mais, uma vez que indústrias brasileiras estão fabricando o material antes importado. Alguns especialistas, porém, reconhecem que mesmo assim nem todos têm condições de realizar um implante. E não há uma política pública nesse sentido.
A Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte presta um serviço à comunidade, realizando implantes com custos baixos e, em alguns casos, até mesmo de forma gratuita — dependendo do interesse acadêmico de cada caso. O acesso porém é restrito. É realizada uma triagem, onde os pacientes são escolhidos de acordo com o grau de gravidade. Os procedimentos servem de aula prática para alunos.
Já as clínicas particulares têm registrado um aumento na procura por implantes e algumas técnicas novas têm facilitado a cirurgia, diminuindo o tempo entre o implante ósseo e a colocação da prótese.
O professor do Departamento de Odontologia da UFRN e cirurgião buco-maxilo-facial Adriano Germano considera que o que há de mais novo com relação aos implantes dentários é uma mudança de conceitos. Com a revisão dos protocolos, hoje é possível até mesmo colocar a o dente novo no mesmo em que é realizado o implante, através do procedimento conhecido por carga imediata. Mas nem todos podem usufruir dessas novidades tecnológicas, como bem lembra o professor.
O implante se popularizou tanto que tem até propaganda na tevê. Mas é preciso estar atento. Deve-se buscar referências do profissional que irá realizar o tratamento e observar a qualidade do material que será utilizado. Na dúvida, o mais certo é procurar o Conselho Regional de Odontologia. Confira trechos da entrevista com Adriano Germano.
“Queremos que os benefícios cheguem para todo mundo”
“Se você seguir um protocolo rígido, e alguns sistemas de implante ainda seguem esse protocolo criado nas décadas de 60/70, são de três a quatro meses para a mandíbula, depois que você insere o dispositivo, e seis meses para a maxila. Entretanto, à medida em que há uma melhora da estrutura molecular, da estrutura de superfície desse implante, é possível fazer que a adesão da célula aconteça de forma mais rápida e que a reposição de osso sobre essa estrutura também aconteça de forma acelerada, minimizando esse tempo.”
Perda óssea
“Nesses casos onde existe dificuldade de inserir o implante, há a indicação para reconstruir a área previamente, criar condições, viabilizar a colocação do implante. Não adianta muitas vezes fazer o implante do jeito que está, naquele osso destruído, pois não vai durar muito tempo. Essa preocupação com a reconstrução é muito importante para que você tenha condições de habilitar o paciente de maneira adequada.”
Popularização: riscos?
“Existem dois aspectos: obviamente o positivo, pois queremos que os benefícios cheguem para todo mundo; e o negativo, que é a superindicação e a utilização de materiais ou de protocolos que cientificamente não tenham uma aprovação adequada. A popularização começa a existir a partir do momento em que indústrias nacionais passam a fabricar os implantes. A fabricação nacional fez com que houvesse essa popularização e chegasse a praticamente a todas as classes sociais, com exceção das classes D e E, onde há uma restrição um pouco maior. Então, com a redução dos custos referentes à aquisição dos materiais, começam a se popularizar os implantes. Antes, antes eles eram só de indústrias de fora do País. Hoje em dia você tem muitas indústrias espalhadas pelo eixo sul-sudeste, principalmente, que fabricam implantes, que são distribuídos pelo Brasil inteiro. Uma outra coisa que fez com que houvesse a popularização foram os cursos de pós-graduação, em nível de residência em cirurgia, em nível de especialização em implantodontia, os cursos de prótese, incluíram o implante como sendo parte da unidade formadora para seus alunos. E aí, eles trabalham em custo reduzido para ter volume de pacientes e, consequentemente, ter condições de preparar tecnicamente e cientificamente seus alunos. Entretanto, os custos ainda são relativamente elevados e partir do momento que existem mais complexos a serem resolvidos, eu ainda terei custos ainda mais elevados. A popularização realmente aconteceu, mas ela ainda não chegou num patamar que eu considere ideal, e há sempre essa preocupação com a perda de qualidade. A partir do momento que você populariza, muitas pessoas confundem essa popularização com eliminar certas preocupações que não poderiam ser eliminadas. Uma coisa que é básica quando um paciente procura um cirurgião-dentista para executar seu tratamento, existem alguns detalhes básicos que ele tem que se preocupar. Primeiro, ele tem que conhecer pessoas que já fizeram o tratamento com aquele profissional e que tiveram êxito. Isso é básico; a propaganda boca à boca. Segundo, que ele saiba que a marca do material que está sendo utilizado, se tem registro na Anvisa, se é aprovado por nossos órgãos regulamentadores, se não é um implante feito em fundo de quintal, sem a devida segurança, se tecnicamente ele está dentro de conceitos recomendados. Outra coisa é ter a certeza que aquele profissional é de uma especialidade que domina aquele procedimento. Tem o especialista em prótese, que domina a prótese sobre implante; tem o especialista em cirurgia e traumatologia buco-maxilo-facial, que domina a cirurgia de implante e cirurgias reconstrutivas; tem o próprio implantodontista, que também domina parte de implante, de prótese, obviamente com algumas restrições devido à sua formação; e o periodondista, que tem também dentro de sua formação a cirurgia de implante. Ou seja, tem que saber se a especialidade que aquele indivíduo fez e treinou técnica e cientificamente lhe dá a formação necessária para ele estar propondo aquele tipo de tratamento para você. São detalhes muito importantes. E desconfiar de preços extremamente baixos, além de não confiar nas propagandas que não sejam no boca à boca, pois é interessante conhecer outros pacientes que fizeram o implante e as coisas funcionaram bem. Uma dica interessante que também pode ajudar é que, toda vez que houver dúvidas sobre a qualificação profissional para executar aquele tratamento, é procurar os Conselhos Regionais de Odontologia.”
Serviço à comunidade
“O Departamento de Odontologia tem um programa de extensão aberto para qualquer pessoa, embora não tenha o objetivo de atender com volume. São casos esporádicos que são feitos, onde os de maior interesse acadêmico são utilizados para executar o tratamento. O Governo Federal, através de suas universidades e de suas universidades e dos serviços municipais e estaduais de saúde, não tem trabalhado no sentido de viabilizar condições que elimine alguma taxas para facilitar o acesso. Recentemente, alguns estados, e isso parte muito das secretarias municipais de saúde, de trabalhar com contrapartida, têm dado alguns implantes e próteses de forma gratuita. Isso ainda está incipiente. Mas eu acredito que há uma tendência que isso comece a ser ampliado, principalmente a partir do momento em que as universidades fabriquem seus próprios implantes, trabalhando sua própria infra-estrutura de tecnologia para evitar que materiais sejam comprados com valores maiores e possa inviabilizar o tratamento.”
Bate-papo: Dickson Fonseca - Dentista
TN - Como está o mercado de implantodontia em Natal? Estamos bem preparados? O que há de novidades nessa área?
DM - Quando iniciei a implantodontia no Estado, no início da década de 90, haviam pouquíssimos serviços especializados. Atualmente, com a popularização da técnica de implante existem centenas de dentistas realizando tais procedimentos, e isto é bom para o consumidor! Muitos estão bem preparados, mas o mais importante é a experiência clínica associada à ciência, e isto leva tempo pois existe uma curva de aprendizado. Quanto às novidades, a odontologia tem tido muito cuidado em só “liberar” o que tem comprovação científica. O que precisa tomar cuidado é que o que é considerado clássico não é necessariamente velho e o que é novidade pode não ser novo, mas algum ‘remake’ de algo já existente. É inegável que a implantodontia modificou a ótica da prótese! O conforto ao mastigar e falar, a segurança no aspecto social e a busca do sorriso perdido muito se deve aos novos procedimentos da implantodontia.
TN - O custo ainda é muito alto? Qual a média de valor para esse tipo de tratamento?
DM - O custo já foi alto. Os pioneiros no Brasil cobravam em torno de dois mil dólares por implante. Algo irreal para os dias atuais, mas toda tecnologia envolvia patentes e técnicos exclusivos que com o tempo foram se tornando acessíveis. Foi assim com o implante. Hoje um implante de qualidade é realizado por equipes ide, pode ser encontrados a partir de R$ 1.200 (custo unitário), dependendo do local da boca, do número e especificação técnica do implante, além de aspectos no tocante à qualidade e quantidade do osso, bem como grau de dificuldade e necessidade e de enxerto e/ou gengiva. O requisito estético é um grande valor agregado a ser considerado.
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