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ABUSO - Tunel estava quase pronto, mas acabou sendo descobertoUma obra espantosa pelo tamanho, promovida por um grupo de espanhóis que investe na Praia de Ponta Negra, por pouco não causa uma tragédia na última quarta-feira. Um enorme túnel estava sendo escavado a partir de um flat em construção, por baixo da avenida Engenheiro Roberto Freire, já na Vila de Pescadores em direção à praia.
Tudo isso, sem qualquer autorização da Prefeitura Municipal. A idéia mirabolante só foi descoberta porque a tubulação da Caern foi rompida e parte da avenida cedeu. Ontem pela manhã técnicos foram chamados e descobriram que - ao contrário do que contemplava o projeto licenciado - havia sob a avenida de Ponta Negra um túnel com três metros de altura, por três de largura e cerca de dezoito metros de comprimento.
“Nossa reação foi de surpresa. Porque do jeito que a obra está, ninguém podia imaginar que havia um túnel ali”, disse Luiz Alberto Ferreira, supervisor geral de fiscalização urbanística da Semurb. Segundo Luiz, a obra do Edifício Amboto estava licenciada, pela secretaria, mas o projeto inicial trazia a construção do túnel.
Toda a obra foi embargada. Com o incidente, parte da avenida Engenheiro Roberto Freire foi interditada. “A construção foi interditada por completo, até que seja decidido o que vai ser feito”, explicou o chefe de fiscalização da Semurb. Luiz contou que o túnel estava, inclusive, com a estrutura de anéis de concreto, mas uma parte também acabou cedendo.
A obra fica localizada na parte da avenida que fica por trás dos hotéis e bares, cujas fachadas estão na avenida Erivan França (à beira-mar). Estando o flat do lado direto da pista - para quem vai à praia - o objetivo era ligar o novo prédio ao shopping que fica do outro lado da Roberto Freire. O Gorbea Shopping pertence ao mesmo grupo de espanhóis.
Com o túnel, os moradores e hóspedes do flat poderiam ter acesso à praia através do shopping, que por sua vez seria alcançado por baixo da avenida. A interdição da obra foi a primeira sanção sofrida pelo grupo. Os empreendedores podem sofrer uma multa e ser obrigado a recompor ou demolir a construção.
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