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LITERATURA - Deífilo Gurgel vai revisar alguns cordéis importantes do RNLugar de escritor potiguar, a partir da próxima semana, é no Largo da rua Chile, na Ribeira. A segunda edição do Encontro Natalense de Escritores (ENE), que vai reunir nomes consagrados da literatura e do jornalismo brasileiros entre os dias 22 e 25 de novembro, dedica boa parte da programação para os nomes locais. Aquela história de que Natal tem um poeta em cada esquina, por sinal, se traduz na mesa em que a presença da casa é maior.
No debate “Poesia: Pois é, a poesia”, que ocorre no primeiro dia do evento, três dos quatro debatedores são potiguares. Professor universitário e poeta, Jarbas Martins conta que vai unir a vanguarda e o soneto durante sua palestra. “Ainda não falei com os demais integrantes da mesa (Lau Siqueira, Paulo de Tarso Correia de Melo, e Nelson Patriota), mas estou preparando um texto a ser lido durante a exposição sobre a poesia. Embora não tenha doutorado, sou uma espécie de doutor em sonetos e fiz um ensaio há dez anos sobre 14 poetas e 14 sonetos. Vou dar o título da minha exposição de "A vanguarda norte-rio-grandense através de três sonetos" para explicar a poesia de forma tradicional dentro de um contexto de euforia, transgressão”, conta o poeta que não acompanhou a primeira edição do evento, em 2006, por preferir ficar à margem para se dedicar a outros projetos.
De cordel na mão
O pesquisador e folclorista potiguar Deífilo Gurgel também tem presença garantida numa mesa em que o cordelista Klévisson Viana e o músico Gereba apresentam releituras de Dom Quixote. O escritor Lívio Oliveira também compõe a mesa. “Ainda não sei como vai ser na hora, mas quando surgir uma porta a gente escapole por ela (risos). Vou dar uma revisada em alguns cordéis do RN que tenho. Nossos cordéis não são muito conhecidos pelo resto do Brasil. Mas aqui temos aquele menino chamado Xexéu, de Santo Antônio do Salto da Onça, que tem muitas poesias populares, uma interessantíssimo em que ele fala da invasão de preás. Tem outro rapaz nas Quintas que não me lembro o nome agora. Mas o grande estudioso dos cordéis no RN é o pesquisador José Lucas de Barros, que mora aqui em Natal”, disse.
O videomaker Mário Ivo é outro convidado potiguar. Ele será mediador do debate sobre poesia alternativa e desbunde, que ocorre dia 25. Ao lado dele, Jorge Salomão, Heloísa Buarque de Holanda e João da Rua. Como um dos exemplos daquela geração, ele cita um autor local. “Acho que João Gualberto, que acabou de lançar, agora, um livro que foi premiado na década de 70, é um representante daquela geração que veio antes da minha, a chamada geração mimeógrafo. E ainda está na ativa. Ele é um típico representante do desbunde”, afirma.
Ainda na esteira da poesia, mas num debate diferente, “Palavra escrita, palavra cantada”, o jornalista Carlos de Souza elogia a iniciativa do evento. “O ENE é uma das melhores coisas que aconteceram nos últimos anos em Natal. Deixa a cidade no mapa da cultura brasileira. Em relação à minha mesa, para mim, poesia é ritmo. Tem tudo a ver com música”, disse Carlão, que estará ao lado de Antônio Risério, Chacal, Fausto Nilo e Maria Lúcia Dal Farra.
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