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Natal, 29 de Julho de 2010 | Atualizado às 22:48

Turistas no RN reclamam da falta de qualidade nos serviços

Publicação: 09 de Dezembro de 2007 às 00:00
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Junior SantosTURISMO - Adrian Shopean, suiço, enfrentou problemas com o idioma TURISMO - Adrian Shopean, suiço, enfrentou problemas com o idioma

Reza a lenda que Natal é uma cidade hospitaleira, bem sinalizada e que os turistas que chegam desejam sempre voltar. Mas no ir e vir, as impressões que ficam registradas em conversas informais com bugueiros, recepcionistas e também nas caixinhas de sugestões dos hotéis apontam o outro lado do turismo, esse que as Secretarias de Turismo tanto Estadual quanto Municipal tentam mudar o mais rápido possível.

Prova disso é o relato do chefe dos bugueiros em Ponta Negra, Luiz Neto que trabalha no ramo há 22 anos. “Eu lido com turistas brasileiros e estrangeiros e realmente ouço reclamações freqüentes sobre a falta de sinalização, principalmente as de acesso às praias. Sei disso porque faço  aluguel de carros também e os turistas voltam reclamando que sentiram muita dificuldade para  chegarem até às praias. Teve um rapaz que saiu do litoral em direção a Pipa e ficou perdido entre São José do Mipibu e Nísia Floresta”. Para ele deveria existir uma atenção maior quanto à sinalização e também à capacitação das pessoas que trabalham diretamente com o turista. “O nosso visitante chega aqui e quer saber como chegar nos lugares e quais as distâncias e essas informações as nossas placas infelizmente oferecem precariamente”.

O paulistano Wagner dos Santos que está passando as férias em Natal sentiu na pele essa dificuldade. “Estou adorando a cidade, mas achei muito pobre a sinalização. A cidade não oferece nada sobre a distância dos lugares e muito menos a sinalização dos bairros e do acesso aos locais culturais. E eu ainda peguei uma guia de turismo que repetia as informações e tinha um conhecimento muito pobre sobre a cidade. Eu desejava saber mais sobre essa cidade que é tão linda, mas está difícil”, disse o turista.

Percorrendo as rotas turísticas que ligam Natal ao litoral sul e norte, a equipe da TRIBUNA DO NORTE registrou os locais que necessitam de maior atenção do poder público.

 Um dos pontos mais críticos hoje são os extremos da ponte Newton Navarro. Quem segue para o litoral norte não encontra uma sinalização que direcione o motorista ou pedestre para as praias ou para o acesso aos bairros da Zona Norte. A volta de Jenipabu é ainda mais complicada. Sair da rua Moêmia Medeiros que dá acesso à Avenida João Medeiros Filho é encontrar como obstáculo a ausência de uma sinalização.

O turista José Antônio Barreto que estava na praia de Jenipabu com um grupo de turistas de Rondônia, disse achar Natal uma cidade fácil de caminhar por ser bem sinalizada e ter informações precisas, mas quando a equipe da TRIBUNA DO NORTE seguiu o carro em que eles estavam percebeu que na saída de Jenipabu, devido à placa estar desgastada pelo tempo que traz a indicação de como chegar em Natal, Maxaranguape e Muriú, os turistas ficaram sem saber onde ir e foram pela contramão. Logo depois, no final da rua Moêmia Medeiros que dá acesso à avenida João Medeiros Filho, eles entraram na contramão do trevo que leva até a ponte Newton Navarro e por pouco não aconteceu um acidente.

Outro ponto crítico pode ser percebido na saída da praia de Pirangi em direção à praia de Búzios. No trevo não existe nenhuma sinalização indicando que o motorista pode ir para Natal ou Búzios.

Na Rota do Sol, nos dois sentidos falta sinalização em 8 km e na rua que dá acesso ao bairro de Nova Parnamirim e Cidade Verde não existe indicação. As placas só aparecem nos extremos já chegando em Ponta Negra e na chegada de Pium.

Diante dessa situação o Secretário de Turismo do Município (SECTUR) disse estar ciente das dificuldades que a cidade têm em oferecer uma sinalização mais completa para o turista. “A gente sabe dessas dificuldades, tanto a Secretaria Municipal, quanto Estadual e estamos mais tranqüilos porque hoje existe o Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste, feito como ação do Banco do Nordeste chamado Prodetur, que tem como meta a implantação da sinalização em toda a orla brasileira. Acredito que até fevereiro estará tudo implantado. É verdade que o turista sente dificuldade, por exemplo, de chegar até à praia de Pipa, mas a gente sente que a cidade está se transformando e tentando acompanhar esse crescimento no turismo”, avalia. 

Profissionais enfrentam a barreira do idioma

Além desses problemas de sinalização que incomodam quando se está na estrada sem guia, a falta de capacitação dos profissionais que trabalham diretamente com os turistas termina sendo um obstáculo para vendas e trocas de informações. A capacitação esbarra principalmente na ausência do inglês. Hoje em Natal se um turista estrangeiro for caminhar pela cidade e chegar até o litoral sul ou norte ele não encontrará nenhuma sinalização escrita em duas línguas e dificilmente encontrará um guia que fale inglês fluentemente. Somente os outdoors começaram a escrever suas publicidades em duas línguas.

No aeroporto o turista estrangeiro enfrenta o primeiro obstáculo de chegar em Natal, que é a ausência de uma comunicação bilingüe. A maioria dos atendentes das lojas fala somente o português. Um guia de turismo que não quis se identificar contou que muitos turistas saem de Natal reclamando da ausência de informações. “Isso é muito comum. Quando eles vão embora eles desabafam com a gente. Eu percebo que tem amigos meus, que são guias que não falam inglês, eles arrastam o idioma e ficam embromando até a pessoa se cansar”.

O sueco Adrian Shompear está  em Natal pela primeira vez e hospedado em Jenipabu. Sua primeira impressão é de uma cidade animada e fácil de caminhar mas o inglês cria um muro entre ele e os nativos. “Estou gostando muito daqui, mas não consigo me comunicar fácil com as pessoas”, conta o sueco.

No aeroporto, Joelma Dantas que trabalha na livraria e fala pouco o inglês diz não sentir dificuldades em trabalhar diretamente com os estrangeiros. “Eles me perguntam sempre a mesma coisa e a gente acaba aprendendo a comunicação”. Ironicamente o que a livraria mais vende atualmente é um dicionário de inglês e português, além dos guias turísticos. “Vendemos muitos mapas e guias. Os estrangeiros já chegam direto neles”.

Patrícia Câmara que trabalha em uma das lojas do aeroporto há 6 anos disse que nunca fez um curso de inglês, sente dificuldade, mas não perde nenhuma venda por isso. “Os estrangeiros terminam se acostumando com isso. A gente consegue se comunicar assim e eles entendem”, acredita.

No café o cardápio só vem escrito em português e grayce Kelly qye trabalha há 3 meses diz sentir muita dificuldade em vender os alimentos. “Sinto dificuldade todos os dias e termino chamando alguém para me auxiliar. Isso é chato porque parece que a gente cria uma barreira diante da outra pessoa”, avalia.

Do lado de fora do aeroporto, essas histórias se repetem por placas, avenidas, praias, lanchonetes, restaurantes. Nenhuma sinalização, nem a faixa de travessia do lado de fora do aeroporto vêm escrita em inglês. Uma funcionária do aeroporto que não quis ser identificada disse que isso é uma bobagem. “Eu acho que o turista de outro País deveria saber falar um pouco de português. Quando a gente vai lá fora ninguém vai nos receber com a nossa língua. Me desculpe, mas eu não faço o menor esforço para isso”, disse.

Na praia de Jenipabu nenhum atendente das barracas fala inglês. Roberto Horiath, diretor da Associação dos proprietários de buggy da praia de Jenipabu disse já ter perdido um passeio por não conseguir se comunicar. “Eu trabalho com isso há15 anos e hoje falo muito bem o inglês e o espanhol, mas me lembro de não ter conseguido me comunicar uma vez. E isso pode acontecer em qualquer ramo”. Segundo ele, apenas 20% dos bugueiros dos 350 cadastrados hoje conseguem falar inglês.

Francinete Gonçalves, proprietária de uma das lojas em Jenipabu disse que nunca fez curso de inglês. “Creio que o Estado deveria investir mais nessa área. Porque é uma dificuldade enorme para todos nós. A cidade precisa se preparar melhor para receber seu turista. Lembro que há cinco anos houve um curso oferecido pelo SENAC, mas nunca mais isso aconteceu”, lembra.

Sectur prevê dias melhores

A expectativa da Secretaria Municipal de Turismo é que a ocupação dos hotéis esse ano chegue a 90% do total, ou seja, 8% a mais do que o registrado ano passado no período de dezembro até março.

De uns cinco anos para cá, Natal se tornou a rota turística de maior procura tanto no Brasil quanto na Europa. Além da cidade ser reconhecida por ter o ar mais puro das Américas, é também a cidade brasileira mais próxima da Europa em continente americano.

Toda semana chegam mais de mil estrangeiros de vários lugares do mundo. Em números, de janeiro a julho de 2007, circularam no aeroporto 924.994 passageiros, entre embarques e desembarques, segundo a INFRAERO.

Além dessas chegadas, são aguardados semanalmente turistas de vários Estados brasileiros, seja pelo ar ou pela terra.

O secretário Municipal de Turismo, Fernando Bezerril acredita que a realidade está se modificando. Durante quatro meses, aconteceu a discussão sobre as melhorias do turismo, tocando nos pontos negativos e positivos. O encontro reuniu a associação dos guias, Universidades, Pólo Costa das Dunas, Banco do Nordeste e empresas ligadas diretamente ao turismo. “Nós chegamos a um consenso com as empresas que fazem o receptivo dos turistas e chegamos a um projeto final que irá transformar essa realidade que encontramos hoje. Natal é muito procurada e precisa ter uma estrutura boa para receber a todos”, avalia. De acordo com o Secretário, Natal tem hoje 500 guias profissionais que recebem quase 2 milhões de turistas por ano. “Nós temos uma necessidade de melhorar não só os roteiros como os profissionais que estão sendo reciclados aos poucos. Sabemos de todas as dificuldades descritas pelos turistas, mas precisamos lembrar que o crescimento muito rápido traz isso, em busca de um equilíbrio”,  acredita.

Segundo o secretário, o turista precisa ser amparado também pelo lado cultural, o que ficou esquecido por muitos anos. “A cidade não pode ser resumida em sol e mar, mas oferecer um roteiro turístico. A parte mais importante da cidade que é a parte cultural. O estrangeiro cobra muito isso”. Ainda segundo Bezerril, o projeto que levou quatro meses para ser concluído, é um trabalho democrático e precisa contar com a participação de todos. “Tudo isso aconteceu para ter a certeza de que erraríamos menos”.

Outra preocupação da Secretaria Municipal de Turismo é com a chegada dos turistas pelas estradas. “Nós temos uma expectativa do turismo rodoviário muito boa. Precisamos olhar também para essa parte, que sempre é esquecida. Melhorar as sinalizações e rodovias é uma meta que precisamos ter”, acredita.

Para finalizar o secretário disse estar comemorando a última pesquisa que revelou que Natal foi considerada a cidade de longevidade. “Temos várias comendas, ar mais puro da cidade, menor índice de violência do Brasil, entre outras coisas, por isso precisamos superar urgentemente todas essas dificuldades para que o turista saia daqui satisfeito”.

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comentários

fernandoliba@...09/12/2007 @ 12h51
Penseee como eu estou morrendo de pena desses turistas!!! Como o colega falou aí, quando vamos para os países deles, se não souber falar inglês, ou seja lá que língua for, eles nem te dão atenção, isso quando não tratam mal. Exigir que a população saiba falar a língua deles, que as placas de trânsito, vejam só que absurdo, estejam em duas linguas...ahhh, tenha santa paciência! Já não basta o que esses gringos fizeram com os nossos imóveis não?? um cidadão comum, trabalhador, não tem mais condições de adquirir um imóvel para morar por menos de 150, 200 mil reais em determinadas áres da cidade! Fala sério!
cecilia.mosca.spatz@...09/12/2007 @ 14h12
O governo do estado deveria se empenhar mais em colocar sinalizacao com duas línguas, afinal de contas disso depende o turismo do estado, já que os que trabalham diretamente com o turista nao querem ou têm dificuldade de aprender o inglês.
famsilva@...10/12/2007 @ 17h51
É muito engraçado... Quando a gente chega nos países estrangeiros, por acaso há uma recepção com pessoas falando português?? E porque os "gringos" querem que a gente tenha a língua deles fluentemente? A gente faz o favor de receber bem, até parece que lá fora a gente recebe o mesmo tratamento. Se querem entender, aprendam o portugês básico antes de virem para cá, como tenta-se fazer o mesmo quando se viaja ao estrangeiro.
cavec@...09/12/2007 @ 17h12
somente os políticos de nosso estado não perceberam que o nosso estado não possui nenhuma infra - estrutura para o turismo, no ano de 2006 estive em Natal, foi muito duro, pra mim que amo minha cidade, vê-la suja e mau cuidada depois de uma passagem de ano. aqui em São paulo, o lugar mais divulgado para passar férias é o Ceará. talvez por que lá os políticos entenderam que o estado só cresceria se eles o preparassem para a modernidade. senhores políticos do RN aprendam com a experência do Ceará e desenvolvam o RN!!!
jose_dantas@...09/12/2007 @ 14h02
A reportagem levantou boa parte dos problemas e dificuldades encontradas por turistas nacionais ou de fora. Quando vou ao RN sinto dificuldades com a falta de indicações nas ruas e estradas assim como me choca ver em praias como Ponta Negra, as línguas de esgoto correndo para a praia. Isso para um brasileiro, que está mais que acostumado com a falta de saneamento e a sujeira generalizada. Quando em abril último estive em Natal, não permiti que meus filhos entrassem numa água que com certeza apresentava índices de contaminantes maiores que os níveis aceitáveis. Apesar de tudo, tenho incentivado amigos estrangeiros a visitarem Natal e estes, apesar de acharem a cidade muito bonita, sempre reclamam da ausência de informações em inglês assim como em outros idiomas. São raros os locais em que alguém arranha qualquer idioma e mesmo os que dizem falar fluentemente, na maioria conseguem falar apenas o básico. Para uma economia em grande parte dependente do turismo, é urgente que as empresas treinem seus colaboradores e também que as pessoas se conscientizem que dentro de algum tempo, terão que falar o maior número de idiomas possível, se quiserem permanecer no mercado de trabalho.
solluarozeann@...09/12/2007 @ 03h52
Idioma? E nós quando vamos ao país deles? temos que nos virá pq se nao ja sabe, nao olham nem pra nossa cara! E ainda que saiba falar, te tratam com frieza, Agora chegar aqui em Natal e exigir ja é demais, os tratamos muito bem e se achar ruim por favor nao voltem mais, nao imaginam o favor que nos fazem. Pq turismo mesmo, poucos vem fazer! Eramos masi felizes com o turismo que tínha-mos antes, agora a praia, apesta a extrangeiro, nao sobre espaço nem pra ficar a vontade.
naldo.nobrega@...09/12/2007 @ 07h22
Percebe-se que a cidade não conta com uma política de turismo. Na verdade existem arranjos e improvisações. Alguns problemas: a) Falta uma programação de eventos voltada para essa época do ano. Exemplo: uma vaquejada, peças teatrais etc. b) Nesse período em que a cidade aumenta sua população deveria ser intensificada a coleta de lixo. Como isto não é feito, aumenta a proliferação de moscas, insetos e roedores e consequentemente as diarréias no turista; c) Falta uma atuação eficiente da vigilancia sanitária no sentido de orientar a manipulação de alimentos; d) Falta sinalização de praias e momumentos históricos; e) Falta banheiros públicos nas praias. Impossível um local tão frequentado como Ponta Negra não ter sanitários. Estes são alguns casos graves indicaativos da falta de visão empresarial e ausência de políticas públicas no sentido de transformar a cidade em um verdadeiro polo de atração aos visitantes. Cobra-se muito caro e se oferece pouco. Finalmente nunca é demais lembrar que o turismo traz divisas mas com ele vem também o lixo de outras cidades como: drogas, prostituição infantil, poluição etc, problemas que se forem colocados na balança acaba nem compensando. Mas a solução destes danos sociais o governo não se preocupa, empurra pra frente e só esboça alguma reação quando a situação se torna incontrolável!
horutko@...19/5/2010 @ 01h06
My wife stayed at Praia Azul Pousada last week, and the maid(s) took $500 Reais from her wallet in her room. She left a "Do Not Distrub" card on the door, and the maids tried to enter 2 times when she was in the room, and were told to go away. My wife went to the pool for a few minutes, the maids entered, stole her money and left. My wife complained to the desk clerk, and he said it was her fault to leave it there. We have traveled the world, and when a person says "Do Not Disturb", it means don't come in! They were persistent to enter, and that is wrong! She mentioned this again on checking out, and the hotel dek people could care less.Bad business! I will now contact every forum and site on the internet and tell this story, as the pousada does not care, and so will I now! My wife is a Brazilian citizen and we travel there several times a year, and nothing like this has ever happened.This pousada needs to be fined or taken to justice! I am from Canada, and if you want tourists, a place such as this is not a good example to stay!
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