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TURISMO - Adrian Shopean, suiço, enfrentou problemas com o idioma Reza a lenda que Natal é uma cidade hospitaleira, bem sinalizada e que os turistas que chegam desejam sempre voltar. Mas no ir e vir, as impressões que ficam registradas em conversas informais com bugueiros, recepcionistas e também nas caixinhas de sugestões dos hotéis apontam o outro lado do turismo, esse que as Secretarias de Turismo tanto Estadual quanto Municipal tentam mudar o mais rápido possível.
Prova disso é o relato do chefe dos bugueiros em Ponta Negra, Luiz Neto que trabalha no ramo há 22 anos. “Eu lido com turistas brasileiros e estrangeiros e realmente ouço reclamações freqüentes sobre a falta de sinalização, principalmente as de acesso às praias. Sei disso porque faço aluguel de carros também e os turistas voltam reclamando que sentiram muita dificuldade para chegarem até às praias. Teve um rapaz que saiu do litoral em direção a Pipa e ficou perdido entre São José do Mipibu e Nísia Floresta”. Para ele deveria existir uma atenção maior quanto à sinalização e também à capacitação das pessoas que trabalham diretamente com o turista. “O nosso visitante chega aqui e quer saber como chegar nos lugares e quais as distâncias e essas informações as nossas placas infelizmente oferecem precariamente”.
O paulistano Wagner dos Santos que está passando as férias em Natal sentiu na pele essa dificuldade. “Estou adorando a cidade, mas achei muito pobre a sinalização. A cidade não oferece nada sobre a distância dos lugares e muito menos a sinalização dos bairros e do acesso aos locais culturais. E eu ainda peguei uma guia de turismo que repetia as informações e tinha um conhecimento muito pobre sobre a cidade. Eu desejava saber mais sobre essa cidade que é tão linda, mas está difícil”, disse o turista.
Percorrendo as rotas turísticas que ligam Natal ao litoral sul e norte, a equipe da TRIBUNA DO NORTE registrou os locais que necessitam de maior atenção do poder público.
Um dos pontos mais críticos hoje são os extremos da ponte Newton Navarro. Quem segue para o litoral norte não encontra uma sinalização que direcione o motorista ou pedestre para as praias ou para o acesso aos bairros da Zona Norte. A volta de Jenipabu é ainda mais complicada. Sair da rua Moêmia Medeiros que dá acesso à Avenida João Medeiros Filho é encontrar como obstáculo a ausência de uma sinalização.
O turista José Antônio Barreto que estava na praia de Jenipabu com um grupo de turistas de Rondônia, disse achar Natal uma cidade fácil de caminhar por ser bem sinalizada e ter informações precisas, mas quando a equipe da TRIBUNA DO NORTE seguiu o carro em que eles estavam percebeu que na saída de Jenipabu, devido à placa estar desgastada pelo tempo que traz a indicação de como chegar em Natal, Maxaranguape e Muriú, os turistas ficaram sem saber onde ir e foram pela contramão. Logo depois, no final da rua Moêmia Medeiros que dá acesso à avenida João Medeiros Filho, eles entraram na contramão do trevo que leva até a ponte Newton Navarro e por pouco não aconteceu um acidente.
Outro ponto crítico pode ser percebido na saída da praia de Pirangi em direção à praia de Búzios. No trevo não existe nenhuma sinalização indicando que o motorista pode ir para Natal ou Búzios.
Na Rota do Sol, nos dois sentidos falta sinalização em 8 km e na rua que dá acesso ao bairro de Nova Parnamirim e Cidade Verde não existe indicação. As placas só aparecem nos extremos já chegando em Ponta Negra e na chegada de Pium.
Diante dessa situação o Secretário de Turismo do Município (SECTUR) disse estar ciente das dificuldades que a cidade têm em oferecer uma sinalização mais completa para o turista. “A gente sabe dessas dificuldades, tanto a Secretaria Municipal, quanto Estadual e estamos mais tranqüilos porque hoje existe o Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste, feito como ação do Banco do Nordeste chamado Prodetur, que tem como meta a implantação da sinalização em toda a orla brasileira. Acredito que até fevereiro estará tudo implantado. É verdade que o turista sente dificuldade, por exemplo, de chegar até à praia de Pipa, mas a gente sente que a cidade está se transformando e tentando acompanhar esse crescimento no turismo”, avalia.
Profissionais enfrentam a barreira do idioma
Além desses problemas de sinalização que incomodam quando se está na estrada sem guia, a falta de capacitação dos profissionais que trabalham diretamente com os turistas termina sendo um obstáculo para vendas e trocas de informações. A capacitação esbarra principalmente na ausência do inglês. Hoje em Natal se um turista estrangeiro for caminhar pela cidade e chegar até o litoral sul ou norte ele não encontrará nenhuma sinalização escrita em duas línguas e dificilmente encontrará um guia que fale inglês fluentemente. Somente os outdoors começaram a escrever suas publicidades em duas línguas.
No aeroporto o turista estrangeiro enfrenta o primeiro obstáculo de chegar em Natal, que é a ausência de uma comunicação bilingüe. A maioria dos atendentes das lojas fala somente o português. Um guia de turismo que não quis se identificar contou que muitos turistas saem de Natal reclamando da ausência de informações. “Isso é muito comum. Quando eles vão embora eles desabafam com a gente. Eu percebo que tem amigos meus, que são guias que não falam inglês, eles arrastam o idioma e ficam embromando até a pessoa se cansar”.
O sueco Adrian Shompear está em Natal pela primeira vez e hospedado em Jenipabu. Sua primeira impressão é de uma cidade animada e fácil de caminhar mas o inglês cria um muro entre ele e os nativos. “Estou gostando muito daqui, mas não consigo me comunicar fácil com as pessoas”, conta o sueco.
No aeroporto, Joelma Dantas que trabalha na livraria e fala pouco o inglês diz não sentir dificuldades em trabalhar diretamente com os estrangeiros. “Eles me perguntam sempre a mesma coisa e a gente acaba aprendendo a comunicação”. Ironicamente o que a livraria mais vende atualmente é um dicionário de inglês e português, além dos guias turísticos. “Vendemos muitos mapas e guias. Os estrangeiros já chegam direto neles”.
Patrícia Câmara que trabalha em uma das lojas do aeroporto há 6 anos disse que nunca fez um curso de inglês, sente dificuldade, mas não perde nenhuma venda por isso. “Os estrangeiros terminam se acostumando com isso. A gente consegue se comunicar assim e eles entendem”, acredita.
No café o cardápio só vem escrito em português e grayce Kelly qye trabalha há 3 meses diz sentir muita dificuldade em vender os alimentos. “Sinto dificuldade todos os dias e termino chamando alguém para me auxiliar. Isso é chato porque parece que a gente cria uma barreira diante da outra pessoa”, avalia.
Do lado de fora do aeroporto, essas histórias se repetem por placas, avenidas, praias, lanchonetes, restaurantes. Nenhuma sinalização, nem a faixa de travessia do lado de fora do aeroporto vêm escrita em inglês. Uma funcionária do aeroporto que não quis ser identificada disse que isso é uma bobagem. “Eu acho que o turista de outro País deveria saber falar um pouco de português. Quando a gente vai lá fora ninguém vai nos receber com a nossa língua. Me desculpe, mas eu não faço o menor esforço para isso”, disse.
Na praia de Jenipabu nenhum atendente das barracas fala inglês. Roberto Horiath, diretor da Associação dos proprietários de buggy da praia de Jenipabu disse já ter perdido um passeio por não conseguir se comunicar. “Eu trabalho com isso há15 anos e hoje falo muito bem o inglês e o espanhol, mas me lembro de não ter conseguido me comunicar uma vez. E isso pode acontecer em qualquer ramo”. Segundo ele, apenas 20% dos bugueiros dos 350 cadastrados hoje conseguem falar inglês.
Francinete Gonçalves, proprietária de uma das lojas em Jenipabu disse que nunca fez curso de inglês. “Creio que o Estado deveria investir mais nessa área. Porque é uma dificuldade enorme para todos nós. A cidade precisa se preparar melhor para receber seu turista. Lembro que há cinco anos houve um curso oferecido pelo SENAC, mas nunca mais isso aconteceu”, lembra.
Sectur prevê dias melhores
A expectativa da Secretaria Municipal de Turismo é que a ocupação dos hotéis esse ano chegue a 90% do total, ou seja, 8% a mais do que o registrado ano passado no período de dezembro até março.
De uns cinco anos para cá, Natal se tornou a rota turística de maior procura tanto no Brasil quanto na Europa. Além da cidade ser reconhecida por ter o ar mais puro das Américas, é também a cidade brasileira mais próxima da Europa em continente americano.
Toda semana chegam mais de mil estrangeiros de vários lugares do mundo. Em números, de janeiro a julho de 2007, circularam no aeroporto 924.994 passageiros, entre embarques e desembarques, segundo a INFRAERO.
Além dessas chegadas, são aguardados semanalmente turistas de vários Estados brasileiros, seja pelo ar ou pela terra.
O secretário Municipal de Turismo, Fernando Bezerril acredita que a realidade está se modificando. Durante quatro meses, aconteceu a discussão sobre as melhorias do turismo, tocando nos pontos negativos e positivos. O encontro reuniu a associação dos guias, Universidades, Pólo Costa das Dunas, Banco do Nordeste e empresas ligadas diretamente ao turismo. “Nós chegamos a um consenso com as empresas que fazem o receptivo dos turistas e chegamos a um projeto final que irá transformar essa realidade que encontramos hoje. Natal é muito procurada e precisa ter uma estrutura boa para receber a todos”, avalia. De acordo com o Secretário, Natal tem hoje 500 guias profissionais que recebem quase 2 milhões de turistas por ano. “Nós temos uma necessidade de melhorar não só os roteiros como os profissionais que estão sendo reciclados aos poucos. Sabemos de todas as dificuldades descritas pelos turistas, mas precisamos lembrar que o crescimento muito rápido traz isso, em busca de um equilíbrio”, acredita.
Segundo o secretário, o turista precisa ser amparado também pelo lado cultural, o que ficou esquecido por muitos anos. “A cidade não pode ser resumida em sol e mar, mas oferecer um roteiro turístico. A parte mais importante da cidade que é a parte cultural. O estrangeiro cobra muito isso”. Ainda segundo Bezerril, o projeto que levou quatro meses para ser concluído, é um trabalho democrático e precisa contar com a participação de todos. “Tudo isso aconteceu para ter a certeza de que erraríamos menos”.
Outra preocupação da Secretaria Municipal de Turismo é com a chegada dos turistas pelas estradas. “Nós temos uma expectativa do turismo rodoviário muito boa. Precisamos olhar também para essa parte, que sempre é esquecida. Melhorar as sinalizações e rodovias é uma meta que precisamos ter”, acredita.
Para finalizar o secretário disse estar comemorando a última pesquisa que revelou que Natal foi considerada a cidade de longevidade. “Temos várias comendas, ar mais puro da cidade, menor índice de violência do Brasil, entre outras coisas, por isso precisamos superar urgentemente todas essas dificuldades para que o turista saia daqui satisfeito”.
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