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PESQUISA - Luis Marcos, professor-doutor da UFRN revela que o trabalho começou no ano de 1997 Edilson Damasceno - Jornal de Fato
Já imaginou estar assistindo algo na televisão e interagir com a programação? Se a resposta for “não”, está na hora de se atualizar. A chegada da TV Digital (TVD), cuja novidade foi lançada no domingo passado, vai possibilitar o que se via nos filmes. É com essa visão que uma parceria envolvendo três universidades e um Centro Federal de Ensino Tecnológico (CEFET) vem sendo desenvolvida, objetivando o desenvolvimento de pesquisa relacionada ao Ginga - midware desenvolvido no Brasil e que ainda precisa de aperfeiçoamento para que possa haver interação entre o telespectador e o que se passa na TV.
Tudo pode parecer novidade, mas para compreender como o tema vem sendo tratado, é preciso voltar no tempo. Em 1997, com o retorno do professor Guido Lemos da PUC, do Rio de Janeiro, à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), ele trouxe a idéia de um trabalho relacionado à TV digital. Em 1999, saiu o primeiro projeto na área do videodigital.
No ano de 2002, foi montado um grupo de pesquisa. Nesse período, o professor Luiz Marcos, doutor em Sistema de Computação, chegou na UFRN e integrou o grupo. Dois anos depois saiu a primeira verba direcionada ao Sistema Brasileiro de TV Digital, cujo objetivo era definir o padrão da TV nacional com relação ao hardware e software utilizados no modelo analógico e transformá-lo em digital.
Essa pesquisa contou com doutores da UFRN, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A duração estimada pelo Governo Federal seria de 24 meses, mas veio a determinação para que o trabalho fosse executado em 10 meses. O resultado, contudo, saiu em oito meses. Em 2005, segundo o professor Luis Marcos, passou-se a trabalhar o sistema operacional da interface gráfica - dispositivos de drivers. No ano seguinte, a verba foi suspensa e a pesquisa, conseqüentemente, parou.
No ano passado, o governo voltou a discutir a questão da definição do padrão da TV brasileira, e graças ao primeiro projeto, o resultado foi lançado no domingo passado, embora em fase experimental. Esse primeiro projeto teve a participação de cerva de 800 professores doutores. Ainda no ano passado, novos projetos surgiram para dar seqüência à linha da TV digital.
Voltando ao que foi dito no primeiro parágrafo, da interação envolvendo o telespectador e a programação televisiva, o que o professor-doutor Luis Marcos planeja é montar uma linha de pesquisa - seguindo os moldes da TV digital - envolvendo a UFRN, UERN, UFPB e o Cefet da Paraíba com vistas à obtenção de apoio e recursos dos órgãos de fomento à pesquisa, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (Capes/MEC), para formar mestres e doutores na área para que se possa, posteriormente, trabalhar na definição de um sistema que possa permitir a interação.
O professor explica que o midware é peça fundamental para que possa haver interação. E exemplifica: “Se o telespectador está vendo determinado programa e se interessa por determinado produto, é só clicar que terá todas as informações sobre preço e onde comprar”, diz. Nesse sentido, Luis Marcos acrescenta que é justamente a ginga que vai possibilitar tal coisa. “Sem o midware, o televisor só receberá o sinal, mas não vai interagir”, afirma.
Grupo buscará apoio de órgãos de fomento do MEC
A proposta para a formação de um grupo de pesquisa envolvendo as unidades de ensino superior e o Cefet já está em processo de elaboração para ser enviada aos órgãos de fomento. O professor-doutor Luis Marcos informa que já se trabalha quatro alunos nesse sentido, de dar continuidade aos trabalhos.
Por divisão da linha de pesquisa, a UFPB tem maior ligação com o midware, enquanto que a UFRN direciona à aplicação e produção de conteúdos digitais e aplicações interativas. O Cefet/PB com o videodigital. A Uern, através do mestrado em computação, onde um aluno do professor Luis, Aquiles Burlamaqui, trabalha na pós-graduação.
O problema é que se precisa de recursos para iniciar esse projeto. O professor diz que se buscará fomento de bolsas de pesquisa junto à Capes e à Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), do Ministério da Educação, com vistas à formação de três a quatro doutores, e de quatro a cinco mestres, além de assegurar verba à aquisição de equipamentos, pagamento do pessoal envolvido, realização de workshop para difundir a pesquisa. Tudo é novidade. E é com esse pensamento que se projeta bons resultados de mercado a partir de agora. O professor Luis Marcos explica que o trabalho que se pretende realizar, além de formar profissionais na área e que podem, posteriormente, investir no negócio, vai trazer retorno às universidades. É que se pensa em patentear idéias, tal qual o que foi com a torcida virtual.
“A perspectiva de mercado é boa”, diz Luis Marcos, acrescentando que as empresas ainda não se deram conta de que existe uma abertura considerável nesse mercado. Contudo, frisa que na hora em que as emissoras de TVs perceberem que o retorno financeiro é certo, investirão na qualidade do que chegará ao telespectador.
Uern tem interesse em parceria
O reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Milton Marques de Medeiros, admite que existe um início de conversa sobre a parceria com as outras instituições de ensino superior (IES) acerca de uma linha de pesquisa direcionada à TV digital. “Precisamos conversar mais. Ainda não se tem dados suficientes e precisamos abrir a discussão com outras universidades”, comenta.
Segundo ele, havendo entendimento sobre o projeto de midware, é necessário um entrosamento entre os reitores para que se especifique o contrato, bem como a verba específica que se vai trabalhar. “De nossa parte existe a disponibilidade de parceria”, garante.
O reitor da Uern explica que a TV digital apresenta softwares que, embora japoneses, estão acrescidos por pesquisas da UFPB e da USP. “Estamos iniciando as discussões, mas temos interesse nessa parceria. É uma coisa para o futuro, mas já existe”, diz.
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