Agora você já pode ler a tribuna em versão FLIP
Ir para página inicial
  • Natal - 21°Natal - 21°

Natal

Natal, 29 de Julho de 2010 | Atualizado às 22:48

Audiência define futuro da República das Artes

Publicação: 19 de Fevereiro de 2008 às 00:00
tamanho do texto A+ A-
Lenílton LimaPrédio - Procurador Fábio Venzon quer uma solução definitiva sobre a ocupação do prédio pelos artistasPrédio - Procurador Fábio Venzon quer uma solução definitiva sobre a ocupação do prédio pelos artistas

Yuno Silva - Especial para a TN

O encontro realizado na manhã de ontem entre artistas, gestores públicos da área cultural, representantes da OAB, do Cefet-RN, da UFRN, do Departamento de Patrimônio Público e do Ministério Público, pode ter definido o futuro da República das Artes – nome de batizo do espaço cultural que funciona há dez anos no antigo prédio da TV Universitária, Cidade Alta, e que abriga cerca de 26 grupos artísticos (principalmente grupos de teatro).

A Audiência realizada na Procuradoria Geral da República, sob mediação do Procurador Fábio Venzon, busca uma solução definitiva para o imbróglio que se arrasta há mais de um ano e que envolve - principalmente – o Cefet/RN, a UFRN e artistas membros da República das Artes. Toda a questão gira em torno da ocupação do histórico edifício, antiga sede do Liceu e Escola Industrial que mais tarde se transformaria na Escola Técnica Federal.

“O prédio funcionou de 1914 a 1967, quando o Governo Militar tomou o espaço e repassou para a Universidade. O Cefet/RN reivindicou a posse em 2006 e prontamente foi atendido pela direção da UFRN”, explicou o Professor Enilson Araújo Pereira, atual diretor da Unidade do Cefet Natal.

De acordo com o professor Enilson, a instituição pretende restaurar o prédio e readequar a estrutura para receber novos cursos: “Nosso projeto prevê a criação de um Centro de Formação Cultural com dois novos cursos técnicos de Produção Cultural e Restauração de Bens. A licitação já foi feita e a verba (R$ 1,2 milhão) já está liberada para iniciarmos a primeira fase - restaurar a fachada histórica e refazer toda a parte estrutural de eletricidade e hidráulica”, adiantou Pereira. “Estamos só aguardando a desocupação para iniciarmos as obras”.

Questionado sobre o futuro dos artistas, o professor Enilson informou que o Cefet/RN não tem recursos para ajudar financeiramente a República das Artes, mas que alguns cursos básicos e oficinas de curta duração podem absorver parte dos grupos. “O espaço poderá continuar sendo acessado pelos grupos através de projetos”, finalizou.

Porém a proposta é insuficiente e não condiz com a intenção dos artistas em garantir o futuro das produções que surgem ali, entre as velhas paredes do antigo Liceu. “O juiz já deu como ganha a Ação de despejo movida pelo Cefet/RN, teoricamente temos até o fim dessa semana para desocupar o prédio”, disse o poeta Paulo Varela, vice-presidente da associação República das Artes, registrada em ATA desde 2004. “Atualmente somos 26 grupos cadastrados e mais de 230 artistas... Sabemos que o prédio é do Cefet/RN, mas vamos colocar esse povo aonde?”, pergunta o poeta.

Paulo, além de trabalhar no local, também está morando por lá: “Estou lá desde 2005, investi na montagem de um palco, temos sistema de próprio de som e luz, e sempre temos recebidos grupos interessados em ensaiar, se apresentar ou mesmo fazer uma filmagem. Não estou aqui para garantir minha moradia e sim para assegurar que teremos um espaço para continuarmos criando”.

Paulo Varela, que mora na República com a família, o ator João Maria Pinheiro, do grupo Artes & Traquinagens, atual presidente da associação, realizaram – junto com outros artistas colaboradores - melhorias estruturais no prédio ao longo desses anos: “Limpamos, pintamos, ajeitamos parte das instalações elétricas e hidráulicas com recursos próprios, agora só o que queremos é a garantia de continuidade do nosso trabalho”, garante Varela.

  • 600 caracteres
  • separar os emails por vírgulas
  • 600 caracteres
  • Encontrou algum erro nesta matéria? Envie pra nós.

  • 400 caracteres

comentários

cenildo@...19/2/2008 @ 09h00
É impressionante como faz parte da cultura norte-riograndense não consolidar sua própria cultura. Por que será que um prédio caindo aos pedaços, que fora abandonado por décadas pelo CEFET/RN agora desperta interesse, para o andamento de um projeto? Não repudio a intenção da Escola, já fui aluno e componente do grupo de teatro de lá e acho que o CEFET tem um grande potencial para a formação artística no nosso estado. Entretanto, os grupos instalados desenvolveram um trabalho interessante, sem qualquer apoio da Prefeitura ou do Governo do Estado e merecem a garantia de um espaço digno. É preciso preservar o pouco que se consegue fazer pela cultura na nossa cidade. Não precisa ser do meio pra saber que as autoridades "competentes" tratam a cultura do RN como uma linda prostituta, que está a serviço dos seus interesses.
Publicidade
Publicidade
Tribuna do Norte