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Natal, 09 de Fevereiro de 2010 | Atualizado às 13:20

Poticanto: um canto 100% potiguar

Publicação: 28 de Fevereiro de 2008 às 00:00
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Depois de sentir na pele a ausência de registros dos artistas do Rio Grande do Norte, o produtor cultural Nelson Rebouças resolveu fazer a sua parte: vai transformar o projeto Poticanto, produzido por ele, em um songbook - livro com partituras e letras - reunindo letras e partituras de compositores potiguares. A previsão para o lançamento é o final do ano e dependerá de apoios e patrocínios para viabilizar a edição.

 O material, em fase de construção e ebulição, está sendo gravado nas apresentações do projeto “Poticanto” que acontece desde o ano passado, itinerante, cuja proposta é um cantor escolhe um compositor para interpretar. A apresentação de hoje fica por conta do guitarrista e cantor Amab que estará apresentando 11 canções de Bartô Galeno, no Potibar, às 21h. “Todas as apresentações estão sendo gravadas em MD, sem nenhuma mixagem ou recurso adicional. O que queremos é retirar as partituras e as letras para compor o livro”, contou o produtor Nelson Rebouças.

Com a coragem de poucos e recursos escassos, o produtor teve a idéia depois que sentiu a dificuldade dos artistas em encontrar material registrado dos conterrâneos músicos. A obra, segundo ele, é considerada inédita no Estado. “Não conheço nenhum trabalho assim no Nordeste”, disse ainda. 

“Sempre é uma peleja. Estou cansado de ver meus amigos músicos tendo que cantar composições nacionais por falta de opção. Muitas vezes, os músicos do Estado não têm acesso por existir essa ausência de um registro musical”, disse Nelson.

Foi desse desejo de ver a realidade musical do Estado transformada, que ele deu início às gravações, em 2007, mesmo sem apoio. “Depois de tudo pronto iremos procurar as editoras aqui e no Brasil afora. Espero que os órgãos públicos compreendam que esse é um apelo à memória musical da cidade”, disse Nelson.

Passaram pelo palco do Poticanto Pedro Mendes com repertório de Nelson Freire, Geraldo Carvalho com a obra de  Antônio Ronaldo, Valéria Oliveira cantando Romildo Soares, Elis Rosa cantando músicas de Pedro Mendes, Rachel cantando Elino Julião, Odaíres com repertório de Mirabô, Sueldo com a obra de Cleudo, entre outros.

“Trabalhar com música aqui não é difícil devido à qualidade impressionante musical. Mas o outro lado é cruel e rude, tanto que penso todas as manhãs depois dos shows em desistir”, conta. Essa desistência é amenizada quando o produtor encontra um artista satisfeito por participar do projeto. E esse outro lado, além da falta de apoio, é também a ausência do público nos shows. “Meu sonho é ver uma classe artística e um poder público unido em prol da arte. A música é um convite à transformação da vida”, contou.

A gravação de hoje, no Potibar é do artista Amab, que escolheu o compositor Bartô Galeno para interpretar. “O interessante é que os artistas escolhem o compositor. Assim eles vão conhecer a obra dos músicos e se encantam. Isso gera parcerias incríveis”, disse Rebouças.

Amab canta Bartô Galeno

O mossoroense Amab, que teve o auge de sua carreira nos anos 80, encontrou nas composições de Bartô Galeno descobertas de letras e melodias.  “Achei um convite inusitado. Eu vivo de meu trabalho e é um prazer mostrá-lo. Para mim é algo diferente cantar o Bartô e estou apaixonado pela música dele. Tudo é música e vale a pena divulgar e tocar”, conta o compositor Amab. 

Com um disco gravado e um novo trabalho em mãos, Amab diz não ter data para o início das gravações. “Cheguei aqui com violão e a família e hoje tenho meu cantinho. Participar de um projeto como esse é partilhar a música”, disse.

Canções do cantor popular Bartô Galeno, que ficaram imortalizadas como “Saudade de Rosa”, “Nesta Casa onde morou Felicidade”, “No Toca fitas do meu carro”, estão recebendo roupagens novas através do olhar de Amab. “Vai ser um show bem romântico, os caras chamam de brega, mas eu não gosto de titular, música é universal”, diz.

  Amab acredita que a proposta do lançamento de um Songbook será um passo para manter a memória musical do Estado. “Foi uma verdadeira batalha conseguir as canções de Bartô Galeno. Fiz inúmeras pesquisas e senti dificuldade.  Não tenho dúvida que vai ajudar na memória musical da cidade, nós precisamos de coisas assim”, disse, acrescentando que o songbook pode dar um impulso para saber “quem somos nós músicos que batalhamos musicalmente todos os dias pela arte”, finalizou.

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