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Natal, 29 de Julho de 2010 | Atualizado às 22:48

Clima de interior

Publicação: 14 de Março de 2008 às 00:00
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Emanuel AmaralFESTA NO MATO - Estruturas com clima de interior  vêm atraíndo grande públicoFESTA NO MATO - Estruturas com clima de interior vêm atraíndo grande público

A estrutura é de cidade grande, mas o visual é de festa no interior. Tendência já solidificada em território potiguar, as festas de forró e outros ritmos saíram das emparedadas casas de shows e ganharam as fazendas e granjas espalhadas pelos distritos da Grande Natal. As estradas que vão para Parnamirim, Macaíba, Ceará-Mirim, São José de Mipibu e outras paragens mais ou menos próximas à capital são pequenos epicentros festeiros que estão fazendo o natalense  esquecer do dia-a-dia cinzento e cair na dança no chão de terra batida. Pelo menos, até enquanto a sanfona não parar de tocar.

O novo  ponto com ar de fazenda e estrutura de alta tecnologia é a Universidade do Forró, espaço que será inaugurado com grande show neste sábado, a partir das 22h. O local foi instalado numa granja, às margens da BR-101, a um quilômetro após Parnamirim (no sentido de quem está vindo de Natal), cerca de 200 metros. A noite de abertura contará com shows das bandas Brasas do Forró, Garota Safada, Forró Real e Swing do Forró. “A casa trabalha toda uma estrutura de conforto, em um ambiente que é naturalmente propício ao forró”. Diz Jarbas Filhos, diretor da casa.

A área que cerca a Universidade do Forró manteve o visual rústico, o ar puro e o verde. Mas o que foi montado no centro de tudo isso é próprio de uma moderna casa de shows da capital. O local conta com uma área de camarotes frontstage (com cerveja e bebidas ice ‘free’ para os freqüentadores da estréia), área VIP, praça de alimentação, bares, lounge, boate, além de palco com som e luz caprichados. O estacionamento é privativo e com segurança própria. A Universidade terá eventos mensais, sempre aos sábados, para o deleite dos forrozeiros modernos.

Forró da lua no Bonfim

A Fazenda Bonfim, em São José de Mipibu, é cenário para o badalado Forró da Lua há sete anos. Mas não vive só de festa. O local funciona realmente como fazendo durante todo os seus dias pós-forró. E aí está boa parte do encanto que o local tem para seu público. “Aqui não é uma fazenda de faz-de-conta. A gente cria gado e ovelha, planta mandioca e milho. Eu conheci o forró nas fazendas, o que a gente faz é conservar as raízes dessa música”, explica o proprietário Marcos Lopes.

A fazenda pertence à família de Marcos Lopes desde 1939. Os animais circulam pela área, na capoeira, e dão o clima autêntico ao local. O espaço onde o forró acontece é separado por uma cerca de varas ao estilo antigo; por dentro, tem palco, coberturas de telha e palha, algumas paredes de taipa, bancos de cimento, e os bares. Um ponto especial é o Museu do Vaqueiro, uma pequena sala que expõe vestimentas e objetos do personagem mais conhecido da cultura sertaneja. Inclusive, figuram a jaqueta, perneiras e a sela que Marcos Palmeira usou nas filmagens de “O homem que desafiou o Diabo”. O próximo forró será no dia 22, com Dominguinhos, Joquinha Gonzaga (sim, parente de Luís), e Trio Remelexo.

O Forró do Pote também surgiu de uma granja, em Pium. No começo, era apenas a casa de Zailton Tavares e sua família. “Eu fazia festinhas de São João só para amigos e parentes a partir de 1999. A coisa foi crescendo em animação, e a partir de 2003 vimos o potencial que nossa festa tinha. E nasceu o Forró do Pote”, conta. A festa cresceu, ganhou estrutura para receber um público de até duas mil pessoas, mas Zailton fez questão de manter o visual rústico original do ambiente.

Foram construídos banheiros, um salão de dança calçado, bares,  estacionamento com iluminação. Uma parte da cerca ainda é de varas, bem como, algumas casinhas de taipa e o cenário de vilas coloridas do interior para caprichar no visual. As fruteiras da granja foram conservadas e receberam lâmpadas incandescentes, dando uma tonalidade mais interiorana. O cardápio do forró conserva os quitutes juninos durante todo o ano, como pamonha, canjica e milho, ao lado de paçocas e quetais. Na próxima festa, dia 05 de abril, será inaugurada a nova ‘cascata’ do pote — que pode ser um banho de bica para os freqüentadores mais animados.

No Facho, com cachaça e forró

Forró e cachaça: uma combinação da gota serena. É o que acontece neste sábado, a partir das 20h, com a 9ª edição do Festival da Cachaça, que pela primeira vez será na fazenda onde se realiza há dois anos e meio o Forró no Facho. Aliás, o evento será uma combinação dos dois, para beber e dançar. “A fazenda é o espaço ideal para o festival. Ano passado tivemos problema com espaço. A fazenda do Facho comporta até 10 mil pessoas, e a nossa expectativa de público é de seis mil”, diz a organizadora Míriam Cerutti. 

A trilha sonora terá música de  Waldonys, Messias Paraguai e  Lindos do Forró. Para beber: 20 estandes, oferecendo caninhas da Paraíba, Pernambuco, Minas Gerais e Rio Grande do Norte (que comparece com 10 marcas), além dos petiscos que acompanham bem as bebidas.

A fazenda Olho D´Água, em São José de Mipibú, também  promove a sua festa da cachaça unida ao forrozão, neste sábado, às 20h. No som estão Targino Gondim (BA), Fuxiqueiros do Forró, e trios de sanfoneiros diversos. A ‘branquinha’  será free a noite inteira. Vendas antecipadas a R$14, no posto Novo Horizonte e nas lojas Cantão. 

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