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Natal, 29 de Julho de 2010 | Atualizado às 22:48

Poetas elétricos preparam novo disco

Publicação: 09 de Abril de 2008 às 00:00
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João Maria AlvesMÚSICA - Os Poetas Elétricos em recente apresentação no Sebo VermelhoMÚSICA - Os Poetas Elétricos em recente apresentação no Sebo Vermelho

A síndrome de Peter Pan não acometeu os Jovens Escribas. Depois de abrir um novo canal  para a literatura do Rio Grande do Norte, lançando em conjunto contos, romances e poesia de jovens escritores, o grupo - hoje formado por homens adultos — acaba de abrir o leque para outra arte: a música. Com o selo Jovens Escribas, eles tecem as linhas musicais do segundo Cd dos Poetas Elétricos, intitulado “Estirado no Estirâncio”. Numa parceria que abraça a literatura e a música, os Jovens se aventuram numa nova alternativa abraçando os Poetas Elétricos, que aliás fizeram questão de ir para longe dos holofotes das Leis de Incentivo à Cultura.

Composto por Carlos Cavalcanti, o Carito,  Michelle Régis e Edu Gomes, os Poetas Elétricos deram início às gravações do disco há três anos, quando participaram do “Cosern Musical”, em 2005. Desse tempo para cá, muitas areias foram molhadas pelo mar de idéias, assim como o nome do disco. Assim, experimentaram canções e poemas que resultaram na gravação de 26 “poemúsicas”, como eles chamam suas obras. 

O disco deverá ser vendido ainda esse semestre em livrarias e sebos da cidade e está sendo bancado pelo próprio bolso dos integrantes. “Preferimos ficar longe das Leis de Incentivo. É ótimo que elas existam, apesar das adversidades, mas as leis trazem um apelo regional que a gente não quer se prender a isso. Como trabalhamos de uma forma solta, mais libertário e autêntico, não queremos contextualizar nosso disco com nada”, contou o vocalista, poeta e compositor Carito.

Segundo ele, o nome do disco é uma brincadeira com as palavras. “Geograficamente falando, o Estirâncio é a faixa de terra que fica na areia quando o mar deixa a terra. Usamos isso como simbologia dessa parte que a gente encontra na praia vazia e que se transforma, que representa para nós um vazio fértil e é assim que a gente parte para a nossa filosofia de trabalho”, conta.

A filosofia do trabalho assim como o disco é não saber o que irá acontecer música após música, poema após poema. “Nossa criação é trabalhada com jogos de palavras, idéias, aliterações, palavras com sonoridade, ritmo e criações aleatórias, assim como estudadas e experimentadas”, disse.

Os Poetas Elétricos trabalham o diálogo entre o som e a palavra. “Nossa música possui dinâmicas que podemos tanto tocar no rádio, como em peças de teatro como uma faixa louca que pode ser de vanguarda. Fazemos misturas de coisas experimentais e também de outras coisas, uma linha mais pop. É bem intuitivo nosso som”. 

O disco foi gravado com o estúdio móvel próprio do grupo e finalizado no Megafone, num processo que durou mais de seis meses de criações e recriações. “A obra tem vida própria, independente do criador e deixamos que o próprio disco fale para a gente. Mudamos a freqüência do disco umas cinco vezes e mexemos não só nas poemúsicas mas fomos moldando o disco como um todo”.

Os Poetas utilizam recursos eletrônicos e acústicos em suas composições e assim como as letras e as músicas, a parte estética é pensada. “Michelle é quem cuida dos nossos figurinos e temos a preocupação com o estético como um todo, desde as projeções até os cenários. É o que chamamos de uma musical visual”. Participam do CD Antônio de Pádua ( trompete e cavaquinho), Mirabô Dantas (composição), Júnior Primata (baixo), Miguel Sampaio, Dona Francisca (do Megafone) e Sophia (filha de Michelle e Edu), que  participou de uma das faixas chamada “A Lua de Lia”.

Saiba Mais

O encontro dos Poetas Elétricos com os Jovens Escribas aconteceu depois da amizade de Carito com o Escriba Daniel Michoni (autor de “Escolha seu Título”), quando os dois, amantes das palavras, se encontravam para recitar e trocar idéias. “Depois que o Mudermage (selo do primeiro disco dos Poetas Elétricos) acabou, passamos a ter uma relação de amizade artística com os Jovens Escribas, principalmente com o Daniel Minchoni que eu sempre admirei por brincar com as palavras e ter recursos literários”, contou Carito.
 Nesse tempo, o Daniel fez a parte gráfica do primeiro disco dos Poetas. “Logo depois conheci o Carlos Fialho (autor de “Verão Veraneio” e “É tudo Mentira”) e nessa conversa vimos que seria interessante unirmos os dois lados e lançar o disco por um selo literário, porque a gente traz essa ambigüidade por ser um trabalho de literatura musical”, lembra o compositor.

Segundo Carito, o selo casa bem com a idéia de espontaneidade do grupo, ao mesmo tempo que existe a preocupação com a estética. “Mesmo com a internet eles não abrem mão do livro impresso, assim como nós não abrimos mão do disco”. E completa: “Sentimos essa linguagem tão próxima da música e da poesia, assim como os Escribas sentem o desejo de abrir novas linguagens, como vídeo e também abrir o leque de escritores, como é o caso de Ney Leandro de Castro, que entrará em breve para o time dos Escribas”, finalizou.

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comentários

mudernage@...13/4/2008 @ 02h28
Ao contrário do que diz o texto "a Mudernage não acabou", está é expandindo horizontes passando assim também a atuar em outros segmentos culturais além do da música. Quando Os Poetas nos procuraram para ver possibilidades de lançamento de seu CD pela Mudernage o que informamos foi que não nos era momento adequado para estar fazendo novos projetos de lançamentos em CD, pois, o nosso foco estaria "por um período" com viés mais tendencioso a ações culturais que não fossem lançamentos de CDs. confiram mais no site da Mudernage que foi atualizado recentemente www.mudernage.com.br
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