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CHUVA - Moradores são resgatados durante temporal que atingiu a cidadeO natalense ontem se assustou de verdade. A quantidade de chuva que caiu sobre a capital causou inúmeros transtornos em todos os bairros, alguns de dimensões jamais vistas. Somente pela manhã, o Corpo de Bombeiros recebeu exatos 202 chamados, relativos a problemas causados pelas águas - frutos também do pavor que tomou conta de toda a cidade.
Pelo menos oito famílias ficaram desabrigadas e precisaram ser realojadas, além de dezesseis idosos de um abrigo em Nova Cidade, que precisou ser interditado. Pelo menos duas lagoas de captação transbordaram. Dezenas de pontos de alagamento e centenas de novos buracos foram registrados nos quatro cantos da cidade.
O trânsito ficou caótico. Por volta do meio-dia, era difícil ir a qualquer ponto de Natal sem esbarrar em uma grande lagoa em via pública ou um congestionamento. Carros particulares e até ônibus ficavam na enxurrada, alguns, cobertos quase até o teto. Felizmente, não houve nenhum desabamento de casas ou vítimas fatais.
Os estragos foram tantos, embora de menor proporção, que hoje é que a Prefeitura Municipal deverá fazer um estudo completo de tudo que foi destruído. Isto se a chuva parar, ou pelo menos não cair na mesma proporção de ontem. “Aí é que a gente vai poder fazer uma avaliação completa, pois vai dar pra ver todos os buracos, por exemplo”, disse o secretário municipal de Obras e Viação, Damião Pita.
Aliás, o secretário Pita avaliou que as avarias não foram tão grandes assim. Segundo ele, o maior problema mesmo foi o trânsito, atrapalhado pelos alagamentos e buracos. “Com essas chuvas, o asfalto antigo, que é trincado, faz com que a água penetre. O asfalto fica amolecido e com o peso dos carros, acaba cedendo”, explicou.
A secretária-adjunta municipal do Trabalho e Assistência Social, Ilzamar Pereira, contou que técnicos da secretaria estão de prontidão, atendendo às ocorrências mais urgentes. “Temos o nosso plantão social, que já atendeu várias chamadas. Estamos colocando as famílias desabrigadas em creches no mesmo bairro. Se as chuvas não passarem agora, a prefeitura pode até alugar algumas casas para os desabrigados”.
No fim da tarde de ontem, o prefeito Carlos Eduardo Alves comandou uma reunião com representantes de várias secretarias para que relatórios fossem passados a ele, e com isso, uma força-tarefa fosse organizada. “Choveu em uma hora o que deveria chover num mês. Mas podemos dizer que a situação está controlada”, disse.
O prefeito informou que os técnicos estarão vigilantes e que o trabalho de limpeza das galerias será intensificado. Ele destacou problemas ocorridos no Passo da Pátria, em Morro Branco, Nova Descoberta e Cidade da Esperança, onde vai haver o aumento do número de bombas. Carlos Eduardo disse que não haverá necessidade de um incremento de recursos para os reparos, já que a prefeitura trabalha com verbas já previstas para problemas com chuvas.
Casas à margem da BR-101 são alagadas
“O que adianta. Da outra vez você também filmou e não deu em nada. Não adianta, porque ninguém resolve isso”. Foi assim, demostrando revolta, que uma moradora de Potilândia, nas imediações do viaduto do Complexo Viário do 4º Centenário, reagiu ao ver a equipe da TN. Ela teve a caas invadida pelas águas e já não sabe a quem recorrer.
O trecho alaga nas chuvas de maior intensidade e acaba interronpendo o tráfego na BR-101, no sentido Sul/Centro, e a rua marginal. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que na manhã de ontem o trecho urbano da BR-101 chegou a ser interditado em quatro pontos: em Potilândia, no túnel de Candelária, nas imediações do Carrefour e em Emaús.
O cenário mais crítico foi o de Potilândia devido ao intenso tráfego de veículos. A PRF teve trabalho para desviar o trânsito para o Campus da UFRN e pelas ruas do bairro. O congestionamento chegou a se estender do viaduto ao Natal Shopping.
Mais adiante, em Mirassol, nas imediações do Carrefour, o tráfego chegou a ser parcialmente interidato no sentido Sul/Centro da BR-101. Parte da fachada de uma loja que faz manutenção de veículos no estacionamento do Carrefour cedeu. O local foi parcialmente interditado.
Lixo obstrui galerias e aumenta problema de alagamentos nas vias marginais da BR 101.
Caos em vários pontos da cidade
O caos provocado pela forte chuva na manhã de ontem foi sentida nas principais ruas da capital. Na avenida Miguel Castro, parte do asfalto cedeu e uma das faixas de trânsito teve de ser interditada, ao lado da Lagoa de São Conrado. Operários que iriam iniciar os reparos no local aguardavam o temporal cessar, mas a expectativa era de que o grande volume d’água que descia para a lagoa levasse um trecho ainda maior da pista, causando temor entre os moradores das residências próximas.
Trechos das avenidas Romualdo Galvão (próximo ao colégio CEI) e Bernardo Vieira (em diversas áreas) também ficaram intransitáveis, enquanto um verdadeiro rio descia ao lado da linha férrea, nas proximidades do hospital Giselda Trigueiro, nas Quintas. Já na Capitão Mor Gouveia, perto do terminal rodoviário da Cidade da Esperança, por volta das 10h poucos veículos se aventuravam a enfrentar a lagoa formada no local. Enquanto isso, mesmo os veículos de grande porte que tentavam atravessar o cruzamento da Nascimento de Castro com a Doutor José Gonçalves, em Lagoa Nova, tiveram de ser empurrados para sair do lugar.
Perto da Praça das Flores, em Petrópolis, vários carros ficaram sob a água que alagou o cruzamento das ruas Afonso Pena e Seridó. Na Ruy Barbosa, em Morro Branco, os motoristas utilizavam a contramão para fugir dos trechos inundados.
Aulas são suspensas em várias escolas
Várias escolas decidiram públicas e particulares decidiram suspender as aulas e liberar as turmas ainda na manhã de ontem, diante dos problemas causados pelo aguaceiro. No Marista, o forte vento levou a chuva para dentro das salas. Já no Salesiano, parte do teto da cantina veio abaixo. Cei e Farn foram outras das instituições que também determinaram o cancelamento das aulas no dia de ontem. No Hospital Itorn, em Petrópolis, parte da cobertura de gesso do saguão de entrada do Pronto Socorro desabou, por volta das 9h30. A área foi interditada e um aviso afixado anunciava que não seriam permitidas visitas no dia de ontem.
Além do prejuízo material causado pela queda de parte de um telhado da quadra de esportes da Escola Estadual Senador Dinarte Mariz, em Mãe Luiza, a sua diretora Marineide Santos foi obrigada a chamar a polícia para resguardar o local devido a iminência de saque.
A diretora Marineide Santos disse que o teto do quadra de esportes caiu pela madrugada, devido as fortes chuvas, e explicou que o material, por ser todo de alumínio, chama a atenção de saqueadores para a vendê-lo a sucateiros.
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