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São Paulo (AE) - A doença de Chagas avançou no último ano na região amazônica, área antes considerada livre do problema, e na forma oral, ou seja, relacionada ao consumo de alimentos contaminados, como açaí e cana-de-açúcar - e não à transmissão por picada de inseto. Mais de cem casos agudos da doença, que pode afetar o coração e matar, foram registrados, a maioria no Pará, pelo consumo de açaí. Os produtos pasteurizados (industrializados) não oferecem risco.
O Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, que acompanha surtos e emergências, aponta os casos de doença de Chagas aguda como um dos mais comuns no País nos últimos dois anos. Há suspeitas também no Piauí e na Bahia. Desde 2006, a forma de transmissão oral passou a ser considerada relevante pelos órgãos de saúde. Até então, a preocupação era apenas com a transmissão vetorial, pela picada do inseto conhecido como barbeiro (triatoma) contaminado pelo protozoário causador da doença, que costuma infestar as casas das vítimas.
Na transmissão oral, o inseto contaminado ou suas fezes são triturados ou processados em alimentos consumidos crus. “A estratégia agora é diferente, o barbeiro não é domiciliado, a região não é de mata e existe uma quantidade de outros tipos de triatomas envolvidos. Ainda não sabemos qual é o fator que pode explicar isso, se é o alimento ou o vetor, existe um ponto de interrogação. É uma doença que nunca tivemos, que mudou seu padrão epidemiológico”, afirma a Coordenadora da Vigilância de Doenças Transmitidas por Vetores do Ministério da Saúde, Rosely Cerqueira.
Ela lembra que, por coincidência, em 2006 o País havia recebido certificado por ter eliminado a transmissão por um tipo de barbeiro. Um ano antes, em 2005, porém, houve o primeiro surto de transmissão oral, que ganhou grande destaque no País, após o consumo de caldo-de-cana contaminado em Santa Catarina.
A Secretaria Estadual de Saúde do Pará aponta problemas na manipulação de alimentos e o desmatamento como possíveis causas do avanço da doença. Nos 86 municípios listados no Pará como prioritários para o combate à doença, há incentivos à produção do açaí, além de alterações das condições ambientais, favorecendo a invasão de casas pelo barbeiro ou ataques ao ar livre e contaminação da comida.
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