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CASAMENTO - Maria Gorete e Anderson explicam a filosofia do Encontro de Casais da Igreja
Encontrar o par ideal não é a parte mais difícil de um relacionamento a dois. O casamento apresenta ao homem e à mulher desafios diários que precisam ser resolvidos com muita sabedoria. E, na maioria das vezes, é nessa hora que começam os conflitos porque alguns casais não sabem lidar muito bem com a situação. Muitos descobrem no Encontro de Casal com Cristo (ECC), o caminho para uma união com amor e harmonia.
“Há uma diferença muito grande desde que fizemos o ECC. A gente conseguiu proporcionar mais alegria para a nossa família. Ele bebia muito, era cabeça dura e isso não permitia que existisse diálogo entre nós dois e nem com os nossos filhos. Hoje nós colocamos Deus e a família em primeiro lugar e somos muito felizes por isso”, disse a dona-de-casa Gorete Barros, que, em 2003, participou do ECC com o marido Aderson.
Assim como eles, vários outros casais têm histórias como essa, onde o Encontro ajudou a fortalecer os laços do matrimônio. “O Encontro de Casais com Cristo é um serviço da Igreja, em favor da evangelização das famílias. É uma força renovadora na vida dos casais para que se reencontrem com eles mesmos, com os filhos, com a comunidade e, principalmente, com Cristo”, explica o dirigente espiritual arquidiocesano do ECC, Padre Valdir Cândido de Morais.
Aqui no Estado, o primeiro ECC foi realizado em 1979. E nesses 29 anos mais de 12 mil casais de 37 paróquias já fizeram o Encontro. Apesar de todo esse tempo, ainda existe um clima de mistério envolvendo o ECC. Os casais que já participaram mantêm sigilo sobre o que acontece nos três dias do evento. “É preservado o sigilo de tudo que acontece, mas não é nada demais. É para que tudo seja novo e para que o casal não crie nenhuma expectativa a respeito do Encontro”, conta Padre Vicente.
O ECC é desenvolvido em três etapas distintas, cada uma com características e finalidades próprias. Uma etapa prepara a outra e deve ser observada a partir de um crescimento de seus integrantes e de sua comunidade. O Padre Valdir define que a primeira etapa é a da curiosidade, é o chamamento aos casais afastados da Igreja. A segunda é a formação, onde o casal vai refletir sobre o verdadeiro sentido da fé batismal, para que ele viva plenamente a mensagem de Jesus Cristo.
A última etapa é a da ação e propõe uma reflexão profunda do homem que vive numa sociedade cheia de injustiças, de opressão, de miséria, de egoísmo, de dominação e de marginalização; leva os casais a refletirem sobre a dignidade da pessoa humana e seu relacionamento com os outros homens, bem como as injustiças sociais.
Para participar do ECC é preciso que o casal seja convidado por outro que já tenha feito o Encontro. Mas nem sempre os casais aceitam o convite com facilidade. “Houve uma certa rejeição quando nos convidaram. Tanto que eu estava indo à casa do casal para dizer que não aceitaríamos, quando me deu um ‘estalo’, eu dei meia volta e disse para o meu marido que deveríamos fazer porque se bem não fizesse, mal é que não iria fazer”, conta a empresária Cristina Macêdo, casada há 24 anos com Anibal Macêdo.
Apesar de ter aceito o convite, o casal, na época, não levou a idéia muito a sério. Tanto é que no primeiro dia do Encontro eles chegaram atrasados porque estavam no shopping. “O ECC foi um divisor de fases nas nossas vidas. Antes o nosso Deus era o dinheiro e as coisas materiais. Agora encontramos aquilo que estava faltando na nossa vida de casal, que era Jesus Cristo”, conta Anibal que participou do ECC em 1997, quando tinha 13 anos de casamento.
Outros casais não esperaram tanto tempo e aproveitam o início do casamento para participar do Encontro. Foi o que aconteceu com Ana Maria e Fernando Macêdo, que fizeram o ECC em 2006, quando estavam com quatro meses de casamento. “O ECC é uma força a mais para levarmos o casamento adiante”, conta Ana Maria.
Com o casal de médicos Socorro e Marcos Galvão foi parecido. Eles fizeram o ECC em 1984, em Santa Cruz, quando estavam com três anos de casados e ainda continuam envolvidos no Encontro. Hoje eles são o Casal Arquidiocesano do ECC. Eles são uma espécie de orientadores de todos os casais”.
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