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Política

Natal, 29 de Julho de 2010 | Atualizado às 22:48

Procurador diz que houve excesso na Operação Hígia

Publicação: 29 de Junho de 2008 às 00:00
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O procurador geral do Estado, Francisco Sales, avalia que houve excesso na Operação Hígia — deflagrada no dia 13 de junho para apurar supostas irregularidades em contratos de terceirização da Secretaria de Saúde — no momento em que a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em órgãos do governo estadual sem autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). Para Francisco Sales, as buscas nos prédios do governo não poderiam ser autorizadas por um juiz de primeiro grau. Precisaria de uma decisão de um ministro do STF. “Se não houve abuso, pelo menos houve excesso. Para nós falta competência ao juiz federal de primeiro grau. Essa competência, ao nosso ver, é do Supremo”, afirma o procurador. No momento em que foram cumpridos mandados de busca e apreensão em prédios estaduais, afirma o procurador, ocorreu uma intervenção. E a Constituição só permite intervenção se for determinada pelo STF. Ele também comenta o fato de uma procuradora do Estado está entre os investigados pela Polícia Federal na Operação Hígia. “Não é confortável para nós. Mas isso é um problema que o membro da Procuradoria Geral do Estado vai ter de responder”, comentou.

Qual a avaliação que a Procuradoria Geral do Estado, do conselho de procuradores, fez com relação à Operação Hígia?

Fizemos uma reunião do Conselho Superior do Procuradoria do Estado não para avaliar a Operação Hígia em si. Foi para avaliar a atuação da Polícia Federal na Procuradoria. Não pela Operação propriamente. Mas por entendermos que aquela Operação, que diz respeito aos órgãos públicos estaduais, só poderia ser deflagrada com autorização do Supremo Tribunal Federal.

Por quê?

Isso é constitucional. O que houve ali foi uma intervenção da União no Estado do Rio Grande do Norte. Como foi feito na operação recente agora (Operação João de Barro), relativa aos recursos do PAC, onde o Supremo autorizou uma parte das buscas e apreensões nos órgãos públicos. Este mesmo tratamento teria de ser dado ao Rio Grande do Norte.

Então, houve abuso?

Eu acho que houve. Se não houve abuso, pelo menos houve  excesso. Para nós falta competência à Justiça Federal, o juízo federal de primeiro grau. Essa competência, ao nosso ver, é do Supremo Tribunal Federal. Não é confortável para nós, mas isso é um problema que o membro da PGE vai ter de responder.

Também foi considerado que a atuação da Polícia Federal na PGE causou constrangimento e descontinuidade do trabalho?

De qualquer forma, sendo pelo Supremo ou sendo pela Justiça Federal, haveria descontinuidade. Nós irresignamos pelo o fato de ter essa operação na PGE sem ter sido autorizada por quem de direito. No que diz respeito à Operação em si, a Polícia Federal fez seu trabalho porque foi mandado fazer. Fez o seu trabalho e não temos nada a reparar pelo fato da Polícia ter vindo. Dentro do que foi determinado, eles fizeram. Isto provocou a descontinuidade do serviço. Ainda hoje a Secretaria de Saúde está altamente prejudicada pelos processos apreendidos, pelos computadores que ficaram — que a gente já liberou uma parte. Tudo isso atrapalhou a continuidade do serviço. De outro modo também entendemos que não era necessário aquele tipo de ação porque os computadores do Estado estão aqui. É só requisitar a informação. Nós jamais nos negaremos — e jamais nos negamos — a prestar qualquer informação. Os processos estão todos aí, são públicos e podem ser requisitados e copiados. Mas o fato é que a apreensão dos processos está prejudicando o estado e causando prejuízo.

O senhor não acha que foi feita dessa forma já com o objetivo de evitar que a procuradora envolvida tomasse conhecimento da investigação?

De repente, se isso tivesse sido analisado pelo Supremo Tribunal Federal, não teria havido isso. E se tivesse havido, talvez não fosse feito dessa forma. Poderia aprender os materiais... Como fizeram, por exemplo, a própria Polícia liberou para nós a cópia dos nossos HDs. Agora, dos processos ainda não foi liberado nada. Então isso prejudicou bastante a continuidade dos serviços desenvolvidos.

O senhor considera constrangedor também o fato de haver uma procuradora estadual envolvida com os fatos investigados?

Não é confortável para nós, mas isso é um problema que o membro da PGE vai ter de responder. Dizer que isso é confortável para nós, não é. Mas se a conduta dela está sendo investigada, esse não é o ponto. O ponto para nós é a interferência da União aqui no Estado.

O secretário de Comunicação do Estado anunciou que todos os envolvidos seriam afastados. Com relação aos dois membros da Procuradoria citados, o que foi feito? A procuradora pediu férias e foi afastada da comissão de licitação? E com relação ao servidor?

Com relação a esse rapaz (Francinildo Rodrigues de Castro) ele não é funcionário nosso. Ele não é servidor nosso. Passou aqui uma época e eu mesmo o exonerei. Faz mais de ano. A procuradora ela não tem nenhum  a razão para se afastar de coisa nenhuma, a não ser da comissão (de licitação) que ela presidia. Nós retiramos ela da comissão.

Mas ao final das férias ela retoma suas funções?

Ela retorna. Ela é uma servidora muito dedicada. Inclusive, vários anos de férias dela foram interrompidos, então ela tem muitos dias de férias. E depois, então, os procedimentos vão correr normalmente.

A investigação trabalha sobre dois contratos que tiveram decisões favoráveis à empresa A&G. Alguma vez a Sesap pediu que a PGE recorresse das decisões, tanto em primeira instância quanto em segunda?

Não me ocorreu porque à época eu não era o procurador-geral.

Mas depois o senhor também não foi procurado?

Não. Porque a coisa estava na Justiça e me parece que — pelo que vi — não havia uma decisão que carecesse levar isso aí para os tribunais superiores. Não veio. Se tivesse havido alguma coisa da Justiça, a gente se pronuncia. A coisa ainda está em sede de decisão provisória na Justiça. E mesmo assim uma coisa é o que está na Justiça, estão considerando que há superfaturamento. Ao nosso ver não há. Tanto é que a Justiça segurou. Não há superfaturamento. A outra acusação é que os empresários faziam lobby, loteando os interesses. Então, essa circunstância eu entendo que é o tipo de coisa que termina por envolver o Estado numa situação dessas quando, na realidade, o Estado deveria parametrar os preços e valores, porque assim não interessa quem vem concorrendo. Diríamos os nossos preços e eles concorreriam.

Qual sua expectativa com relação ao final dessa Operação?

Como o Estado em si não está envolvido nisso aí...

O senhor acha que não?

Não. O Estado não. O que está sendo investigado são os agentes. Alguns agentes do Estado. Então, para nós, a única coisa que nos atinge foi o fato da busca e apreensão do material pelo fato desse pessoal ter tido algum ação neles. Essa é a única coisa. Isso aí realmente vai depender das defesas. Isso aí vai prosseguir por muito tempo. Vamos continuar batalhando pela integridade do Estado. E para que haja o respeito à democracia. Admitimos as ações públicas e investigações; e inclusive, pugnamos por elas, mas que isso seja feito de acordo com o ordenamento jurídico e em respeito ao estado democrático de direito.
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comentários

anselmocortez@...30/6/2008 @ 12h07
Nada de abuso ou excesso e, muito menos, trtar-se de "intervenção". A ordem do juiz de primeito gráu foi legítima. Estão tentando justificar o injustificável.
pjefferson@...29/6/2008 @ 21h38
E tome pizza na cabeça dos imbecis , não tem jeito mesmo institucionalizaram a inpunidade; agora quem vai preso é a Policia Federal.Não há justiça mais neste país esse negocio de DEMOCRACIA é mentira em país do terceiro mundo e sem educação não existe isso, pode ser que quando esse povo morrer aí se comece a pensar nisto, mas quando?
felialcan@...28/6/2008 @ 20h53
Como achei interessante a afirmação de que a autorização - no caso da Procuradoria do RN - teria que ser oriunda do Supremo Tribunal Federal, resolvi, por curiosidade, consultar a jurisprudência do STF no site www.stf.gov.br. O que achei? Que em se tratando de crime da competência da Justiça Federal, ainda que a busca e apreensão seja efetuada em repartições estaduais e/ou municipais, a competência é, sim, do juiz de primeiro grau, e que não há enquadramento em nenhuma hipótese de competência originária do STF. E mais: é bom que se diga que a operação João de Barro só teve que ser autorizada pelo STF porque contava, dentre os envolvidos, com deputados federais, o que não é o caso da operação Hígia (pelo menos ao que se sabe). Essa de querer comparar uma com a outra não convenceu. A população não merece ser enganada. Acho que os fatos talvez não estejam sendo retratados com a necessária correção fática e, principalmente, jurídica.
marciagomesrosario@...29/6/2008 @ 08h35
Lógico, mas excesso de dinheiro levado, mais do q o prêmio da megasena. Percebo isso no Walfredo tdos os dias...aquele amontoado de "gente" em macas duras nos corredores, por falta de leitos! Isso dói na alma e me deixa cansada, desmotivada. Aliás mtos profissionais do Walfredo estão doentes, saturados...O ministério do trabalho poderia verificar o regime de escravidão q tá ocorrendo, ningúem pode tirar férias, licença prêmio...de q adianta profisionais de corpo presente, mas c o raciocínio "embotado" de cansaço???
erivan.oliveira@...29/6/2008 @ 11h14
Nós brasileiros já acostumamos a escandalos, seja em instituições federais, estaduais ou municipais. Mas sempre com o envolvimento de empresas privadas. Sei que algo não vai bem na saúde brasileira. Aí, tenho um parente que precisa de remédios de uso continuo que já faz dois meses que não são encontrado na rede pública. Estes remédios custam em torno de R$ 550,00 mensal. Sempre que ele procura, dizem que ainda não chegou. E nós, só temos que aceitar. Brasil tão querido, mas tão sofrido. Tenho orgulho de ser brasileiro, mas sinto vergonha de ver mediocridade de políticos.
naldo.nobrega@...29/6/2008 @ 11h23
Bom, assim fica fácil. Deixa ver se eu entendi. Quer dizer que o zeloso procurador, não satisfeito com a ordem judicial dada, pretende sofisticar ainda mais, ou seja, quer que a Polícia Federal siga meticulosamente todo um ritual investigatório complexo e burocrático dando todo o tempo possível para que os prováveis criminosos sejam alertados com antecedência e tomem suas precauções. Realmente, assim não vai mesmo sobrar culpados, seria o mesmo que esperar que os bandidos apareçam espontaneamente e se acusem. A pergunta que não quer calar é: porque tanto preciosismo, tantas filigranas jurídicas se o que está em jogo é o dinheiro publico sendo dilapidado na cara do cidadão que não suporta mais pagar pesados tributos e ver os problemas sociais cada vez mais se acumulando por falta de solução? Talvez aí esteja a explicação porque no Brasil se rouba tanto do Estado e ninguém paga por isso. Agora ficou claro. Com essa justiça boazinha e cuidadosa em tratar delicadamente o criminoso de colarinho branco, acaba que a perspectiva de impunidade confirma o velho ditado de que o crime compensa, sobretudo quando a vítima é o Estado. Na prática, temos uma justiça de primeiro mundo para uma minoria, enquanto miseráveis são julgados em ritos sumários e apodrecem na cadeia muitas vezes até por furtos famélicos!
onildo_mendes@...29/6/2008 @ 18h52
Daqui a pouco quem absorverá a culpa desse escândalo será a própria Policia Federal!... Quem não quer sair dessa reta?!... O governo do Estado quer sair ileso de uma responsabilidade sua, como outras, por exemplo a divulgada no Valor Econômico: "Dos oito Estados brasileiros que no início do ano estavam em situação pendente frente ao Ministério da Previdência porque não unificaram a gestão dos seus regimes previdenciários - Alagoas, Amapá, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, RIO GRANDE DO NORTE, Rio Grande do Sul, Rondônia e Santa Catarina - três ainda não têm a lei aprovada. O prazo para essa unificação - prevista na emenda constitucional que reformou a previdência em 2003 - acaba em 30 de junho corrente, e a sanção é o bloqueio de transferências de verbas voluntárias da União para o respectivo Estado. Entre os retardatários (RN, AL, MS), apenas dois estão em situação mais complicada: Alagoas e RIO GRANDE DO NORTE. O primeiro informa que não conseguirá cumprir o prazo e o segundo ainda não enviou seu projeto de lei de unificação para a Assembléia Legislativa. O Mato Grosso do Sul espera aprovar a lei esta semana ou antes que expire a validade de seu certificado de regularidade previdenciária. Os demais Estados já aprovaram os projetos de lei para unificar a previdência do Estado, colocando sob o mesmo regime os funcionários dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Apesar da aprovação, Rondônia e Rio de Janeiro ainda não possuem todos os dados necessários para fazer a conta básica de qualquer sistema previdenciário: qual o gasto atual e o do futuro, qual o volume de contribuições de hoje e o de amanhã. No Amapá alguns cenários já chegaram a ser traçados, mas não se sabe ainda como evitar o déficit que deverá surgir em alguns anos. O Rio Grande do Sul já tem déficit representativo e ainda não conseguiu aprovar um projeto de aposentadoria complementar. O Ministério da Previdência estabeleceu prazo até 30 de junho para que os governos estaduais e o DF aprovassem leis próprias reunindo a gestão e o pagamento dos aposentados e pensionistas. Quem não cumprir o prazo deixará de renovar o Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP). Emitido pelo Ministério da Previdência, o documento é necessário para receber recursos voluntários da União. Alagoas entrou na justiça - e por enquanto tem uma liminar que lhe é favorável - enquanto o RIO GRANDE DO NORTE espera enviar esta semana o projeto de lei à Assembléia. A situação do Estado é crítica porque a validade de seu certificado expira em 30 de junho, informa Nereu Batista Linhares presidente-substituto do IPERN, instituto de previdência potiguar. Segundo ele, os repasses voluntários federais são significativos para o Estado. "Nossa rede de saneamento é mantida com os recursos de convênios com a União." Alagoas ainda não tem sequer projeto de lei para a unificação. Mesmo assim, Ortegal Jucá, presidente da AL Previdência, instituto de previdência do Estado, defende que o descumprimento do prazo não deverá impedir o envio de recursos voluntários pela União. Segundo ele, o Estado mantém o CRP com base em liminar judicial. "Temos o certificado com validade até dezembro de 2008." Atualmente, a AL Previdência unifica apenas os funcionários dos três poderes aposentados a partir de 2005. Os anteriores têm os benefícios pagos separadamente e Jucá não sabe informar quantos aposentados estão nesse grupo e nem o déficit atual. Os pensionistas estão todos unificados e Jucá alega que o Estado ainda fará o recadastramento dos inativos. No Rio Grande do Norte o pagamento dos aposentados dos três poderes é unificado, mas a gestão é separada. "A concessão das aposentadorias e controle do tempo de trabalho é feita separadamente. Inclusive cada poder arrecadada a contribuição e depois repassa os valores para o instituto de previdência", diz Nereu Linhares. Ele conta que um projeto de lei chegou a propor a unificação de gestão em 2005, mas foi questionado pelos magistrados e ainda não há decisão judicial definitiva. Segundo Linhares, o Estado possui 24 mil aposentados e um déficit mensal em torno de R$ 4 milhões."
olivedi100@...30/6/2008 @ 12h57
Essa estória de intervenção é grotesca. Além disso, deve-se acabar com essa aberração do "foro privilegiado". Estamos em um Estado de Direito Democrático, onde todos, mas TODOS, somos iguais. Dizer que alguns, só por serem eleitos, ou em face de prerrogativa de função, deve ser julgado por Tribunais, excluindo a competência do juiz de 1a instância é uma anomalia que deve ser expurgada. Por fim, se a jurisdição é una, incabível afastar a 1a instância; afastá-la é como se presumir que o POder Judiciário é uma instituição capenga; ou se confia no Poder Judiário e reafirma-se competência do juiz de 1a instância para julgar a todos, ou não se confia.
wasco53@...30/6/2008 @ 20h21
O Brasil parece que está passando por uma epidemia da “Síndrome de VALEJOS*” Para essa enfermidade comportamental já existe uma vacina eficaz, a qual deve ser tomada desde a primeira infância e tem como fórmula a EDUCAÇÃO e como princípio ativo a FAMÍLIA. Outro tratamento também é eficiente, como a prática de exercício da Ética, Humildade, Respeito, Solidariedade, dentre tantas outras virtudes que podem ser postas em prática, propiciando o pronto restabelecimento da verdadeira CIDADANIA. Mas, espera-se a compreensão de todos os segmentos da nossa sociedade para não serem contaminados pela terrível doença do prejulgamento, que deixa seqüela na alma dos injustiçados e remorso para os prejulgadores. No entanto, as pessoas e instituições envolvidas na chamada “Operação Hígia” têm que receber respeito e solidariedade de todos. Pois, quem errou é que vai pagar pelo que fez e quem for inocentado o Estado é quem deve pagar pelo erro ou excesso cometidos. Afinal, estamos num Estado Democrático de Direito. Portanto, todos nós pecadores somos passíveis de cometer erros, porém, continuamos a nos preocupar com as falhas alheias, fazendo prejulgamentos e cada vez mais se distanciando do perdão ao próximo. Waldemir Santiago Costa
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