Lula pede mecanismos de prevenção contra crise
Publicação: 24 de Setembro de 2008 às 00:00
Nova York - A crise financeira global exige mecanismos de prevenção, controle e total transparência das atividades financeiras, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao abrir os debates da 63ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas. “Uma crise de tais proporções não será superada com medidas paliativas”, acrescentou. “Os organismos supranacionais carecem de autoridade e instrumentos para coibir a anarquia especulativa”, disse, destacando a necessidade de “reconstruí-los em bases completamente novas”.
Lula disse ainda que o “ônus da cobiça desenfreada não pode cair impunemente sobre todos”. Ele acrescentou que “a economia é séria demais para ficar nas mãos dos especuladores. A ética deve valer também na economia, emendou o presidente no início de seu discurso, repleto de observações duras sobre a crise financeira global.
Segundo ele, o caráter global da crise demanda que as soluções que venham a ser adotadas deverão ser também globais, “tomadas em espaços multilaterais legítimos e confiáveis, sem imposições”. Da ONU, disse ele, deve partir a “convocação para uma resposta vigorosa às ameaças que pesam sobre nós”. Entre as ameaças, Lula cita outras crises e enumera a crise alimentar, a crise energética, “que se aprofunda a cada dia”, os riscos ao comercio mundial, “se não chegarmos a um acordo na Rodada Doha” e, finalmente, a “avassaladora” degradação ambiental, que “está na origem de tantas calamidades naturais, golpeando sobretudo os mais pobres”.
Ao citar os países da América do Sul e Caribe, o presidente Lula disse que aos poucos vai sendo descartado o “velho alinhamento conformista dos países do sul aos centros tradicionais”. “Essa nova atitude não conduz, no entanto, a uma postura de confrontação”, enfatizou.
“Pelo diálogo direto, sem intermediação das grandes potencias, os países em desenvolvimento têm se credenciado a cumprir um novo papel no desenho de um mundo multipolar”. “Está em curso a construção de uma nova geografia política, econômica e comercial no mundo”, completou. Em uma metáfora, Lula comparou a região sul aos navegantes que, no passado, procuravam a “estrela polar para ‘encontrar o norte’”. “Hoje, estamos procurando as soluções de nossos problemas”. “Nosso ‘norte’ às vezes está no sul”, emendou. Lula citou a criação da União das Nações sul-americanas (Unasul), para articular todos os países da região em “termos de infra-estrutura, energia, políticas sociais, complementaridade produtiva, finanças e defesa”.
Bovespa e commodities caem e dólar sobe 2,06%
São Paulo - A defesa do pacote de ajuda ao sistema financeiro americano, feita ontem no Congresso pelo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Ben Bernanke, e pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, não conseguiu dissipar as incertezas sobre o projeto no mercado, o que se refletiu em queda generalizada nas bolsas de valores e no preço de commodities, embora tenha contribuído para uma recuperação do preço do dólar, que subiu 2,06% em relação ao real.
Com as commodities em queda, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) caiu 3,78%, aos 49.593,17 pontos. No mês, o índice acumula queda de 10,93% e, no ano, de 22,37%. O giro totalizou R$ 5,349 bilhões.
Após a trégua nas últimas duas sessões, o dólar retomou a trajetória ascendente em relação ao real - novamente alinhado ao movimento global de moedas e também de commodities. No balcão, encerrou ontem a R$ 1,8300 , em alta de 2,06%. Na roda da BM&F, o pronto terminou com elevação de 2,38%, a R$ 1,8352.
Pacote
O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, e o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Ben Bernanke, foram ao Comitê de Bancos do Senado para exortar os legisladores a aprovarem rapidamente o plano de socorro financeiro, que prevê a compra de até US$ 700 bilhões em ativos lastreados em hipotecas sem liquidez. Eles alertaram que a economia dos EUA poderá ser reduzida à metade se o Congresso se recusar a apoiar o plano elaborado pela administração federal, que enfrenta a oposição até mesmo de alguns membros do partido Republicano - o mesmo do presidente George W. Bush. Na primeira audiência no Congresso sobre o plano, Bernanke alertou que os mercados globais permanecem “sob extraordinário estresse”. “Uma ação do Congresso é urgentemente necessária para estabilizar os mercados e evitar que, de outra maneira, haja sérias conseqüências para nossos mercados financeiros e para nossa economia”, observou Bernanke, em seu depoimento preparado para a audiência.
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