Alunos pagam 10 reais para poder estudar em Mossoró
Publicação: 26 de Novembro de 2008 às 00:00
Publicada às 07h27
Devido à falta de transporte escolar que está sendo verificada na cidade, alunos da zona rural de Mossoró estão pagando até 10 reais, diariamente, para poder se deslocar do local onde moram até a escola. A denúncia, seguida de revolta, parte de estudantes do sítio Senegal, que afirmam que estão pagando o valor para não perderem o ano letivo na Escola Estadual Abel Freire Coelho.
A estudante Lídia Ruth afirma que não consegue se deslocar todos os dias para a cidade porque os pais não possuem condições financeiras para isso. "Eles não podem pagar 10 reais todos os dias. Assim como eu, todos os outros do Senegal não têm dinheiro para o transporte. A vida no sítio é difícil e o carro era para ser pago pelo governo", relatou, indignada. A estudante relatou ainda que "há mais de dois meses os colegas do sítio Senegal se encontram nessa difícil situação. É uma sensação horrível a gente não poder estudar por falta de transporte".
Com o objetivo de sensibilizar o Governo do Estado, diante do problema, diretores e professores da Escola Estadual Abel Coelho realizaram ontem um ato público na sede da escola. Na ocasião, faixas foram distribuídas no interior e na parte externa da escola, com frases pedindo uma solução para a falta de transporte.
Apesar de terem sido convidados estudantes de outras escolas estaduais do município, como a Escola Estadual Jerônimo Rosado e o Centro de Educação Integrada Professor Eliseu Viana, o protesto não reuniu um grande número de alunos, como estava sendo esperado.
Para a professora de Geografia, Maria Iratelma Pereira, "o ato público só não conseguiu reunir uma quantidade expressiva de alunos da zona rural justamente porque eles não conseguiram chegar ao Abel. Já que não têm transporte escolar, eles teriam que pagar a vinda do próprio bolso, como está acontecendo em alguns dias de aula".
Somente na Escola Estadual Abel Freire, estudam cerca de 40 alunos da zona rural. Em Mossoró, estima-se que o número chegue aos 300 estudantes, de acordo com informações da 12º Diretoria Regional de Educação (DIRED).
O secretário adjunto da Secretaria de Educação, Marino Azevedo, revelou que "o processo do pagamento dos transportes de Mossoró deve ser aprovado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) nas próximas horas. Daí, ele volta para a secretaria para que o pagamento possa ser feito. Depois disso, os transportes voltam", acredita.
Com relação ao procedimento que o Estado iria utilizar para repor as aulas perdidas nesses 30 dias sem transporte escolar, Ireno Lima, chefe de gabinete da Secretaria de Educação, garantiu que "a coordenadoria técnica da secretaria vai estudar a melhor forma de reposição". A paralisação do transporte escolar já dura mais de 60 dias. Os responsáveis pelos veículos alegam que estão, durante todo esse período, sem receber o valor acordado com o Estado para transportar os alunos da zona rural para a cidade.
Fonte: De Fato
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