if ($_SERVER[REQUEST_URI] != "/noticia/cinema-made-in-rn/9680") header("Location: /noticia/cinema-made-in-rn/9680"); ?>
CINEMA - Filmagens de “Viva o Cinema Brasileiro!”As lentes de fora estão apontadas para o cinema produzido no Rio Grande do Norte. Apenas nesta semana, três longas recentes filmados no Estado foram convidados para participar de festivais mundialmente consagrados na França (Cannes e Toulouse) e em Cuba (Havana).
Entre os escolhidos está o longa do russo Kiril Mikhanovsky, hoje radicado nos EUA, “Sonho de peixe”, rodado na vila de pescadores do município de Baía Formosa e protagonizado por atores amadores da região. O longa será exibido na Semana da Crítica, evento paralelo inserido na programação do festival.
Em 2004, ano em que o trabalho foi iniciado, a TRIBUNA DO NORTE conversou com o diretor russo em Natal. Na época, segundo ele, “trabalhar com pessoas do Estado e com pouca experiência dará mais autenticidade ao filme. Tornará as coisas mais naturais”, justificou.
A preparação do elenco foi feita por Sérgio Penna, que desenvolveu o mesmo trabalho com os atores dos filmes “Carandiru” e “Bicho de 7 Cabeças”.
Mikhanovsky contou que imaginou a história ambientada na vila de pescadores após passar férias na região. “Fiz uma observação minuciosa dos habitantes, como conversam, se divertem e namoram. Não me inspirei diretamente em nenhum livro ou filme. É uma história de amor entre uma menina e um pescador que passa dificuldades financeiras por conta da pesca. A garota começa a prestar atenção num outro pescador que virou bugueiro e aí a história se desenvolve”, explicou.
Buca Dantas e Geraldo Cavalcanti terminam longas
Os outros longas que deverão desembarcar no exterior ainda este ano têm a marca dos diretores potiguares Buca Dantas (“Viva o Cinema Brasileiro!”), e Geraldo Cavalcanti (“Mariposa Blanca”).
Ambos estão em fase final de produção, mas o primeiro já tem data de estréia marcada.
“Viva o Cinema Brasileiro!” conta a história da produção de uma obra cinematográfica no sertão nordestino protagonizada por uma gente simples que nunca entrou numa sala de cinema. “A única atriz profissional do `filme dentro do filme` é Quitéria Kelly. Dentro desta história vai se desenrolar uma outra paralela, mas só vendo o filme para saber como é”, despista.
O longa será apresentado aos potiguares em duas sessões: no dia 17 de junho, no município de Santa Cruz, e 21 de junho no auditório da Fiern, a partir das 19h, em Natal.
Buca Dantas conta que o longa foi concebido em cima da proposta do “cinema processo”, movimento criado por ele onde a produção é realizada antes da captação de recursos. “Somos como um agricultor. A gente precisa produzir para poder colher. Fizemos o longa com dinheiro do nosso bolso e recebemos apenas o apoio logístico dos municípios por onde passamos, na região do Trairi. A participação é o mais importante. Como o próprio nome do fala, é um processo”, explicou.
O cineasta conta que o “Cinema Processo” bebe na fonte das idéias do “Cinema Novo”, outro movimento que envolveu artistas e cineastas brasileiros na década de 60, organizados pelo diretor baiano Glauber Rocha. “A idéia é bem ligada às questões da estética da fome e do sonho trabalhadas no cinema novo”, admite.
Outra novidade do longa é a participação do público como financiador. O preço dos ingressos, 5 reais, será revertido para cobrir os custos da obra, orçada em torno de 15 mil reais. “Isso é o mais importante porque a platéia é quem vai pagar pelo filme. Ele é feito para vender justamente por causa disso. Além do que todos vão poder criticar com mais liberdade. Esse é o cinema processo”, afirmou.
2006-2008 Tribuna do Norte. Todos os direitos reservados. Desenvolvimento: DZ3