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Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 13:38

A competitividade

Publicação: 15 de Novembro de 2009 às 00:00
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Karla Motta - Arquiteta e Urbanista, mestre em engenharia 

Ser competitivo é ter a capacidade de ser escolhido pelo mercado, em meio à concorrência, obtendo bons resultados. Não basta estar ativo comercialmente, mas também é necessário alcançar a sustentabilidade do negócio, ou seja, satisfazer aos clientes e ser remunerado por eles, pagar despesas, impostos, encargos e outros custos, com lucratividade.

A competitividade envolve várias atitudes, mas alguns delas se destacam dentre as demais. Michael Porter, grande pensador da administração, orientou um estudo realizado na América Latina por Fairbanks e Lindsay, que identificou alguns comportamentos que denominou de Fatores Inibidores da Competitividade, que seguem descritos.

Quanto à complexidade, o baixo nível de agregação de valor ao produto vendido é um obstáculo. Vender matérias-primas brutas, em vez de materiais elaborados, peças, componentes ou produtos finais, inibe a competitividade. O cliente adquire a matéria-prima pagando um valor baixo por ela e, com um custo relativamente pequeno, consegue até triplicar o preço da mercadoria. De modo simplista, basta comparar o preço de um quilo de batatas cruas com o preço de 200 gramas de batatas fritas, para compreender este conceito: uma visão, pouco esforço e muito resultado.

No mercado existem diferentes grupos consumidores e é um risco à competitividade uma empresa não decidir qual deseja ter como cliente. Esta é uma das decisões estratégicas mais importantes de qualquer negócio. Cada segmento do mercado apresenta diferentes exigências para os produtos consumidos e o fornecedor precisa pensar na expectativa dos clientes para o produto ou serviço que oferece, se preparando para atendê-los. É fundamental estar atento para o fato de que a necessidade do consumidor é dinâmica e não está no bem em si, mas no quanto ele é capaz de satisfazer algum valor desejado pelo cliente.

Não entender o posicionamento competitivo da empresa é estar perdido. A competitividade requer a identificação de concorrentes diretos e indiretos, considerando os produtos e seus substitutos, estando alinhado com as necessidades do consumidor. O preço praticado não deve ser superior aos que o consumidor está disposto a pagar, que em geral, se relaciona com o praticado pela concorrência.

Quanto às oportunidades de integração, não se integrar verticalmente inibe a competitividade. Benefícios como redução e custos de produção e frete são facilmente obtidos mediante a integração vertical das empresas com seus clientes e fornecedores, para assegurar antecipadamente a demanda, programas suprimentos, produção e distribuição. A logística indica benefícios desta interação, com a proposta da gestão integrada da cadeia de suprimentos, que promove a comunicação entre clie ntes e fornecedores, desde o consumidor final até a fonte de matéria-prima.

O nível de cooperação entre as empresas, ou integração horizontal, são parcerias com outras empresas do mesmo ramo ou setor, e sua ausência inibe a competitividade. Ainda existe a visão de que o concorrente está ao lado, mas muitos já perceberam que o concorrente está em outro local, que não é onde o seu negócio está instalado. A internet deixa isto muito claro. O cliente tem uma gama de fornecedores acessíveis a um toque no teclado. Unir-se a empresários do mesmo segmento para ratear custos de publicidade, consu ltoria e capacitação são exemplos de dar as mãos para superar dificuldades comuns.

É preciso compreender o tipo de raciocínio da própria empresa, para ser competitivo. Existem duas posturas básicas que as empresas geralmente assumem, que são a de culpar alguém pelo seu insucesso ou a de encontrar uma solução para que o problema seja resolvido. Esperar por apoio leva muitas empresas a perderem a competitividade e até a fecharem suas portas. Isto não ocorre para aquelas que buscam soluções.

 O sétimo ponto inibidor da competitividade é o nível de paternalismo nas relações entre as empresas e o governo, que se dá por meio de benefícios, como a isenção de impostos, subsídios a produção, dentre outros. Estes benefícios momentâneos colocam as empresas em uma situação bastante confortável, sem pressão para de inovar, para promover melhorias e reduzir custos, tornando-as sucateadas, despreparadas tecnologicamente, com produtos obsoletos, dependentes de subsídios e menos competitivas no longo prazo.

Atentar para este sete fatores é um caminho com resultados positivos comprovados para alcançar a competitividade dos negócios.


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