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Natal, 24 de Outubro de 2009 | Atualizado às 10:29

“A passarela tem uma adrenalina a mais”

Publicação: 25 de Outubro de 2009 às 00:00
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Por Eliana Lima e Anna Cláudia Costa

Se o poetinha vivo estivesse e visse passar Fernanda Tavares pelas areias de Ponta Negra, poderia se inspirar numa canção à “Garota Potiguar” - linda, cheia de graça, em doce balanço a caminho do mar...

Misturando-se a Jobim: ela é potiguar, ela é potiguar...

Fernanda é a norte-rio-grandense mais internacional de todos os tempos. Top das mais requisitadas pelas passarelas estreladas mundo afora, principalmente na Europa – celeiro da moda poderosa. Ela é a musa e mulher do ator Murilo Rosa.

De passagem pela capital-potengi, Fernanda falou com exclusividade para a coluna de Eliana Lima. Sempre simpática e educada, não fez qualquer expressão negativa às perguntas feitas pela titular da coluna e pela repórter Anna Cláudia Costa – que esteve no apartamento da Top, em Petrópolis. Nem mesmo sobre o banco do seu carro Jaguar, feito de couro, a contar que a bela é conhecida mundialmente como grande defensora dos animais, contra os maus-tratos e à matança para se arrancar a pele, o couro, para se produzir casacos, etc. Ela se recusa a usar peças feitas com pele ou couro de animais. Rejeita qualquer valor para subir numa passarela e desfilar pele ou couro de animais. Fernanda fala sobre as novidades na vida pessoal, os rumos na vida profissional e a sua relação com a cidade em que nasceu: Natal.

Marcelo BarrosoFernanda Tavares, modeloFernanda Tavares, modelo


Dá para manter uma família unida com um pai que é ator famoso e a mãe uma Top?
Conciliar família com profissão é difícil, independente de qualquer profissão. Por causa do tempo, independente de sua profissão, as pessoas que têm um horário das 9h às 15h têm mais dificuldade, porque chegam em casa e não tem tempo para dedicar aos filhos, chegam cansadas. E a minha profissão não, tem a vantagem de, por exemplo, se eu for passar uma semana fora posso levar o meu filho, eu não fico tanto tempo longe dele. Claro que eu já viajei, passei dez dias fora e não pude levá-lo, acontece e você sofre. Mas graça à tecnologia, apesar de não ser muito fã, aproveito para matar a saudade. A gente sempre dá um jeitinho.

Como é conviver com mãe e ao mesmo tempo empresária?
 Minha mãe sempre cuidou das minhas coisas. Ela sempre dá a opinião dela, sempre fala “isso não é legal para a sua carreira”, “isso não é bom para a sua imagem”. O cuidado com o que eu devo fazer continua. Só que agora eu tenho a minha família e moro no Rio de Janeiro. Minha mãe está aqui ou está em São Paulo. A relação profissional continua e claro que a relação mãe e filha também continua. Natural.

Depois do nascimento de Lucas, a emoção de subir na passarela é a mesma, ou dá aquela vontade de terminar logo e voltar para casa?
Não, é uma delícia. Depois de mãe continuo adorando trabalhar, só que o assunto é outro e eu tenho que ir para o lado das mães. Agora o assunto é outro. Agora é o filho o tempo todo. Mas é claro, que quando você viaja e está do outro lado do mundo é muito tempo. Você fica naquela do tempo todo ligando... dá vontade de sair correndo. Mas a gente é profissional e dá para conciliar.

Agora desempenhando o papel de mãe, você ficou mais criteriosa?
Fiquei. Hoje eu penso se vale a pena fazer aquele trabalho para eu poder me ausentar> Tem trabalho que eu tenho que passar a semana toda, dez dias. Tenho que pensar mesmo se vale a pena financeiramente, pela minha carreira. Você fica mais seletivo.

Tem uma predileção por passarela ou campanhas publicitárias? Evita algum trabalho tendo em vista esse quesito?
Não, não tem diferença. Eu vejo o quê que vale mais a pena para o meu trabalho. Eu amo os dois, mas eu acho que a passarela tem uma adrenalina a mais, porque ela é ao vivo, não pode dar errado.  Não tem a história do volta atrás de um programa gravado. Sempre tem um truque na foto... é uma delícia fotografar. Eu gosto dos dois eu não opto por nenhum.

Continua vegetariana?
Continuo firme e forte. Estava até hoje tendo uma conversa falando como é duro você ser aceita pelas pessoas por essa opinião. Não é normal ser vergetariana, é uma questão de cultura. É difícil as pessoas compreenderem essa postura. Eu não concordo que animal é feito para comer. A minha postura é a seguinte: é uma covardia você chegar e pagar por um serviço que você não tem coragem para fazer. Você chega lá e diz eu tô te dando tanto e eu quero esse negócio fresquinho aqui na minha mesa. É uma coisa de lógica, no dia que eu tiver coragem e chegar lá e me atracar com um boi ou uma galinha, que seja, ou até pescar um peixe que é o menos radical - eu não sei por que eu nunca pesquei -, eu não sei se vou ter coragem de pegar  um peixinho pulando... Depois que eu parei de comer carne por uma questão de respeito aos animais, comecei a ler e a descobrir o impacto que tem isso no meio ambiente. A pessoa que deixa de comer carne, o que ela influencia, o que ela flui por bem disso tudo que está acontecendo, aquecimento global. Por isso até o Paul McCartney está promovendo o movimento “Segunda-feira sem Carne”. Então, você imagina o mundo inteiro ficar um dia sem comer carne. Ser vegetariano beneficia muito não só o seu corpo e a sua mente como também o meio-ambiente.

Em quais projetos você está engajada?
Os que as pessoas me convidam para fazer eu faço com bastante carinho, se eu acreditar 100% naquilo. Você tem que realmente conhecer e acreditar em uma causa. Eu fui chamada para fazer uma campanha em São Paulo, nacional, que é “Adotar é tudo de bom”, sobre a adoção responsável e consciente de animais. Eu amo bicho, mas não tenho. Por quê? Seria uma loucura minha ter um bicho nessa vida que eu vivo. Eu não tenho condições de criar. Meu pai (Fernando Tavares) tem projetos aqui em Natal que eu apoio e o que eu acredito realmente eu faço ou procuro fazer. Faço muito pouco ainda. Tenho planos, quero fazer coisas muito maiores em relação a isso. Não tenho nada concreto ainda, mas sonho em fazer uma coisa maior sim, mais em cima das minhas crenças. Algo que vá englobar mais isso que eu faço para mim, pra minha família.

Você se recusa a usar peças de couro. Seu carro Jaguar é ecologicamente correto?
Não, infelizmente não é, e eu penso nisso muito. Toda vez que eu dirijo o meu carro eu penso: Meu Deus do Céu.Uma coisa é certa: eu não concordo com carro que é a diesel, por mim meu seria a álcool. Mas infelizmente não são todos os carros que podem ser a álcool. Ou a outra opção é deixar de andar de carro e andar de bicicleta, o que pra mim não é uma opção. Quando estou esperando alguém não fico com o carro parado usando o ar-condicionado, o carro fica ali emitindo os gases. Mesmo andando de carro a gasolina eu faço o possível para emitir poucos gases. A bancada é couro porque não tinha outra opção. Mas para deixar bem claro, eu não uso e não compro nada de couro. De um tempo pra cá, tudo o que eu comecei a comprar não tem couro. Nós (ela e Murilo Rosa) estamos mobiliando a minha casa lá no Rio e eu entrei em acordo com o meu marido. Ele entende completamente o meu lado. Tem coisas que ele diz “Ficaria tão bonito em couro”. Então ta, vamos achar um couriço. Mas tudo o que a gente puder evitar a gente evita.

E o Murilo Rosa te acompanha nesse engajamento pela preservação do meio ambiente?
Eu não posso chegar e entrar na vida de uma pessoa e querer mudar ela. Isso eu não faço de jeito nenhum. Tudo é aos pouquinhos. A minha família vai aos pouquinhos, a minha mãe diz “ah, gosto tanto de bolsa de couro, mas agora não estou comprando tanto”. A minha irmã é ecologicamente correta. Ela é uma coisa com ecologia, com couro, com jogar lixo fora. Ela é uma mini-mim.

O que acha de Natal?
Eu adoro a minha terra e sou um pouco ciumenta, um pouco possessiva com a minha terra. Ao mesmo tempo que é bom ver esse crescimento, a cidade crescendo, me dá uma dor no coração com aqueles prédios de não sei quantos andares. Eu me pergunto onde está a minha Natal de 1990, quando eu corria pelas ruas. Eu morei no Tirol, então você vê aqueles prédios por onde eu morava. Me dá um pouco daquele “poxa vida”. É um pouco daquele egoísmo do eu quero isso só pra mim.

Além disso, o que você também não gosta nessa cidade?
Essa fama de prostituição (os olhos da top marejam neste momento). A falta de uma campanha efetiva. Eu já soube de vezes que um avião voltou porque só tinha homem. Isso é triste, porque cria uma fama que não é positiva. Natal é uma cidade tão bonita. Não é só uma campanha mais efetiva, porque há. Realmente é uma ação.  E eu acho que está acontecendo. Mas fora isso, não. Eu adoro a minha cidade e ela precisa ser bem cuidada. Eu não conheço todas as capitais do Nordeste, mas é a mais bonita. Eu já entrei de carro em algumas cidades e disse ‘Meu Deus! que entrada mais fraquinha’. E Natal é aquela coisa, aquela sensação de boas vindas.
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