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Natal, 04 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 13:52

A Ribeira floresce

Publicação: 10 de Setembro de 2010 às 00:00
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Segundo bairro mais antigo de Natal, palco histórico importante por natureza, a Ribeira vive de eternas "revitalizações". Enquanto a definitiva não chega, iniciativas particulares têm contribuído para que a 'cidade baixa' mantenha um pouco do glamour e importância que possuía em épocas passadas. Pelas ruas pouco conservadas destacam-se antiquários, uma recente loja de paisagismo, além dos bares, boate e projetos que trazem música de boa qualidade para ouvidos mais antenados. Apesar da paisagem um tanto embotada pelo tempo e pela falta de atenção pública, a Ribeira ainda guarda seus charmes. Basta procurar.

Júnior SantosRoberto Luiz: O bairro ainda não perdeu o charmeRoberto Luiz: O bairro ainda não perdeu o charme
A rua Dr. Barata recebeu há três meses a colorida presença da Florescer Paisagismo. A arborizada loja foi instalada num prédio de 160 anos, e que desde os anos 40 do século passado está na família de Marcelo Cabral Fagundes, o atual proprietário da casa. A Florescer existe há 13 anos. Começou em Nova Parnamirim, foi para a rua Mipibu e agora se instalou na Ribeira. "Aqui foi uma das primeiras farmácias de manipulação da cidade. O prédio estava fechado há anos. Até que resolvi apostar no bairro. Acredito que haverá uma revitalização natural devidos aos empreendimentos residenciais que estão surgindo no bairro", explica.

O prédio da Florescer foi reformado e adaptado. "Ele já estava muito descaracterizado, mas procuramos integrá-lo com a proposta da casa atual", explica Marcelo. Há uma parte aberta, onde estão as plantas, aproveitando a areação e iluminação naturais. Na parte interna ficam os vasos de cerâmica rústica ou esmaltada. Destaque para o balcão centenário de cedro, original do prédio. A Florescer projeta, executa e faz manutenção de jardins. Os destaques são as plantas ornamentais, como orquídeas, bromélias, palmeiras, entre várias outras. Segundo Marcelo, a clientela para isso vai muito além da Ribeira. Tel.: 3201-4743.

Em um bairro antigo, um antiquário está à vontade. Foi assim que pensou Roberto Luiz quando abriu, há oito anos, o Galpão 223. "Pensei num lugar com o perfil do bairro. Sempre gostei de história e antiguidades, portanto, a Ribeira pra mim sempre foi o lugar perfeito", diz. O Galpão é um estreito e comprido prédio de dois andares, repleto de móveis, adornos, luminárias, porcelanas, quadros, bibelôs, e uma série de quinquilharias que dão um clima especial ao ambiente. A sensação é de estar num museu de arrumação caótica. Há peças que não são exatamente antigas, mas feitas de "madeira de demolição", ou seja, de madeira antiga reciclada para virar novos móveis. Há de tudo um pouco, entre baús, cristaleira Maria Antonieta, penteadeiras, cômodas, até máquinas de fotografar e datilografar antigas. "Tenho um público de 'A a E'. Arquitetos e decoradores de hoje são ecléticos, misturam estilos, e se inspiram aqui", afirma Roberto. Ele afirma que a revitalização "faz-de-conta" atribuída à Ribeira não chega a tirar o charme da casa, mas "poderia ser séria, para variar".  Tel.: 3211-8091.

O antiquário Ribeira Antiga tem 10 anos de mercado, e encontrou o espaço ideal no velho bairro. "Consigo boa parte do meu acervo com gente que não tem mais onde deixar suas relíquias, que os filhos ou netos não querem, ou os apartamentos minúsculos não deixam", conta o proprietário Manoel Felipe Neto. A loja apresenta, de forma organizada, um bom acervo de peças que foram modernas...há 60 anos. Há rádios valvulados, jukeboxes, e móveis que reuniam vitrola, rádio (e até televisão) numa só peça. Tudo funcionando perfeitamente.

Há ainda relógios de parede "oito" ou cuco, bustos, cristaleiras, mesas, cadeiras, baús centenários, um piano (de jacarandá),   incluindo os móveis de madeira de demolição - alguns por encomenda. Os antiquários também locam suas peças para decoração de vitrines, espetáculos teatrais, comerciais, e até filmes, como "As pelejas de Ojuara".  Para Felipe, a Ribeira é o lugar certo. "O cliente não tem problema com o bairro, apesar de estarmos longe do circuito badalado". A antiguidade é o charme da Ribeira. Tel.: 9956-5775.

Noite da Ribeira resiste aos problemas de segurança

À noite, a Ribeira canta e dança. Pelo menos nos fins de semana, por iniciativa de empresários que acreditam no ancestral espírito boêmio do bairro. Há 16 anos a cabeleireira Nalva Melo se instalou na Ribeira, e desde 98 passou a investir numa programação cultural. Já realizou shows de rock e MPB, peças, bazares, festas e exibições de filmes. "Não posso ter uma programação fixa, já que não temos nenhum incentivo fiscal. Mas eu continuo porque amo o bairro. Precisa ter coragem mesmo", diz. O Nalva Melo Café mantém fixa só a programação com o Cineclube, exibindo filmes na primeira sexta do mês.

O Buraco da Catita é o atual carro-chefe da Ribeira noturna. O projeto teve que se reformular, e desde julho voltou de cara nova. O bar foi reformado, a travessa recebeu luz e calçamento, e a programação foi ampliada. Às quartas tem dança, poesia, teatro e bailes; às quintas, música de câmara e jazz; e na sexta, o tradicional chorinho, que atrai centenas de pessoas. No sábado, virá futuramente uma feijoada. Para o músico e idealizador Camilo Lemos, o que falta na Ribeira são acertos não tão difíceis de se fazer.  "O estacionamento e maior segurança. Aqui na Ribeira só não tem padaria e farmácia. O resto pode ser resolvido", afirma.

O bar  e espaço cultural DoSol abriu em 2004 como um território roqueiro para shows. Abriga regularmente uma programação aos fins de semana com bandas locais (80%), nordestinas e demais regiões. De lá também nasceu um festival, que terá sua 7ª edição em novembro. O produtor e músico Anderson Foca lamenta a sensação de abandono que sempre ronda a Ribeira. "É uma sensação falsa, já que temos muita vida e movimento por aqui. Os empresários e o público sabem disso, mas o poder público parece ignorar".

A cantora e DJ Karol Posadzki resolveu levar à frente o seu Galpão 29 (antigo Blackout), há cinco anos, e foi aos poucos solidificando o público da casa. "É uma casa de proposta contemporânea. Procurei não fazer nada igual ao que já havia antes, para diferenciar". Atualmente abre só aos sábados, com foco em festas temáticas com DJs. Mas novos planos estão à vista: estou planejando uma sexta só com bandas de trabalho autoral, de qualidade. No local, ouve-se de pop FM a funk carioca, passando por indie rock e música eletrônica. Para Karol, não adianta esperar pelo poder público. "Só acredito no investimento particular. A Ribeira não entra mais em roteiro de modismo. Só vai quem se sente em casa", diz.

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comentários

carloseufrasio305@...10/09/2010 @ 19h39
Creio, que através de incitaivas tal qual à deste empresário, possa, o tradicional bairro da Ribeira, voltar à ter sua importância à cidade de Nata/RN. O bom seria, que à exemplo deste, outros tantos, tivessem a iniciativa de ocupar ao máximo, o tradicional bairro, dando à ele, o respeito, a atenção merecida. Saber que o dito bairro, foi, em um passado recente, pólo comercial e empresarial de grande importância não só à nossa cidade, como também, um verdadeiro corredor de importação e exportação de bens que aquí se produzia, consumia, vendia. Torço, para que a iniciativa deste empresário, como à de tantos outros, possa, de uma vez por todas, revitalizar o nosso velho, e querido bairro da Ribeira. Particularmente, tenho deste, boas lembranças, pois, na década de 70, quando tive eu, um dos meus primeiros empregos com carteira assinada, onde trabalhei nas empresas do saudoso empresário do ramo de livros e papelaria, WALTER PEREIRA, como também, ter trabalhado em tres farmácias do grupo empresarial, CABRAL FAGUNDES. Naquela época, uma das grandes empresas no ramo de Farmácias e Drogarias, em atividades em nossa cidade. Isso, nas décadas de 70/80. CARLOS EUFRÁSIO - Natal/RN, Servidor Técnico da UFRN; Graduado em Gestão Pública, pela UFRN; Artista-Plástico; Poeta; Fotógrafo Documentarista; ex-Dirigente Sindical, Ativista, e Militante Político.
dclara38@...12/09/2010 @ 09h33
Gostaria de parabenizar aos que investem e apostam, em uma nova Ribeira. O proprio bairro é o diferêncial, onde nas antigas era de grande movimento e o comércio predominava, era também o cartão postal aos que proviam a Natal, que os gestores valorizem e dê condições os que querem investir neste bairro onde os que aqui chegavam não precisavam se deslocar a outro bairro, pois na Ribeira encontrava - se de um tudo e alí mesmo faziam seus translados de volta aos seus locais de origem... Clara , servidora publica estadual.
rccaldas@...12/09/2010 @ 11h28
Os potiguares (que estão no "poder") deveriam inspirar-se na região do Dragão do Mar no CE, no Recife Antigo, e/ou dar uma passadinha no Bexiga em SP...a Ribeira iria se transformar num local bem descolado e charmoso, isso se os "gringos" um dia não a invadirem com seus preciosos euros e a transformarem numa nova Ponta Negra...:(
geiniza@...13/09/2010 @ 11h30
Quero parabenizar a esses empresários, que tiveram a inciativa e a coragem de investir no bairro da Ribeira, pena que os gestores não tem essa coragem, ou não querem investir num bairro de uma história tão rica para a história da nossa linda cidade Natal. Desejo muito sucesso e que outros empresários se agreguem a essa idéia.
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