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Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 13:38

A vida e o tempo

Publicação: 29 de Novembro de 2009 às 00:00
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Cláudio Emerenciano - Professor da UFRN

Conhecer e valorizar condição humana. O que torna o homem liberto, criativo, incontrolável e ousado? A curiosidade, disse Marco Pólo (redescobriu o Oriente, especialmente a China, para o Ocidente), elimina ou inibe o medo.  A busca do saber, a vontade de encontrar novos caminhos, plantar novas perspectivas, a sede de viver, encaminham o homem para o desconhecido. O compromisso do homem em busca do infinito decorre de sua identidade com Deus. Somos frágeis em todos os sentidos. Detemos, paradoxalmente, dentro de nós mesmos, um universo de sentimentos, aspirações, sonhos, alegrias, tristezas, saudade, nostalgia e energias, que definem a natureza humana como fantástica e enigmática criação. Coexistindo com o imprevisível e o inovador. O homem é infatigável. Quando, aparentemente, exaurem-se aspirações, cessam procuras, ou supostamente se demarcam limites à felicidade, os homens se surpreendem. Sempre há um novo passo a dar. Como Sansão, cego, no cativeiro, readquirindo forças para de novo lutar e vencer. Assim George Bernard Shaw (irlandês) dizia que o homem, enquanto viver e tiver consciência de si e do mundo, pensa, sonha, aspira, imagina, cria. Como Goethe (alemão), que definiu a busca essencial de sua vida: "Mais Luz". A Luz do amor e da paz. Mas Goethe também dizia que, enquanto a condição humana se manifestar no universo, suas divagações se concentrarão naquelas questões que a desafiam em todos os tempos: - "O que eu sou? De onde eu vim? Para onde eu vou?" - nessa percepção se identificaram dois gênios: Sócrates e Goethe. Não se pode negar essa presença no humanismo cristão de Antoine de Saint-Exu péry: "Só o Espírito (Deus), soprando sobre a argila, pode criar o Homem". Esse Homem, liberto, consciente do seu sentido existencial e de sua vocação transcendental - ensinou o apóstolo Paulo de Tarso - submete o tempo e a vida pela fé. Seus atos engrandecem o gênero humano, inserindo-o na harmonia universal.   

Vivemos dias tempestuosos e imprevisíveis. Como conhecer a intimidade do homem ou de uma coletividade? Seus anseios e inquietações. O que os compromete com a vida sem fantasias, engodos e ilusões? Como desvendar a face real da vida? O que é simples e singelo? A essência da vida aponta para a simplicidade. Ninguém pode ser humilde sem ser simples. As madrugadas não discriminam ninguém. Quem as procura em seu universo de miragens, contemplações, sonhos e encantamentos, terá circunstância para sentir a alma humana. Constatará que, espontaneamente, as mãos se ligam, os sentimentos se estreitam, os corações se encontram, como que dando forma e conteúdo a uma fraternidade como aquela do Bom Samaritano. Assim se praticam, apesar da violência urbana dos nossos dias, na força mágica e inexplicável do anonimato, atos que elevam a condição humana.

 O homem se perde no embalo de impulsos emocionais. Abdica sua capacidade de avaliar fatos e coisas num sentido humano. A emoção tanto pode ser expressão de humanidade, de sentimento fraterno, cristão, quanto um meio de sonegação dos caracteres mais legítimos da condição humana. Esse conflito está exuberantemente explorado. Em todos os ramos da ciência, na literatura, ficção e poesia. Robert Louis Stevenson (americano) em "O médico e o monstro" imergiu nesse conflito interior, em que o homem oscila entre o bem e o mal. Mas o amor identifica o homem com a Luz.

A fé cristã se fundamenta no testemunho de Jesus Cristo. No que Ele disse, prometeu, fez, criou, plantou, ofereceu e iluminou. No Prólogo do seu Evangelho, São João capta o sentido básico da fé cristã. A luz é sinônimo de amor. Caminho e fim da vida humana. Página de poesia e simplicidade. Face da verdade: "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio Dele e sem Ele nada foi feito de tudo que existe. Nele estava a vida e a vida era a luz do
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