O momento financeiro do ABC foi reconhecido pelo presidente Judas Tadeu como difícil, mas de acordo com o dirigente tanto em termos técnicos na série B, quanto em termos de finanças está longe de ser considerado desesperador. O clube necessita levantar urgente recursos na ordem de R$ 1 milhão e espera conseguir o valor através da venda dos 10% de participação que ainda possui no passe do atacante Wallyson e com as cotas da verba publicitária prometidas pela Prefeitura do Natal e o Governo do RN.
Rodrigo Sena
Presidente do ABC, Judas Tadeu, busca fontes alternativas de fazer dinheiro e vendeu uma parte da carga de ingressos antecipadamente
"Nós temos de arranjar novas fontes de recursos, com o aporte dessa quantia dará para administrar o restante da situação no clube", disse Judas Tadeu ressaltando que o dinheiro levado com os empréstimos bancários, assim como o patrocínio da Nutrilar já foram consumidos. "O dinheiro da Nutrilar serviu para pagar os vencimentos de março e parte de abril. O restante dos nossos contratos de patrocínio misturados com o que é arrecadado com o sócio-torcedor dá apenas para manter a estrutura do clube em andamento. Não entra em investimento no futebol", salienta.
Uma das coisas que mais vem interferindo no peso das contas, é que o clube além de estar arrecadando bem abaixo do que imaginava no início da série B, ainda vem sendo obrigado a destinar R$ 25 mil de cada arrecadação para o pagamento de um empréstimo de R$ 300 mil realizado com dois conselheiros, que como moeda de troca pegaram uma parte da carga de ingressos. "Não está sendo fácil levantar recursos e um clube na situação do ABC deve utilizar todos os instrumentos que tiver ao seu alcance. Então nós decidimos comerciar de forma antecipada parte da carga de ingressos dos nossos 19 jogos no Frasqueirão", explicou Tadeu.
A previsão, caso os recursos que estão para ingressar no clube não sejam confirmados com alguma urgência, é que o ABC termine o ano com uma dívida girando em torno de R$ 2 milhões. Sendo que a folha do futebol será responsável por boa parte disse rombo. A primeira quantia que entrar no caixa abecedista, será revertida diretamente para sanar um dívida de R$ 600 mil com o departamento de futebol. A partir do próximo mês a folha extra com a qual o clube vem arcando será acrescida de mais R$ 150 mil após as recentes dispensas.
Mesmo com a boa vontade demonstrada por uma parte dos conselheiros abecedistas, o presidente Judas Tadeu reclama pelo fato das reunião serem apenas de cobrança e pedidos de explicação à diretoria e que as propostas para obter novas receitas geralmente sofrem solução de continuidade. O dirigente lembra que na mesma proporção do patrimônio, cresceram os gastos de manutenção da estrutura do clube e que neste momento conta apenas com o auxílio de alguns fiéis escudeiros. "O Conselho do ABC é responsável, mas não possui poder de articular o clube financeiramente", reforçou o dirigente que continua trabalhando com a finalidade de fechar um novo patrocínio para as camisas do clube e hoje vai visitar uma empresa, mas preferiu não citar nomes para não atarpalhar as negociações.
Dirigente não credita fase ao atraso no pagamentoMesmo com a folha de pagamento em atraso, ninguém na cúpula diretiva do ABC liga atual situação do clube na tabela da série B a demonstração de uma provável insatisfação dos jogadores. O presidente Judas Tadeu ressaltou que o Guarani vive crise muito mais grave que o time potiguar, também está com os salários em atraso e briga na parte de cima da tabela.
"Não acredito em boicote, os jogadores que foram embora é porque não deram certo no ABC. Quando se negocia com um atleta do porte de um Erandir, Simão e Alex Oliveira não costumamos pensar no pior. Todos são atletas de categoria e com experiencia, mas infelizmente não acertaram com a gente", explicou Tadeu, frisando que no futebol existe esse tipo de capricho.
Em parte, o dirigente usa esse argumento para explicar o grande numero de dispensas realizadas pela diretoria, coisa que há muito não ocorria dentro das hostes alvinegra e apontou como grande erro da direção ter insistido no trabalho com Heriberto da Cunha, que não se mostrou eficiente já no Estadual e devia ser interrompido de forma mais precoce. "Reconheço que esse foi nosso maior equívoco, manter um grupo perdedor para iniciar o Brasileiro. 80% daquele elenco veio por indicação do técnico e não deveríamos ter dado sequencia ao trabalho", destacou.
Mesmo com o ABC estando na penúltima colocação com 15 pontos na tabela e na obrigação de conquistar 30 pontos no 2º turno para fugir do rebaixamento, Tadeu salienta considerar o momento delicado, não crítico. "Nós precisamos vencer dez partidas e ainda vamos jogar dez vezes em casa. O grupo foi bastante reformulado e mostra mais animação. Acredito que possamos virar esse jogo, no ano passado dos clubes que viraram nessa mesma situação, três conseguiram escapar e continuo acreditando", lembrou.