Ação da polícia abre polêmica

Publicação: 28 de Julho de 2012 às 00:00

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A desembargadora convocada pelo Tribunal de Justiça do RN Sulamita Pacheco é a relatora da correição parcial impetrada pelo Ministério Público Estadual contra a Vara Criminal de Ceará-Mirim, onde tramita – em segredo de justiça - o processo do sequestro do estudante Porcino Fernandes Segundo, “Popó”. Na ação é pedida a cassação da decisão da juíza Valentina Damasceno, pois, segundo o MPRN,  essa decisão teria violado o artigo 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.296/96 – que regulamenta as interceptações telefônicas e de informática.

O parágrafo único dessa lei diz:  “Em qualquer hipótese deve ser descrita com clareza a situação objeto da investigação, inclusive com a indicação e qualificação dos investigados, salvo impossibilidade manifesta, devidamente justificada”.

Assim, o MP entende que a magistrada não agiu de acordo com o que determina a lei e essa violação,  caso não seja sanada, pode gerar futura nulidade processual. E pede que sejam deferidos os pedidos formulados pelo Ministério Público.

A juíza da Vara Criminal de Ceará-Mirim, Valentina Damasceno, disse estar tranquila em relação a decisão que autorizou a interceptação telefônica  nesse processo. “Eu jamais iria proferir uma decisão ilegal. A minha decisão está fundamentada, assim como o pedido de intercepção feito pela delegada. Eu entendo que se houvesse outra forma de se chegar aos sequestradores, ninguém perderia tempo ouvindo 37 dias de interceptação telefônica”, disse a magistrada.

Ainda segundo Valentina Damasceno, a promotora não concordou com a  interceptação de alguns números pedidos pela delegada. Os números de telefones foram sugeridos pela Inteligência da Polícia Civil com base numa lista que o departamento possui com nome de pessoas ligadas ao crime de sequestro.

“Não autorizei a interceptação de qualquer cidadão e sim de pessoas ligadas ao crime de sequestro. Entendo que quando não se tem nenhum suspeito do crime, a investigação tem que ser mais ampla para que se chegue a esse suspeito. Mas tudo isso dentro da lei. Tenho muita tranquilidade sobre o que decidi”, disse  Valentina Damasceno

Como o processo tramita em segredo de justiça, não é possível ter acesso a decisão da juíza e nem aos pedidos indeferidos do Ministério Público. A TRIBUNA DO NORTE  tentou contato a Promotora de Justiça Izabel Cristina Pinheiro, mas a assessoria do MPRN informou que ela não vai se pronunciar sobre o assunto, porque o processo corre em sigilo.

Associações de delegados e do MP emitem nota de repúdio

A Associação do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (Ampern) emitiu ontem uma nota de repúdio às declarações da delegada de Polícia Civil, Sheila Freitas, sobre a atuação da promotora de Justiça, Izabel Cristina Pinheiro.  A nota afirma que o pronunciamento e a reação da delegada de Polícia Civil adentrou na seara do ataque pessoal a um membro do MP pelo fato deste haver interposto um recurso processual com único objetivo de preservar a regularidade processual.

E que não é dado o direito a nenhuma autoridade policial  promover ataques pessoais a quem quer que seja, mormente contra um membro do Ministério Público que age no estrito cumprimento do dever legal e pelo simples fato deste haver interposto um recurso processual dentro das regras do Estado Democrático de Direito.

Em resposta, a presidente da Associação de Delegados de Policia Civil, Ana Cláudia Saraiva, emitiu nota esclarecendo, entre outras coisas, que a ação policial de combate a um sequestro representa uma corrida contra o tempo, cada segundo é importante na busca da preservação da vida, integridade e liberdade da vitima. E que apesar disso, delegada foi primorosa no seu atuar, pautando sua conduta em conformidade com a lei, fazendo as representações necessárias e as dirigindo a juíza a quem competia autorizar.

 Ainda segundo a nota, a autoridade policial tem total autonomia de entendimento na condução do inquérito policial, como operador de direito, tem liberdade para interpretar a lei e os fatos podendo representar pelas medidas cautelares que entender convenientes à investigação, e que, na condição de Presidente da investigação,delegada estava legitimada a buscar todos os meios legais que entendessem possíveis para chegar aos autores do crime.

Quem é quem na quadrilha

José Orlando Evangelista Silva

Foi o único do bando a ser preso em Parnamirim (os outros estavam com Popó, na praia de Pitangui). Ele é cearense, mas morava em Natal e era o ponto de referência da quadrilha no RN. Sua responsabilidade era dar apoio ao bando no RN. Alugava imóveis, fornecia os carros para o transporte etc.

Luís Eduardo Lima Magalhães Filho

Era o motorista da quadrilha. Fazia viagens do Rio Grande do Norte para o Ceará constantemente, antes e durante o sequestro do estudante.

Paulo Victor Lopes Monteiro

É o mais experiente entre os presos. Foi investigado pela polícia cearense em um duplo homicídio, em Juazeiro do Norte, já foi preso no RN por estelionato. Entre o grupo, apresenta-se como o articulador, mentor intelectual.

Bruna Pinho Landim
Namorada de Paulo Victor e sua companheira nas ações criminosas. Participava das torturas psicológicas praticadas contra o refém e tinha ainda a missão de manter o cativeiro.

José Erisvan, o “Cabeça”

Foi morto durante a operação, quando policiais estouraram o cativeiro na praia. Era responsável pela negociação com Porcino Júnior. Foi ele quem torturou psicologicamente o empresário e a família durante as ligações.

Anderson de Souza Nascimento

Foi baleado durante a operação de resgate, mas não morreu. Era um dos principais responsáveis pela vigília do refém.



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Comentários

  • denise_natal

    Soa estranha a preocupação exacerbada do MP com algo que foi decisivo para o desfecho do caso. Não é a vítima que está em primeiro lugar? Perguntemos então à família, de que lado ficaria para ver seu parente a salvo.

  • fsvrm

    eita q o MP ta com rabo preso é? se algum sequestrador matasse o Porcino Junior, o MP ia defender quem? alem disso..... a populacao agora sabe os salarios desse povo que trabalha "naoseipraquem"

  • aguidantas

    Um dos maiores inimigos das investigações policiais agora vocês estão vendo!

  • genilda_bruxa

    Sr. Secretario de Segurança do RGN, percebe-se q a justiça ja e falha e se entre os q tem a obrigação o dever de solucionar os casos as brigas, as divergencias os atropelos sao assim... imaginem como nao ficamos. Se o PopÓ tivesse morido( Graças a DEUS nao aconteceu pq o CRIADOR é maior) ai todos esses majoritarios estariam de rabo entre as pernas, caladinhos, embutidos, agora o exito foi solucinado, dai ficam a briga entre eles pra ver quem aparece mas. Vao se integrar e tentar eucidar milhoes de casos q temos ai.

  • contato

    Há muito tempo louvo as ações do Ministério Público, muitas vezes desempenhando o papel da polícia no combate ao crime organizado no que tange a corrupção. Não quero, no entanto, entrar no mérito dessa discussão. Mas no caso desse sequestro o MP está muitíssimo equivocado.

  • maxhist

    Acredito no trabalho do Ministério Público quando o mesmo atua como um Tribuno da Plebe, como um defensor perpétuo dos direitos do Cidadão e das Instituições Democráticas. Todavia, mais que parece, às vezes, é que alguns membros do MP gostam de polêmicas e holofotes. É preciso humildade, afinal de Contas não existe um poder acima do outro, conforme preceitua o artigo 2º da Constituição Federal.

  • fmarciosouza77

    Do jeito que ta essa polemica, ja ja o Advogado desses bandidos coloca eles na rua. To achando que é isso que o MP ta querendo, ver bandido na rua para praticar os crimes e isso vai atrair mais bandidos pro RN.

  • limasilva

    concordo com a denise_natal@...tem algo estranho ai e precisa ser investigado

  • jacomegama

    So falta agora o MP exigir que se ressuscite o bandido que morreu em confronto com a policia! Acho que tem gente querendo participar do sucesso da Delegada e da equipe de policiais que participaram da operacao.

  • 2cf

    realmente, o maior entrave às investigações policiais mostra sua cara, por sorte, nesse caso, o fez após o desfecho feliz para a sociedade. a promotora não se preocupa com a vida da vítima, e sim com detalhes bobos. parece mesmo dor de cotovelo.

  • 2cf

    nota 10 para a Juíza, nota 10 para a DEICOR e nota 0 para os ciúmes da Promotora

  • Dariocunha

    Vcs do MP nao acham que tem coisas mais importantes pra tratar? Poxa!!!! Um sequestro solucionado gracas a equipe dirigida pela delegada e com a celeridade processual dada pela juíza. Vcs do MP eram pra estar parabenizando essa equipe, e nao, procurando pendengas. Isso se torna ridículo. Parabéns a tds q participaram da operação.

  • william18_7

    Com todo respeito aos comentários aqui expostos, venho dizer que se a lei tem que ser cumprida como manda é porque ela foi feita para isso, com igualdade celeridade e acima de tudo com respeito. não vejo necessidade de pular um Artigo, Inciso ou parágrafo, temos que cumprir como a lei determina. O MP agiu da maneira que foi e é correta, haja vista que a cúpula do comando policial sabia quem eram os sequestradores, como alugaram casas perto do cativeiro para fazerem campana e vigiar 24 horas, todos fora vigiados passo à passo, conhecia a rotina dos sequestradores. Parabéns MP!!!

  • jeudesbol

    VENDO ESSA PREOCUPAÇÃO, PENSAMOS A JUSTIÇA ESTÁ DE QUE LADO AFINAL DE CONTAS?